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Fora de Luanda, já!

Manuel Ennes Ferreira (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 6 de fevereiro de 2010

O congestionamento de Luanda é já um clássico. Não é apenas no sentido mais tradicional do termo: o trânsito é caótico, desesperantemente lento, e os custos económicos e de saúde associados são incomensuráveis. Mas o congestionamento é também populacional.

As estatísticas variam, quer sejam dois milhões ou três ou quatro. Mas o congestionamento é também predial. A continuar assim, qualquer moradia ou prédio de dois andares será uma relíquia dentro de alguns anos. E a bem da modernidade augura-se congestionamento na baía de Luanda com o empreendimento para ali previsto. No meio disto tudo, coitada da mabanga, que a quiteta já foi... Mas ainda há o congestionamento burocrático e empresarial. Tudo está concentrado neste pólo e quem não está aqui não existe pura e simplesmente. Até o congestionamento político está bem vivo na capital. Por via de tudo isto os custos da actividade diária, empresarial e individual, são elevados. Por tudo isto é penoso viver em Luanda, os constrangimentos ao nível do regular abastecimento de electricidade e água mantêm-se, persistente e inexplicavelmente!

Que fazer? Sair de Luanda. Por razões do trabalho que me levou novamente a Angola, estive em Benguela-Lobito, onde mais regularmente vou, e no Huambo. A viagem fez-se de carro, mais de 1500 quilómetros. E bendita a hora em que assim foi. É um paraíso, se se pode usar tal palavra. Ao descuido de Luanda encontramos, em contrapartida, aquelas cidades, no mínimo, varridas, o que em termos comparativos locais significa limpas. Com um trânsito dentro de limites completamente toleráveis, quer de viaturas quer de pessoas. É certo que questões ligadas à energia eléctrica e água apoquentam ainda. Mas respira-se outro ar. A vontade de fazer negócio, isto é, de se tornar empresário é grande. Mas, e era esta a questão central que me levou ali, o empreendedorismo está presente em dezenas de potenciais empresários. Pequenos. Os seus problemas não são menores e o exercício de jogo de cintura e as 'idiossincrasias' locais não podem deixar de ser tomadas em conta. O realismo e o pragmatismo vão de mãos dadas. Mas luta-se e faz-se alguma coisa. É um raio de esperança muito interessante para o futuro do país. As estradas principais ligando as capitais estão recuperadas e circula-se muito bem. Lá se vão vendo os letreiros das construtoras, sejam portuguesas, brasileiras ou chinesas. A recuperação do caminho-de-ferro de Benguela dá alguns ares embora se constate a paralisação em diversos troços. Mas até as pequenas vilas que fui atravessando apresentam-se varridas, com calma e a ensaiar a recuperação. A partir de Benguela, à volta do Huambo, no Wako Kungo, etc., é uma paisagem diferente com lavras em cultivo. Não há dúvidas. Se fosse possível, e não fosse a centralidade de Luanda, o melhor mesmo era ir para fora de Luanda e aproveitar as oportunidades que por ali existem potencialmente. Potencialmente, digo bem, porque a realidade é madrasta.

Manuel Ennes Ferreira
Professor do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 30 de Janeiro de 2010

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Prof. Manuel Ennes Ferreira
felicidade (seguir utilizador), 1 ponto , 2:30 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Muito bem visto! Tanto "mundo" lindo, saudável , tranquilo e muito mais económico, fora da grande cidade e tudo atafulhado só num sítio.
Bom! Mas nem precisamos ir tão longe: Lisboa está a crescer de uma forma dolorosamente feia, inestética e pobre. Está um horror! E temos tantas cidades e vilas lindíssimas, com todas as comodidades e tranquilidade, tanto no litoral, como no interior - porque se amontoam ali as pessoas em situações piores do que os bichos???
(Já para não falar nas falhas tectónicas e na desgraça que foi 1775, quando Lisboa não era maior do que Faro).
Parece-me tão urgente e simultaneamente tão simples inverter esta tendência...
Enfim! É o costume! Mais palavras, para quê?
 
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Sempre foi assim
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:48 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
Mesmo no início dos anos 80, apesar dos problemas militares, em toda essa zona e principalmente no Huambo, se notava a diferença em termos de salubridade.

De realçar, que nessa altura em termos de limpeza, Luanda era algo indescritível.

 
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Luanda
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:14 | Domingo, 7 de fevereiro de 2010
Um país governado por um vil ditador e com a agravante de ter o apoio do governo de Portugal, ao qual este primeiro ministro nem a boca abre.
Angola enquanto teve os colonos era um país próspero, que agora não passa de um país onde sobreviver é palavra do dia.
Ideologias de um solialismo onde se enchem os poderosos á conta do povo.
 
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    Re: Luanda    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 21:10 | Domingo, 16 de maio de 2010
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