A França expressou hoje a sua "viva inquietação" com as declarações do Papa Bento XVI contra o uso do preservativo, considerando que estas põem em risco "os imperativos de protecção da vida humana" face à sida.
"A França exprime a sua mais viva inquietação perante as consequências desta proposta de Bento XVI", declarou aos jornalistas Eric Chevallier, porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Horas antes de aterrar na capital dos Camarões para a sua primeira visita ao continente africano, Bento XVI defendeu que a solução para o problema da sida não passa pela distribuição de preservativos, considerando que a sua utilização agravará o problema. "Não nos cabe julgar a doutrina da Igreja, mas consideramos que tal proposta põe em risco as políticas de saúde pública e os imperativos de protecção da vida humana", prosseguiu Chevallier.
A França considera que "com a informação, educação e despistagem, o preservativo é um elemento fundamental nas acções de prevenção e transmissão do vírus da sida", prosseguiu Chevallier. De acordo com o porta-voz, o país continua "fortemente empenhado no acesso universal à prevenção, aos cuidados e às medidas que favoreçam o respeito pelos direitos das pessoas que vivem com o VIH/sida".
Eric Chevallier sublinha a importância da "responsabilidade e da solidariedade" e presta homenagem àqueles que "todos os dias no terreno aplicam as políticas de prevenção e de acesso aos cuidados". O responsável francês lembrou que as iniciativas e o volume das contribuições testemunham a prioridade que a França atribui à luta contra a sida no mundo, particularmente em África.
Sublinhou ainda que a França, com uma contribuição de 900 milhões de euros em três anos, "é o segundo contribuinte mundial e o primeiro europeu para o Fundo Mundial de Luta contra a sida, a tuberculose e a malária".
A luta contra a SIDA será uma das questões incontornáveis para o Papa Bento XVI, que iniciou terça-feira nos Camarões um périplo de sete dias em África, que inclui também uma deslocação a Angola, a partir de sexta-feira. A doença tem um impacto devastador em África, particularmente em países como o Botswana, Suazilândia e África do Sul, os mais afectados em todo o mundo.
Cerca de 22 milhões de pessoas estão infectadas na África sub-saariana, onde morrem três quartos das vítimas de sida no mundo inteiro.