Os futebolistas estrangeiros contratados para jogar em Espanha a partir do próximo dia 1 de Janeiro e que ganhem mais de 600 mil euros/ano, vão ser taxados a 43% em vez dos actuais 24%.
A alteração fiscal decorre de uma normativa acordada entre os grupos parlamentares espanhóis e motivou já uma ameaça de "paragem da competição" da parte da Liga de Futebol Profissional (LPF) espanhola, instituição que convocou para a próxima sexta-feira uma assembleia-geral extraordinária para debater este tema.
A ministra espanhola da Economia, Elena Salgado, esclarece que os futebolistas com contratos em vigor que ganhem mais de 600 mil euros/ano vão manter o actual nível de descontos (24%) durante mais cinco anos e assegura que a nova normativa só se aplicará aos jogadores contratados a partir de 1 de Janeiro de 2010.
Coincidência ou não, recorde-se que o contrato que Cristiano Ronaldo assinou com o Real Madrid termina no final da época 2014/15.
Futebolistas beneficiaram de lei
Para o presidente da LFP, José Luis Astiazarán, esta alteração fiscal para os futebolistas estrangeiros "trará um prejuízo irreparável para o futebol espanhol", prevendo que a Liga perderá potencial e deixará de ser a melhor do mundo, em detrimento de outras".
Elena Salgado contrapõe que esta mudança fiscal não afectará a Liga de futebol espanhola tal como está, admitindo todavia uma quebra no consumo nos canais de televisão pagos, com uma consequente quebra de receitas para os clubes.
A ministra acrescenta que "a Liga continuará a ser estupenda" e defende que os argumentos de quem está contra a alteração cairão através da própria realidade".
Para a ministra, "a situação actual é pouco razoável, já que a arquitectura fiscal que permitiu aos jogadores estrangeiros descontarem apenas 24% não foi desenhada para futebolistas, mas sim para atrair para Espanha cientistas e criadores por um prazo até cinco anos".