O ministro das Obras Públicas afirmou hoje que o caso Freeport é "uma matéria com fins políticos" e que "as pretensas fugas de informação" sobre o processo têm como objectivo "colocar obstáculos ao Governo" e "atingir o primeiro-ministro".
Questionado pelos jornalistas sobre o caso Freeport no final da assinatura do contrato de concessão para a construção do novo IC32, Mário Lino disse que do seu ponto de vista "o primeiro-ministro é envolvido numa matéria com fins políticos".
"O que me parece evidente é que uma coisa são investigações que as autoridades devem fazer sobre quem quer que seja de uma forma célere para tornar tudo claro, portanto aqui, ou são fugas de informação ou pretensas fugas de informação que permanentemente são colocadas para colocar obstáculos ao Governo e para atingir o primeiro-ministro", acrescentou.
O primeiro-ministro José Sócrates disse sábado no Porto que a reunião que manteve com responsáveis da Freeport aconteceu a pedido da autarquia de Alcochete
"Essa reunião aconteceu e foi a única em que participei por insistência e por pedido da Câmara Municipal de Alcochete", disse Sócrates, numa declaração na Alfândega do Porto. "O objecto da reunião foi apenas a apresentação das exigências ambientais que tinham levado ao chumbo do projecto", acrescentou Sócrates.
O primeiro-ministro especificou tratar-se de uma reunião no Ministério do Ambiente, muito alargada, com vários técnicos e dirigentes do Ministério, com a Câmara de Alcochete e com os promotores do empreendimento.
"Nessa reunião, o que foi discutido foram as posições do Ministério do Ambiente e foram transmitidas aos promotores as razões que levaram o Ministério do Ambiente a chumbar o projecto anteriormente e as exigências ambientais para que o Ministério viabilizasse o projecto", declarou.
"Não tenho memória, admito que isso possa ter acontecido, que o meu tio Júlio Monteiro tenha falado no caso do empreendimento Freeport e me tenha pedido para receber os promotores", disse José Sócrates, acrescentando que os factos se passaram há uns anos.
Sócrates garantiu não ter participado em mais nenhuma reunião com administradores do Freeport e adiantou que vai lutar para defender a sua honra e honestidade e manifestou-se disponível para ser ouvido pelas autoridades judiciais, no caso Freeport.
"Quero dizer que aqueles que pensam que me vencem desta forma estão enganados. Vou lutar para defender a minha honra e a minha honestidade. Já passei por provas duras no passado e vou fazer aquilo que me compete: defender-me e esclarecer todos os portugueses", disse.