Desde 2005 que se dizia que o movimento estudantil no Ensino Superior estava morto. Desde esse Novembro, em que a manifestação com dois mil estudantes, mais coisa, menos coisa, se tinha partido em Entrecampos, não se ousava convocar uma manifestação à escala nacional, com as AAEE zangadas, o movimento estudantil descredibilizado e os estudantes desmoralizados.
Nestes 4 anos muitas foram as vezes em que teria sido necessário juntar esforços para contestar as medidas que foram sendo tomadas: a plena (e errada) implementação de Bolonha, o novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), os cortes no financiamento público das instituições, os inúmeros casos de abandono por falta de meios económicos e as propinas a chegarem perto dos 1000€, os estudantes a passar fome e a acção social tão escassa. Em 4 anos... nada. Ou umas tentativas muito tímidas (por exemplo, no RJIES) de mobilização estudantil, com concentrações mal organizadas e tão pequenas que quem ia mal tinha vontade de repetir. Nada, ou ainda pior.
A Marcha pelo Ensino Superior do dia 17 não foi grandiosa nem parou a vida das faculdades, mas foi o despontar de qualquer coisa, um grito de quem já estava farto de aguentar tanto e calar sempre.
Neste Novembro, alguns milhares de estudantes vieram de quase todo o país - Coimbra, Minho, Lisboa, Porto, Trás-os-Montes. Neste Novembro, muita gente marchou, gente que nunca tinha estado em qualquer manifestação, gente que nunca tinha pensado "vale a pena estar lá", gente que de sorriso nos lábios gritava bem alto "Ensino universal, direito fundamental". Gente que no final dizia "foi lindo".
Finalmente exigimos a uma só voz um financiamento público adequado às necessidades das faculdades, uma acção social à medida das nossas vidas: um real investimento na educação universal como base de uma sociedade mais qualificada, mais crítica e informada.
Neste Novembro abriu-se uma nesga para o movimento estudantil. Agora é preciso rasgá-la.
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