11/02/2012 atualizado às 23:42
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Florival Lança: "Fui afastado da CGTP por delito de opinião"

Leia a entrevista exclusiva de Florival Lança ao Expresso, no momento em que o ex-dirigente sindicalista acaba de lançar o livro "Inter Nacional".

José Pedro Castanheira (www.expresso.pt)
10:00 Sábado, 10 de abril de 2010
Florival Lança: 'Fui afastado da CGTP por delito de opinião'

Dirigente metalúrgico e militante do PCP desde 1975, Florival Lança foi eleito em 1980 para o órgão máximo da CGTP. Em 1993, assumiu o pelouro das relações internacionais, tendo defendido a adesão da central à Confederação Sindical Internacional (CSI). Esta posição, contrariada pelo seu partido, ditou a sua saída da direcção da central no último congresso, de 2008. Com 64 anos, a alguns meses de passar à reforma, escreveu o livro "Inter Nacional" (da Profedições), lançado no dia 9.

Deixou de pertencer à direcção da CGTP. Foi afastado?
É o termo correcto.

O motivo formal foi uma norma que impedia quem tivesse mais de 60 anos de ser eleito dirigente.
Essa norma não existia. Tal como tive a ocasião de dizer nas reuniões em que participei, foi uma norma para vigorar apenas naquele congresso. Disseram que não, mas as evidências estão a demonstrar que foi uma norma pontual, ad hoc, e para mim, e que levou por arrasto mais alguns dirigentes que não tinham cometido delitos de opinião.

O seu "crime" foi um delito de opinião?
Nítido, claro e evidente. Tinha uma opinião contrária à da maioria. Defendi e argumentei com o conhecimento que tinha relativamente à estratégia que a CGTP devia seguir face ao movimento sindical internacional. Foi a partir dessa opinião, considerada quase uma blasfémia pela maioria, que se desenvolveu o processo do meu afastamento. Sempre estive de acordo que a CGTP deveria ter um processo de rejuvenescimento planificado e continuado. Se o problema fosse esse, compreenderia e seria o primeiro a dar o exemplo, afastando-me. Mas o problema nunca foi este. Foi a opinião que formei, elaborei e manifestei sobre a necessidade da CGTP se incorporar no movimento sindical internacional.

Florival Lança: 'Fui afastado da CGTP por delito de opinião'
António Pedro Ferreira
Isto é: aderir à CSI.
Aderir à CSI, porque esta surgiu com um espírito diferente e uma vez que a CGTP, em todos os espaços onde age, trabalha com gente da CSI. Teríamos toda a vantagem em não criar nenhum anti-corpo na nossa participação regular em diversas instituições.

Saí do PCP depois do congresso da CGTP


Ao defender essa posição esteve em minoria, apesar de pertencer à maioria, na medida em que é militante do PCP.
Não, eu neste momento já não sou militante do PCP.

Mas na altura era.
Sim, mas saí mais de um ano depois do congresso. Na altura fazia parte da maioria e nesse campo era minoritário.

O que o fez sair do PCP?
Não gostaria muito de falar nisso. A única diferença que existe em mim, neste momento, é que não pago quotas, nem reúno, nem estou sujeito á disciplina partidária.

Na altura, já se sentia um corpo a mais?
Não era bem essa a questão. Eu tenho a ideia que a CGTP deveria acompanhar o movimento sindical internacional. Penso que esse é o caminho correcto, e não posso continuar a defender isso como militante do PCP. Porque o PCP tem outra orientação.

Que é?
Pelo menos a não adesão à CSI. Mas parece ser mais que isso. Mas isso é especulativo.

Recomendação secreta dos PC's aprovada em Lisboa


Acha que é especulativo, depois de publicar no seu livro uma recomendação aprovada em 2006 pelos partidos comunistas, numa reunião em Lisboa, no sentido de reforçar a outra central internacional, a Federação Sindical Mundial (FSM)?
É sempre de carácter especulativo, porque eles só dizem que se comprometem a defender e reforçar a FSM. E isso pode ser feito de muita maneira e não necessariamente através da incorporação orgânica na central.

Há outras formas de alinhar com a FSM?
Há várias vias, como a filiação de federações e até mesmo de sindicatos, e da participação em iniciativas da FSM.

Já há estruturas da CGTP filiadas na FSM?
Neste momento, creio que há duas: uma, já concretizada, é a federação da Construção, Mármores e Madeiras; outra, seria a da Hotelaria. Mas não tenho a certeza, não vi o termo de adesão.

Quando teve conhecimento daquela recomendação aprovada pelos PC's?
Já depois do congresso.

Mais de dois anos depois da sua aprovação.
Exactamente. Foi até no estrangeiro - não quero mencionar o país, porque isso poderia conduzir à identificação da pessoa que mo deu - que me confrontaram com o documento e de que pedi uma cópia.

Florival Lança: 'Fui afastado da CGTP por delito de opinião'
António Pedro Ferreira
Os sindicatos árabes e Alá 


Trata-se de uma orientação estratégica no sentido de reforçar a FSM, a velha central sindical mundial - sindical entre aspas, porque nunca houve sindicalismo nos países comunistas.
A actual FSM não tem nada a ver com a velha FSM. A velha FSM tinha a função de transportar para o campo sindical internacional a orientação da referência central do socialismo que era a União Soviética. Esta FSM, embora seguindo a mesma linha, é diferente.

Porque já não existe bloco soviético!
Não é só por isso. Podia continuar a ter a mesma "pureza ideológica", mas não tem. Não tem porque não pode. Para não desaparecer, a FSM teve que se ancorar, sobretudo no plano financeiro, às organizações árabes: Síria, Sudão, Irão...

Há sindicatos nesses países? Sindicatos como a gente os conhece!
Não. Na maior parte desses países não há contratação colectiva, direito de greve ou liberdade sindical. Na maior parte deles há uma concepção em que a religião é determinante: Alá está lá por cima e todos nós trabalhamos para o seu engrandecimento, sejam trabalhadores, sejam patrões.

Uma sociedade corporativa-religiosa.
Exactamente. A única motivação que os árabes têm para estar na FSM é que a CSI não os aceita, por causa da falta de liberdade sindical. Mas eles não querem o sindicalismo como nós o conhecemos. Isto acaba por produzir um conjunto de slogans anti-americanos (com razões, acrescente-se) como único cimento que une tudo o que está dentro da FSM. Mas isso, do ponto de vista sindical, não é nada. Até pode ter importância do ponto de vista político, mas essa não é a função dos sindicatos.

É o que você designa no livro como retórica "panfletária e pseudo-revolucionária".
Exactamente. Porque não tem tradução rigorosamente nenhuma na prática.

O debate foi subvertido


A recomendação, aprovada pelo PCP às escondidas - no sentido em que não foi revelada -, é para ser levada à prática pelos sindicatos. É a velha correia de transmissão?
Exactamente. É essa a concepção.

Florival Lança: 'Fui afastado da CGTP por delito de opinião'
António Pedro Ferreira
Foi uma das razões que o levou a afastar-se do partido?
Quero ter a liberdade, até do ponto de vista ético, para continuar a defender uma ideia em que acredito. E como sou e sempre fui sério, não queria estar dentro de um partido que tem uma orientação contrária àquilo que quero fazer - e situo aí a minha saída.

O Manuel Carvalho da Silva conhecia esse papel?
Não. Tanto quanto sei - e eu acredito nele -, não conhecia.

Quem o conhecia?
Atrevo-me a dizer uma coisa que até pode ser ofensiva para alguns antigos camaradas meus: acho que ninguém sabia. Falo dos dirigentes. Porque admito que noutros espaços alguém soubesse, porque há muitos membros do Comité Central.

Há um centro de decisão exterior à CGTP?
Como recomendação, não se pode fazer essa afirmação de forma tão taxativa. Mas que há um esforço muito grande para encaminhar a CGTP naquela direcção, e que isso é um factor de subversão do debate, é uma evidência.

Subversão?
Claro! O debate não foi aberto e foi boicotado por muitas organizações da CGTP.

Só fui à federação têxtil


Está a fazer uma acusação que vai ter que concretizar.
Houve muitas organizações que se recusaram a cumprir uma orientação do Conselho Nacional da CGTP, que era promover o debate em todas as estruturas. Das mais de 30 organizações sectoriais e regionais, estive em meia dúzia: em várias uniões e numa federação.

Só numa federação? Qual?
A federação têxtil.

Desde sempre a mais unitária de todas as federações da CGTP.
Mais unitária e que tem acompanhado de mais perto a evolução do sindicalismo internacional.

Onde a presença das correntes minoritárias é...
...mais viva, presente e activa.

E em que uniões distritais?
Aveiro, Setúbal, Évora, Lisboa, Algarve.

Na União do Sindicatos do Porto?
Não estive.

O caso do António Chora foi mal tratado


Falou em boicote. No entanto, a dimensão internacional faz parte da própria génese do sindicalismo.
Desde que existe CGTP que ela sempre foi uma das suas preocupações e linhas estratégicas. Estamos a falar do princípio das coisas: a internacionalização da luta. Perante os mesmos problemas, as mesmas respostas, dadas pelo conjunto dos trabalhadores. Há pouco tempo houve uma conferência promovida pelo sector minoritário...

Que foi boicotada!
Não foi boicotada. Teve 400 participantes - mas não teve a participação da CGTP e deveria ter tido. Apareceu um sindicalista de base, da Autoeuropa, que exemplificou com uma clareza meridiana que se não fosse a conjugação de esforços dos trabalhadores da AE de toda a Europa não se teria conseguido manter aqui a AE.

Foi o António Chora?
Sim.

Porque é que o António Chora nunca pertenceu à direcção da CGTP?
Não faço a mínima ideia,

Por pertencer ao BE?
Não faço ideia. Também não compreendo. Essas coisas é preciso conhecê-las em profundidade e em pormenor. Acho que foi um problema mal tratado, mas não o conheço.

O dossiê que foi metido na gaveta


O livro é editado por dois sindicatos de professores, que pertencem às correntes minoritárias. Porque não foi editado pela CGTP?
Não sei se a CGTP tem uma editora...

Alguém dos órgãos confederais, a que pertenceu durante quase trinta anos, soube deste livro?
Não. Do que a Comissão Executiva tomou conhecimento foi de um embrião deste livro: um dossiê que elaborei sobre a situação sindical internacional.

Que foi metido na gaveta.
Claro. E foi metido porque afrontava a ideia maioritária, que era exactamente a contrária da que eu sugeria.

Não mostrou isto ao Carvalho da Silva?
Não. Este livro é do conhecimento de algumas pessoas, poucas. Não quero enumerar nomes, para não ferir susceptibilidades. Não nasce de uma concertação de ideias. Nasce exclusivamente da necessidade que tive de dar a conhecer o meu pensamento sobre o problema. Porque acho que o problema não está encerrado e que vale a pena continuar a discutir.

Você pode vir a ser acusado de não ter aceite a posição maioritária, votada no congresso.
Aceitei a decisão da maioria até ao momento em que tive responsabilidades. A partir desse momento, fiquei livre para defender a opinião que muito bem entendesse. Aceitei sempre as decisões tomadas democraticamente nos órgãos da CGTP. Mesmo quando não concordava com elas.

"Era violar a minha consciência individual"


Porque não falou no congresso?
Porque não quis. Insistiram para que falasse, mas cheguei a dizer que não queria ter o microfone à frente. Uma coisa era não agir e até votar de acordo com a maioria - a isso, sujeitava-me. Mas não me pusessem a dizer aquilo que não sentia.

Mas votou?
Votei, a favor daquilo a que estava amarrado.

Contra as suas convicções?
Exactamente. Fui até esse ponto. Sempre preservei a disciplina. Tem a ver provavelmente com a minha formação, até um bocado militar.

Disciplina leninista?
Não é nesse aspecto. A disciplina, para mim, é uma questão essencial. Há regras.

Mas há também a liberdade individual.
Quando a disciplina asfixia a minha liberdade individual, então só tenho que sair desse espaço. Foi o que aconteceu. Não podia estar amarrado a uma disciplina que me impedia de defender aquilo que defendo neste livro. Acabei por privilegiar a minha liberdade individual. Aí, rompo com as tradições leninistas.

Recusou-se a defender publicamente posições...
... que não eram as minhas. Era demais! Era uma violência e uma violação da minha própria consciência.

Mas o Carvalho da Silva não votou.
Foi uma opção dele. Eu nem sabia disso. O que revela que não houve concertação de posições.

Militante do PCP mais de trinta anos


Foi militante do PCP durante quantos anos?
32 ou 33 anos.

Alguma vez foi convidado para o Comité Central?
Fui e não aceitei.

Porquê?
Na altura era coordenador da União de Lisboa, nos anos oitenta. Não aceitei, porque não achava bem misturar as duas coisas, ser coordenador da USL e, ao mesmo tempo, membro do CC. Não sei explicar, mas não acho bem. Penso que na altura esta razão foi compreendida, porque nunca mais me convidaram.

Continua a ser comunista?
Continuo. Não tenho dúvida nenhuma. Este sistema já mostrou à saciedade - basta olhar para as desigualdades e injustiças que existem no mundo inteiro - que é incapaz de dar resposta às necessidades das pessoas.

E o comunismo é capaz?
É. É por isso que se deve criticar a experiência histórica que conduziu ao colapso que conhecemos.

Aquilo não era comunismo?
Não. Se fosse, não teria sido o descalabro que foi. Eu acredito numa sociedade de justiça - ia dizer igualitária, mas é um termo passível de várias interpretações. Deve ser igualitária em termos de oportunidades, de participação, de colher os resultados do esforço colectivo.

Não falou em liberdade...
A liberdade é a primeira condição para que tudo o resto seja materializável e possível.

"No Comité Económico e Social Europeu sou dos mais jovens"


Vai continuar a votar no PCP?
Como sempre votei. Não vejo que o meu voto possa ser útil noutro espaço. Não tenho nenhuma opção melhor.

Mesmo depois de tudo que aconteceu consigo?
Não podemos ter ressentimentos a esse nível. Devemos ser coerentes.

No CES você é um "velhinho"?
Não. Se exceptuarmos os novos países que aderiram, à EU, sou dos mais jovens. Há um italiano, que é altamente considerado no CES e que é um dos relatores, que tem 82 anos. A maioria é gente altamente qualificada e que lecciona nas universidades - e não é da terceira idade.

Aos 60 anos, um sindicalista ainda tem muito para dar?
Muito. Até para enquadrar e formar os que chegam. Não vejo razão nenhuma para descartar quadros que deram uma vida inteira ao movimento sindical. E não falo por mim.

"Já me chamaram traidor!"


Sente-se magoado?
Não. Foi um combate político.

Em que as armas foram...
... desiguais e pouco transparentes, é verdade. Mas não guardo mágoa de ninguém, a não ser de um ou outro amigo que de repente se esqueceram de 20 ou 30 anos de relacionamento profundo. Mas isso é secundário.

Não teme vir a ser classificado de traidor?
Já fui.

Preto no branco?
Sim. Soube isso no estrangeiro, ainda era dirigente da CGTP. Sei que não deixaram de dizer que me vendi ao imperialismo...

Não teme que esses labéus sejam ressuscitados, com a publicação deste livro?
Não temo, mas sei que vai ser assim. Porque isso é o mais fácil: evita a argumentação sobre o tema em si mesmo. Para se dizer isso, nem é preciso ler o livro, que para muita gente é uma trabalheira ... A forma mais simples é o "vendeu-se!", ou "quem havia de dizer?", "tínhamos uma confiança tão grande"... Ainda por cima um metalúrgico, da velha classe operária e vanguarda da revolução. Sei porque conheço as pessoas e o meio - e é a arma mais simples.

O que vai fazer na reforma?
Vou continuar a intervir. Onde, não sei: no bairro ou numa ONG. No debate de ideias, das velhas e das novas.

Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 10 de Abril de 2010
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"Fui afastado da CGTP por delito de opinião"
Runaldinho (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 13:45 | Sábado, 10 de abril de 2010
O PCP continua igual a si próprio!
Esta gente que já fez parte das cúpulas, tanto do partido como da central sindical, outrora estiveram na purga de outros camaradas, estranham agora o comportamento de outros para consigo!
Quem ler a Biografia de Álvaro Cunhal de Pacheco Pereira, um intelectual que estou a fundo todas as metamorfoses do PCP até chegar ao estado adulto, já fora da clandestinidade, sabe que isto é cíclico!
Para mim nada de novo na Soeiro Pereira Gomes!
 
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clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 21:15 | Sábado, 10 de abril de 2010
A GRANDE CONCLUSÃO A TIRAR
José Telhado (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 18:12 | Sábado, 10 de abril de 2010
Como não há sindicatos independentes, não há sindicalismo livre em Portugal.

Logo quem faz e organiza as greves não são sindicatos mas partidos para obter apoio para si, que de outra forma não teriam.

Impõe-se correr com os delegados partidários dos sindicatos para uma renovação do movimento sindical.
 
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    Re: A GRANDE CONCLUSÃO A TIRAR    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 21:59 | Sábado, 10 de abril de 2010
    Re: A GRANDE CONCLUSÃO A TIRAR    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 18:38 | Domingo, 11 de abril de 2010
    Re: A GRANDE CONCLUSÃO A TIRAR    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:03 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
A cartilha de Cunhal
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:02 | Sábado, 10 de abril de 2010
A cartilha de Cunhal ainda por cá anda.
A CGTP ,mesmo com as falinhas mansas do agora também doutor Carvalho da Silva, continua a ser a velha correia de transmissão do Partido Comunista Português.
Mudaram o hábito ,mas os subterrâneos continuam os mesmos.
 
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clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 21:16 | Sábado, 10 de abril de 2010
nada de novo...pelo menos para mim!!!!
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 11:25 | Sábado, 10 de abril de 2010
Pregar algo e fazer o seu contrario não é exclusivo dos socialmente favorecidos!

"Dez dos doze professores de um estabelecimento de ensino criado em 1990 por protocolo entre o Ministério da Educação e a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional (CGTP-IN) têm vínculo precário.

"Em casa de ferreiro, espeto de pau" - o comentário é de um funcionário da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça em Pedome, uma freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, e ajusta-se bem à situação laboral da maioria dos trabalhadores daquele estabelecimento de ensino criado na sequência da celebração de um contrato-programa entre o Ministério da Educação e a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional (CGTP-IN) em 1990. Dez dos doze professores, têm os mesmos deveres que os do quadro mas têm vínculo precário e por isso não têm subsídio de Natal e pagam a Segurança Social do seu bolso.

Maria Emília Leite, directora-geral da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, admite que o pólo de Pedome, por "ter estado para fechar há dois anos", é aquele que "merece mais atenção". Esclarece, todavia, que o estabelecimento "respeita integralmente as regras do ensino particular e cooperativo", estando ainda subordinado ao Ministério da Educação e ao PRODEP III, que financiam os cursos."

Como se pode ver estes de virgem não têm nada.
 
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PCP
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:30 | Sábado, 10 de abril de 2010
CGTP igual a PCP.
Alguém tem dúvidas ?
Com que então o delito de opinião, por essas paragens também é CRIME ?
Senão alinhas, RUA ?
Rica democracia !
 
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    Eu gostava de saber como é na UGT    Ver comentário
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 2 pontos , 19:16 | Sábado, 10 de abril de 2010
    Na UGT são todos apartidários...hihihihihi    Ver comentário
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 2 pontos , 19:19 | Sábado, 10 de abril de 2010
    Re: PCP    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 21:18 | Sábado, 10 de abril de 2010
    Re: PCP    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 21:26 | Sábado, 10 de abril de 2010
farinha do mesmo saco
komerad (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 1:03 | Domingo, 11 de abril de 2010
O que me causa um certo repudio quando ouço estes dissidentes carpirem as mágoas, é verificar que andaram vinte, trinta anos conluiados com os tiranos e quando lhes toca à porta parecem uns anjinhos, com asas e tudo.
Eu, que fui dirigente sindical em 1975/76, em sindicato filiado na Intersindical, mas fazendo parte de direcção critica da maioria afecta ao PCP, permito-me conhecer quão hipócritas são determinados dirigentes, quando são afastados pelos algozes que eles paparicaram ao longo dos anos. As retaliações impostas pela direcção da Intersindical de então, patrocinando cenas de terror dignas das mais tenebrosas organizações nos plenários onde apareciam os contestatários da maioria, deram aso ao aparecimento da UGT que, pelo que sabemos agora, mais tarde ou mais cedo teria de surgir. Houve muita gente conivente que depois vem sacudir agua do capote... Pelo que se verifica os tempos vão mudando mas o pensamento dominante na cúpula mantem-se: só quem acata religiosamente o que determina a direcção do partido é que pode ser dirigente da Central Sindical
 
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    Re: farinha do mesmo saco    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:05 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
    Re: farinha do mesmo saco    Ver comentário
komerad (seguir utilizador), 1 ponto , 0:01 | Terça feira, 13 de abril de 2010
UM DIA A CASA VEM ABAIXO
Anamanacosta (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Sábado, 10 de abril de 2010
A CGTP não é propriamente uma confederação que prima pela discussão aberta de ideias e pelas decisões por voto secreto. Não é segredo para ninguém e já se viu muitas vezes ao longo dos últimos trinta anos que, quem não está bem, muda-se. O que não muda é as queixas dos dissidentes, que enquanto estiveram na CGTP pactuaram com as suas regras e que quando são afastados é que se apercebem de que uma dessas regras tem a ver com o delito de opinião, regra que o Dr Salazar não teria dúvidas em subscrever.
 
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E no fundo o pensamento move-se...
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 14:41 | Sábado, 10 de abril de 2010
O que move um homem a dar uma entrevista destas a um jornal conotado com o poder económico capitalista? Sendo ele um comunista da velha guarda, sindicalista com experiência e com ideologia assumida mesmo depois de sair da militância, o que está a fazer não é traição a nada, é apenas dar uma arma ao inimigo, que afinal dá muito jeito para criar os mitos. Enfim, pessoas destas existem em todos os partidos, só quem fica a perder é as suas ideologias.
 
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    Re: E no fundo o pensamento move-se...    Ver comentário
nortagus (seguir utilizador), 1 ponto , 18:01 | Sábado, 10 de abril de 2010
    Re: E no fundo o pensamento move-se...    Ver comentário
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 11:08 | Domingo, 11 de abril de 2010
    Re: E no fundo o pensamento move-se...    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:01 | Sábado, 10 de abril de 2010
Entrevista interessante
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 17:07 | Sábado, 10 de abril de 2010
Apesar do esforço visível do entrevistador em tentar "orientar" a entrevista e o entrevistado.
Por ela pode confirmar-se que apesar da corrente maioritária ser afecta ao PCP, existem correntes minoritárias a lutar no grande movimento sindical. Não sei o que realmente se passou com o entrevistado - ele dá a sua versão, muito lacónica ("uma norma que impedia quem tivesse mais de 60 anos de ser eleito dirigente" "Essa norma não existia. Tal como tive a ocasião de dizer nas reuniões em que participei, foi uma norma para vigorar apenas naquele congresso. Disseram que não, mas as evidências estão a demonstrar que foi uma norma pontual, ad hoc, e para mim, e que levou por arrasto mais alguns dirigentes que não tinham cometido delitos de opinião.") mas não adianta excepções posteriores a essa regra. Mais: afirmando-se como um elemento obediente (fala em "disciplina") não consigo compreender porque o teriam de o "afastar".
É sabida a ligação da CGTP com o PCP mas o entrevistado dá vários testemunhos de "independência" no seu seio. E isso alegra-me.
Já aqui vi um comentário a acusá-lo de "traidor" ("não é traição a nada, é apenas dar uma arma ao inimigo" - trigojoia, hoje às 14:41) e acho lamentável. 1.o, porque a CGTP não é um partido, e 2.o, porque dar uma "entrevista destas a um jornal conotado com o poder económico capitalista" não pode/deve servir para fazer do homem uma "bruxa"! O seu comentário presta um melhor serviço ao "poder económico capitalista" do que entrevista dele.
 
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clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:06 | Sábado, 10 de abril de 2010
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Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 0:40 | Domingo, 11 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:09 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 18:03 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 10:31 | Domingo, 11 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 11:53 | Domingo, 11 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:14 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 15:27 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
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Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 18:52 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 23:00 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
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Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 4:35 | Terça feira, 13 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 23:26 | Terça feira, 13 de abril de 2010
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Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 4:10 | Quarta feira, 14 de abril de 2010
    Re: Entrevista interessante    Ver comentário
trigojoia (seguir utilizador), 1 ponto , 21:38 | Quarta feira, 14 de abril de 2010
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Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Quinta feira, 15 de abril de 2010
o comunismo;o xuxialismo;o fascismo;é tudo uma coi
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 0:58 | Domingo, 11 de abril de 2010
O comunismo;o fascismo;o xuxialismo;é tudo a mesm coisa..a merda é a mesma..mas as mosccas são outras..ouviram...?//Tanto comunas;comos xuxialistas;como fascistas;são tudo farinha do mesmo saco..só querem pra eles;e prós amigoa dles;e dos filhos deles;e dos filhos das mulheres deles..ouviram..??cumpts..kantiflas.
 
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    Re: o comunismo;o xuxialismo;o fascismo;é tudo uma    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
AS FLORES TAMBÉM ATIRAM LANÇAS...
Jacinta da Serra (seguir utilizador), 1 ponto , 1:04 | Domingo, 11 de abril de 2010
Felizmente k a consciência se tornou individual.
Felizmente k hoje e agora de deve sentir livre de pensar pela sua própria cabeça.
Conheço o seu testemunho de vida que muitas vezes incomodou alguns, mas sinto orgulho em gente que consegue romper com os medos, a perseguição e tentam respirar fundo.
Que o seu exemplo possa servir para alguns k pelo menos sintam a dúvida, e sobretudo queiram deixar aos seus filhos e amigos a herança de que vale a pena ser honesto.
Mais vale tarde que nunca, muitos tiveram essa coragem e pelos "camaradas" foram apelidados de muitas coisas.
Pena k o Carvalho da Silva ainda acredite (?) e vá ficando, mas pensar a gente k aquele professorzinho K nada vale a não ser tentar meter medo aos professores e à Ministra, e tem subido a escadaria para chegar, onde chegará, se os verdadeiros lutadores e conscenciosos nÃO forem capazes de lhe DIZER NÂO!
K os seus filhos mais pequenos tenham um dia Orguilho no seu pai k acima de tudo é um bom homem e foi um TRABALHADOR
Há Lanças k apenas ervem para proteger as flores k querem germinar e crescer ... Bem haja pela sua coragem, e mesmo com falhas, com momentos de pouca claridade, valeu a pena hoje conhecer a liberdade, da sua consciência e cabe-lhe a tarefa de mostrar aos ingénuos e pobres k caminham enganados ENBENNDEIRANDO EM ARCO, ACREDITANDO NA lIBERDADE K NÃO HÁ, SE NÃO FOREM LIVRES E CONSCIENTES A PENSAR. DE NADA SERVE SE CONTINUARMOS IGNORANTES ESQUECENDO OS DOS BAIRROS .E são TANTOS... ...
 
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    Re: AS FLORES TAMBÉM ATIRAM LANÇAS...    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:18 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
Se o país que paríu o comunismo,já renegou esse si
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Domingo, 11 de abril de 2010
Se o país que paríu o comunismo;já o renegou;o que estão á espera os comunas aí no meu portugal..??/XENTE,FAÇAM AS MALAS;E JÁ NÃO HÁ MAIS LUGAR PARA OS COMUNAS DOMINAREM OS POVOS;E O MUNDO..OUVIRAM COMUNAS DE TODO O MUNDO..??/ESSA DE PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO UNÍ-VOS;JÁ FOI..vÃO CAVAR BATATAS..OUVIRAM..??OS FASCISMOS;TAMBÉM JÁ SE FORAM..E OS COMUNISMOS;JÁ SE FORAM..E OS XUXIALISMOS;TAMBÉM JÉ SE FORAM..VÃO TODOS CAVAR BATATAS..OUVIRAM..?/ATPÉ QUANDO..???CUMPTS..KANTIFLAS.
 
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    Re: Se o país que paríu o comunismo,já renegou ess    Ver comentário
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:02 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
Lança chamas
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 14:24 | Segunda feira, 12 de abril de 2010
É triste assistir a este fim. Talvez ainda vá para Secretário Estado ou para deputado como outros foram. Mais triste ainda ver como Lança esconde o facto de continuar a ocupar um cargo internacional em nome da CGTP. Como esconde que a questão da filiação internacional é uma decisão do Congresso da CGTP e não de um grupinho. Como esconde (aquilo que qualquer um pode ler, como eu fui fazer porque gosto de falar sabendo as coisas) que o PCP não defende nenhuma filiação em qualquer central internacional (ler documentos do ultimo Congresso do PCP). Portanto, Florival quer outra vida, pensa outra coisa, está no seu direito, mas escusa de inventar.
 
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entrevista interessante
komerad (seguir utilizador), 1 ponto , 0:13 | Terça feira, 13 de abril de 2010
o mal daqueles que tendo militancia se tornam fanáticos é que ficam impossibilitados de ouvir criticas, renegando os proprios principios (critica/autocritica). Quando alguém ousa criticar e se faz algum burburinho, logo vêm os seguidores fieis, os guardiões do Big Brother, apelidar os criticos de anti..., traidores, etc., muitas vezes sem rebater as criticas ou procurar saber os seus fundamentos. Enfim não se pretende fazer a defesa de ninguem e a história está recheada de analogias...
 
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