Foi das semanas mais excitantes para os fotógrafos. Desde o aparecimento das primeiras máquinas digitais e do salto posterior para a qualidade e acessibilidade dos preços (há cerca de 5 anos) que não aparecia uma tão grande novidade técnica: as máquinas profissionais deram um passo à frente, não para o abismo, mas para a possibilidade de também fazerem vídeo.
O meu post da semana passada foi ultrapassado pela actualidade passadas horas. Acordei e três das minhas máquinas fotográficas compradas há meses estavam...obsoletas.
O anúncio que eu tinha aqui feito de que a Nikon tinha uma reflex que fazia vídeo e a possibilidade que eu punha de a Canon avançar também com um sistema idêntico foi logo confirmado.
Só que a tal Canon tão esperada, a 5D Mark II, revelou-se de uma ruptura total. A máquina não fotografa e faz uns vídeozinhos. A máquina traz um sensor de 21 milhões de pixels, usa um sensor full frame de 24x36 (o modelo anterior já o tinha) e é sobre esta superfície sensível que ela grava vídeo HD com uma qualidade superior às actuais câmaras de vídeo HD profissionais. Aliás falar de vídeo nem é o termo correcto. O que a 5D MarkII faz é cinema de alta definição com objectivas profissionais de grande luminosidade e permite filmar em baixas luzes com uma "souplesse" total.
O filme no link em anexo permite o deleite total: o americano Vicent Laforet um fotógrafo (não um cameraman, não um "repórter de imagem"- um termo pouco apropriado) de nomeada fez um filme com uma máquina fotográfica, montado no mais friendly programa de edição, o Final Cut. O resultado é histórico e abre uma nova era na fotografia. Digo na fotografia e não no vídeo porque o que se trata aqui é de dar a possibilidade aos fotógrafos de poderem convergir a fotografia com outras ferramentas digitais que permitam um caminho inovador para as plataformas multimédia.
Não é a fotografia a imitar a televisão com as suas normas e regras standarizadas. É a possibilidade de os fotógrafos usarem a sua técnica e a linguagem da fotografia para introduzirem também no cinema e na net, porventura na TV, aquilo que é a mais valia da fotografia: a nobreza da luz, a arte do enquadramento, a emoção do instante, o factor de proximidade com os temas.
Para os merceeiros habituais poderá ser uma poupança bestial como o shampôo dois em um. Para os jornalistas e artistas uma ferramenta para melhor se falar do Mundo e melhor conhecer o Homem. Para os cineastas também uma grande oportunidade para poderem fazer filmes em HD com custos de produção muito mais reduzidos.
O digital baralhou e deu de novo.
Clique AQUI
e veja o filme feito com a máquina fotográfica Canon 5D MarkII
Luiz Carvalho, fotojornalista do Expresso