13/02/2012 atualizado às 9:29

Fotogaleria: A trágica Primavera de Pequim

Faz agora 20 anos, o braço-de-ferro entre os manifestantes pró-democracia que ocupavam a Praça Tiananmen e as autoridades de Pequim termina tragicamente: os blindados esmagam a multidão e fazem milhares de mortos. A Primavera de Pequim terminava abruptamente como a de Praga terminara 11 anos antes.

Rui Cardoso
22:56 Quinta feira, 4 de junho de 2009

Durante os anos 60 a China comunista e o seu líder Mao Tsetung foram o modelo inspirador para uma boa parte da esquerda europeia. Morto Mao e iniciado o que parecia ser um processo de reformas, as últimas ilusões desvaneceram-se em Junho de 1989, quando o movimento estudantil pró-democracia foi, literalmente falando, esmagado pelos tanques do Exército Popular de Libertação.

Uma repressão implacável que fez esbater os excessos da Revolução Cultural maoísta.O movimento da Praça Tiananmen começou em Abril, como reacção às restrições impostas ao funeral do dirigente reformador Hu Yabong que, em 1987, recusara reprimir um outro levantamento estudantil.

Durante dois meses, estudantes, operários e desempregados vão ocupar a mais simbólica das praças de Pequim, pedindo coisas que, parecendo triviais no Ocidente, como as liberdades de expressão e reunião, naquele contexto apareciam como profundamente subversivas para um regime que, do capitalismo, apenas queria aproveitar a parte económica, "esquecendo" a componente democrática e liberal.

Se os primeiros enfrentamentos são relativamente suaves, opondo soldados e manifestantes desarmados, o clima agudiza-se rapidamente.

Nos bastidores, a luta entre o liberal Zhao Zyiang, secretário-geral do PCC e o "falcão" Li Peng, primeiro-ministro, termina com o afastamento do primeiro.Nuns casos, soldados e manifestantes confraternizam. Noutros, há veículos incendiados e militares linchados.

À meia-noite de 4 de Junho, o 27º Corpo de Exército irrompe pela praça, precedido de carros de combate. Aos manifestantes esmagados pelas lagartas dos tanques ou metralhados juntam-se os feridos, abatidos a sangue-frio, pois a ordem parece ser a de não fazer prisioneiros. Consoante as fontes há de 1.500 a 4.000 mortos.

Muitos dos presos serão, nas semanas seguintes, executados com uma bala na nuca.Ao meio-dia de dia 5, a Rádio Pequim proclama: "Soubemos sufocar o motim contra-revolucionário". A que custos, o mundo inteiro testemunhou...


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