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Filmes da década

Os cinéfilos maníacos, como eu, não se podem queixar: foi uma boa década de cinema.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
11:05 Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
20.º: "Mulholland Drive" (2001). Não é o melhor de David Lynch. O seu melhor filme é "Uma História Simples". Mas essa obra de 1999 não é "lynchiana". Aliás, é curioso verificar que Lynch fez o seu melhor filme quando deixou o seu universo habitual. Ora, "Mulholland Drive" é o melhor filme "lynchiano" de David Lynch. É a típica poesia negra de Lynch à solta. Não é para perceber. É para sentir.

19.º: "Munique" (2005). Através da reacção da Mossad aos ataques terroristas dos Jogos Olímpicos de Munique (1972), Spielberg reproduz o velho dilema da mente ocidental: "devo ser fiel à pátria, ou devo ser fiel à minha consciência?". Se formos fiéis à pátria, podemos cair na imoralidade. Se formos fiéis à consciência, podemos trair os "nossos". Um dilema para o qual não é saída. Um dos grandes filmes do pós-11 de Setembro.

18.º: "Inglourious Basterds" (2009). Não sou grande fã dos jogos pós-modernos de Tarantino. Mas ninguém fica indiferente a esta homenagem a um dos maiores cineastas de sempre: Sergio Leone. A soberba primeira sequência do filme é Leone vintage. O resto do filme é muito bom, apresentando um virtuosismo visual com marca registada. Mas fica sempre um sabor a "vazio" nos filmes de Tarantino: são belos, mas falta-lhes "substância" além da própria beleza.

17.º: "O Herói" (2002). Em termos de pura beleza visual, nada se compara a esta obra poética (e ultra romântica) de Yimou Zhang. Os combates voadores de kung-fu deixam-nos maravilhados. "O Herói" é um festim visual, típico nos cineastas asiáticos (filmes como "O Herói" foram sempre uma inspiração para Tarantino). Além disso, este filme mostra como o orgulho nacionalista está de regresso à cultura chinesa.

16.º: "Two Lovers" (2008). O realizador James Gray foi uma das grandes revelações da década. Neste filme, Gray apresenta não um triângulo, mas um quadrado amoroso: há o herói (Joaquin Phoenix, sempre fabuloso), a morena triste (a lindíssima Vinessa Shaw), a loira alegre (Gwyneth Paltrow, sempre chata) e o idiota (Elias Koteas, sempre competente). Qualquer ser humano com mais de dois neurónios já viveu pelo menos num dos vértices deste quadrado amoroso. E mais não digo.

15.º: "Zodiac" (2007). David Fincher fez aqui um filme desconcertante. "Zodiac" mostra a angústia da América dos anos 70, com o fantasma do Watergate, com o fantasma do Vietname, e com a chaga dos serial killers como o "Zodiac Killer". O filme é perturbante, porque mostra como o "mal" pode ficar impune, sobretudo numa sociedade feita de leis e regras. Essas regras existem para limitar a acção da polícia. Sem essas regras, viveríamos num estado policial. Mas, por vezes, essas regras permitem que o "mal" escape. É o preço a pagar pela liberdade. "Zodiac" é o anti-"Dirty Harry".

14.º: "A Guerra dos Mundos" (2005). Quando vi no cinema, não gostei. Não gostei, porque não percebi o filme. Quando revi em DVD, fiquei fascinado. É glorioso vermos um drama familiar a desenrolar-se dentro de um drama planetário. Naquele cenário faraónico, que pedia um "Ben-Hur" galáctico (era isso que queria quando vi no cinema), Spielberg, com uma pincelada íntima, desenha um pai a caminho da redenção. É preciso muita arte para conseguir juntar uma narrativa "espacial" e uma narrativa "pessoal". Entre ETs agressivos e máquinas terríveis, o que interessa é ver aquele pai a proteger os seus filhos.

13.º: "O Acontecimento" (2008). Este filme de terror de M. Night Shyamalan não teve a aceitação merecida. É, de facto, um filme difícil de ver. Na sala, muita gente saiu a meio. Mas "O Acontecimento" vai ser (já é) uma obra de "culto". É o filme sobre as nossas angústias irracionais. As nossas paranóias com a saúde e com o ambiente têm aqui uma súmula perfeita. E o Deus do Velho Testamento parece que está ali ao virar do último frame.

12.º: "A.I." (2001). Contra a pedanteria anti-Spielberg, o dito Spielberg continua a fazer grandes filmes. "A.I" é o filme mais comovente da década. Spielberg fez aqui uma fábula lindíssima, uma espécie de "Pinóquio" num ambiente de ficção científica. É ver, senhores. É ver. Sem preconceitos.

11.º: "In the Mood for Love" (2000). Confesso que tenho que relação de amor/ódio com Wong Kar-Wai: este cineasta asiático filma como ninguém, mas, por vezes, os seus filmes não têm nada lá dentro. Às vezes, os seus filmes são belas correntes de ar. Mas "In the Mood for Love" foge a esse destino. E há argumentos suficientes para considerar este filme o mais belo da década. A fotografia palpável, os enquadramentos sofisticados, o slow motion cirúrgico, tudo concorre para a glória do génio formal de Kar-Wai.


10.º: "Master and Commander" (2003). Mais um grande filme que foi desprezado. É natural: esta obra de Peter Weir não fala dos dilemas dos intelectuais de Nova Iorque ou de Paris. Weir mostra, mais uma vez, que é um dos melhores a fazer reconstituições históricas. Neste filme, vemos as guerras napoleónicas no mar, e vemos ainda a emergência do espírito científico de Darwin. Este cruzamento histórico entre guerra e ciência é feito através da "estória" de amizade entre o capitão guerreiro e o médico cientista. Como é que duas pessoas tão diferentes podem ser amigas?

9.º: "Sinais" (2002). Mel Gibson, como realizador, fez um filme sobre a fé: "Paixão de Cristo" (um filme para um top 50). Mas é aqui, como actor, que Gibson melhor defende a causa da fé. Mais uma vez, uma invasão de ETs é o pretexto para uma reflexão pessoal. Em "Guerra dos Mundos", Spielberg aborda a redenção familiar. Em "Sinais", Shyamalan retrata um homem a reencontrar-se com a sua fé. Num mundo de Deus, não existem coincidências. O universo de Shyamalan é fascinante, porque este jovem realizador é um artista da fé e das crenças. Steiner deve gostar de Shyamalan.

8.º: "Haverá Sangue" (2007). Paul Thomas Anderson confirma-se como o maior cineasta americano da sua geração. Depois do épico intimista ("Magnólia", 1999), Anderson deixa aqui um épico tout court sobre a história americana do início do século XX. O historiador americano Walter Russell Mead escreveu um livro intitulado "God and Gold". E, de facto, Deus e a ambição capitalista definem bem a América. Ora, este filme retrata o embate entre os extremos dessas duas pulsões americanas: a ambição desmedida de um materialista (Daniel Day Lewis) versus a ambição desmedida de um demagogo religioso (Paul Dano, um "Day Lewis" em potência). "Haverá Sangue" é uma obra sobre o poder imenso do ódio. Lewis e Dano personificam o poder de fogo do ódio.

7.º: "Uma História de Violência" (2005). O melhor filme de David Cronenberg. Tal como David Lynch, Cronenberg fez o seu melhor filme quando saiu do seu habitual ambiente. Não vale a pena falar do enredo; mas vale a pena falar da "substância". Se "Haverá Sangue" é sobre o poder do ódio, "Uma História de Violência" é sobre o poder da redenção. Se Day Lewis personifica o ressentimento, Viggo Mortensen personifica aqui o desejo da redenção. E só há uma coisa mais poderosa do que um homem cheio de ódio, a saber: um homem na busca da sua redenção. Com este filme, Viggo Mortensen entra para a lenda. E não será exagerado dizer que Mortensen foi o grande actor da década.

6.º: "Inimigos Públicos" (2009). Michael Mann volta a reacender a chama do mestre Sam Peckinpah. E "Inimigos Públicos" é mais um grande filme a sair da parceria entre Michael Mann, realizador, e Dante Spinotti, director de fotografia. Dizer que Mann é um clássico e um duro é ficar pela metade. Sim, Mann é um clássico na narrativa e nos temas. Porém, através da câmara digital de Spinotti, Mann está a revolucionar a beleza plástica do cinema. Sim, Mann faz violentos westerns urbanos, mas no substrato dessa violência encontramos sempre um trágico romantismo. É obrigatório sentir uma lágrima a querer sair no final de "Inimigos Públicos".

5.º: "Nós Controlamos a Noite" (2007). "Abel e Caim" não veio do nada. Se o meu caro leitor tem um irmão, sabe bem do que estou a falar. É fácil dizer "gosto de ti, mana". Mas já não é assim com o mano. "Abel e Caim" não veio do nada. Um dos grandes filmes da década, "Nós Controlamos a Noite", aborda este amor de mau feitio que une dois irmãos. E o filme até nos oferece uma saída para esta Guerra-fria fraternal: o realizador, James Gray, colocou "Abel e Caim" de pernas para o ar. Nunca o desrespeito pelo argumento bíblico foi tão poderoso.


4.º: "Collateral" (2004). O universo de Michael Mann faz tangentes ao universo de Rubem Fonseca. Tal como o escritor brasileiro, Mann é um "biógrafo" das nossas cidades. Mann filma a violência, o crime, e, acima de tudo, a solidão das cidades pós-modernas. A solidão é tão grande que acaba por gerar indiferença. Um homem pode morrer no metro, que ninguém dá por isso.

3.º: "Cartas de Iwo Jima" (2006). Clint Eastwood filma a batalha de Iwo Jima a partir do ponto de vista japonês, com actores japoneses, com diálogos em japonês. Ao longo do filme, vemos a batalha através dos olhos do general mais poderoso (o portentoso Ken Watanabe) e através dos olhos do soldado mais humilde (Kazunami Ninomiya). O Japão inteiro chorou a ver este filme. Percebo os japoneses.

2.º: "25th Hour" (2002). Quando esquece o seu racismo invertido, Spike Lee é um dos maiores. "Última Hora" (título português) é o grande filme sobre a América pós-11 de Setembro. O famoso monólogo de Edward Norton é duplamente fabuloso. É fabuloso, porque vemos um dos melhores actores a todo o gás. É fabuloso, porque aquele monólogo representa um país inteiro, um país a expiar todos os seus pecados na hora da grande provação.

1.º: "Mystic River" (2003). Nesta década, Eastwood foi possuído pelo génio do mestre John Ford. Por isso, aceitar-se-ia que o top 5 fosse ocupado somente por filmes de Clint Eastwood: "Cartas de Iwo Jima", "A Troca", "Million Dollar Baby", "Gran Torino" e este "Mystic River". Neste filme, a sequência final é de antologia: Sean Penn chega a casa, coberto de pecado e morte; Laura Linney, a sua mulher, abraça-o, e com esse abraço enterra bem fundo o pecado do marido. Um filme que não apetece rever: é demasiado duro. Há um antes e um depois de "Mystic River". Para Clint Eastwood, e para nós.

 

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Eastwood
JCCC (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 14:27 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
Não vi todos os filmes enunciados, mas daqueles que vi e constam na lista, colocava em 1º lugar o "Cartas de Iwo Jima".
Clint Eastwood é realmente um dos maiores na realização. Como actor, e enquanto não protagonizou os seus próprios filmes, teve, na minha opinião, poucos desempenhos brilhantes. Poucos acreditariam que este actor viria a introduzir um estilo tão vincado na realização.
Concordo em absoluto que "Mystic River" não se quer ver uma 2ª vez. É demasiado duro e injusto. Nos filmes de Eastwood ninguém se consegue preparar para as emoções que vai sentir, nestes, niguém "vive feliz para sempre". Os seus enredos não obedecem a princípios de justiça ou humanidade, retractam apenas a realidade.
Voltando ao "Cartas de Iwo Jima", quando comecei a ver o filme receei que com os diálogos em japonês e com o tema "2ª Grande Guerra" (está bem provado que ainda há margem para o tema) viesse a ficar desiludido. Esse receio desapareceu rápidamente assim que entrei naquela espiral de dramas pessoais tão fortes como o dilema entre honra, dever e apego a valores familiares.
Este filme prova, como poucos o fazem, que as guerras não se reduzem aos bons e aos maus.
 
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    Re: Eastwood    Ver comentário
mgalrinho (seguir utilizador), 1 ponto , 19:14 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
    Re: Eastwood    Ver comentário
JCCC (seguir utilizador), 1 ponto , 15:22 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
Décadas e séculos
agentraf (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 16:46 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
Caros,

1. É do conhecimento geral que o século XXI começou a 1 de Jan de 2001;

2. É do senso comum que década é composta por 10 anos;

3. É menos sensato inferir que, pelo Henrique Raposo considerar que 2010 pertence à década 2010-2019, isso implica que considere que o século XXI tenha começado em 1/1/2000 (embora não esteja certo não ser dessa opinião, para o caso não interessa);

4. Caros, pelo facto de uma década serem 10 anos, o que me impede de considerar a década 1985-1994?

5. Além disso, reconheçamos que tem consistido em convenção corrente, ao nos referirmos, p.ex. à passada década de 20, quando falamos dos anos 20, não incluirmos 1930, mas sim 1920, i.e., 1920-1929, sem que os séculos sejam para aqui chamados;

6. Assim, proponho que aceitem que o Henrique possa reger-se por esta convenção, ainda que com ela não concordem (não custa muito, pois não?);

7. E, já agora, poderiam aproveitar melhor o vosso tempo -- e o dos restantes leitores -- escrevendo sobre filmes, que é o que neste tópico realmente trata.
 
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    Re: Décadas e séculos    Ver comentário
tiago_1979 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:06 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
    Re: Décadas e séculos    Ver comentário
tiago_1979 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:11 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
    Re: Da escrita dos números naturais!...    Ver comentário
enigmático51 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:13 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Fim da década??????????????
lavrador velho (seguir utilizador), 1 ponto , 12:36 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
Oh Sr. Raposo:-o ano que entra amanhã não pertence a esta decada'
O ilustre(?) comentador, não sabe que ainda tem mais um ano," NA 1ª DECADA DO SÉCULO".
Não se pode saber tudo,não é?
 
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    Re: Fim da década??????????????    Ver comentário
tiago_1979 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:07 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
    Re: Fim da década??????????????    Ver comentário
tiago_1979 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:19 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
    Re: Século xx acabou duas vezes!!!!!!!!!!!!!!!!!!    Ver comentário
limpeza dos dias (seguir utilizador), 1 ponto , 18:14 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
Parabéns!
mgalrinho (seguir utilizador), 1 ponto , 13:50 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
Caro Henrique Raposo,

Apetece-me aplaudir o seu gosto cinematográfico. Não gosta só do popularucho, nem adopta a posição contrária de gostar só de filmes obscuros que ninguém vê. Sem ser Master and Commander, Zodiac e Public Enemies (para mim filmes menores dos respectivos realizadores que admiro bastante), e In the Mood for Love (a minha relação com Wong Kar-Wai e mais de ódio/ódio), a sua lista é extraordinária. Spielberg, Eastwood, Cronenberg (embora considere o Eastern Promises superior ao History of Violence), James Gray, M. Night Shyamalan (embora eu tenha ficado ligeiramente desiludido com o The Happening, prefiro o The Village)... Só realizadores que de facto têm uma qualidade impressionante. E concordo com o que disse sobre Tarantino, sobre "Herói" (essa obra-prima do cinema chinês) e sobre War of the Worlds (pouca gente conseguiu ver o filme nesse sentido).
 
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comercial
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 14:36 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
!?
O articulista deveria expilicitar que a lista se refere ao cinema comercial.
 
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Uma década
joe.zigoto (seguir utilizador), 1 ponto , 16:18 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
Uma década são 10:
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10.
2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010.
O Henrique Raposo não sabe contar até 10. O Henrique Raposo precisa de voltar à escolinha ou pedir um Magalhães emprestado.
 
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Teimoso que nem um burro
joe.zigoto (seguir utilizador), 1 ponto , 16:26 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
O Henrique Raposo, sempre tão sabichão, insiste em considerar o ano 2000 como pertencente à década em que vivemos. Mas está errado, como lhe tem sido dito na caixa de comentários do jornal. No entanto insiste na asneira, como só o fazem as mulas e os burros, não percebendo que é motivo de gozo quer por parte dos leitores quer por parte dos camaradas de redacção que tiveram em tempos um bom professor de Matemática. Ó Henrique, e se descesse do seu pedestal arrogante (depois o Sócrates é que é...) e fosse perguntar a quem sabe?
 
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Na minha lista...
Azur (seguir utilizador), 1 ponto , 17:30 | Quinta feira, 31 de dezembro de 2009
Não sou cinéfila, mas na minha lista constaria sem dúvida:

- O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei
- A Queda: Hitler e o fim do Terceiro Reich
- Dogville
 
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Cinéfilus americanus fanaticus ...and pipocas!
impertinente (seguir utilizador), 1 ponto , 15:35 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
Depois de ler esta lista compreende-se que o cinema é uma das mais poderosas armas com que os EUA dominam o mundo, digo, as mentes das pessoas, as suas consciências, os seus gostos.
Os filmes escolhidos e os comentários revelam exuberantemente uma submissão interiorizada a estéticas e temáticas muito bem determinadas. E, o que talvez seja pior, uma inconsciência da existência de ( ou a mera a possibilidade de conceber) outras...
A história do cinema de há 50 anos para cá foi a imposição do cinema comercial americano sobre todas as cinematografias, nomeadamente as europeias, quase completamente arruinadas,como se sabe. Pessoas jovens como HR não imaginam, não concebem, não podem sequer conceber, senão esta forma cinematográfica. O seu gosto está formatado de modo que rejeita como indigno ou menor o que estética e tematicamente é diferente.
Em 10 anos a França não produziu um único filme digno de menção? A Itália também não ? Nem a Alemanha? E a ainda grande cinematografia indiana, nada? E chineses só houve 1?E, ao menos por patriotismo, nem 1 filme português para amostra?
Por estas e por outras é que passo meses sem ir ao cinema...que é agora quase só um sítio onde as pessoas vão comer pipocas.
 
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Grelos de nabo,linguas de bacalhau e um bom azeite
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 16:37 | Sexta feira, 1 de janeiro de 2010
O articulista anda a precisar é de uns grelos de nabo com linguas de bacalhau e um bom azeite para refinar a crítica.
 
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Décadas, Séculos, Milénios!...
enigmático51 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:23 | Sábado, 2 de janeiro de 2010

É natural esta confusão de dizer que acabou a 1.ª década do séc. xxi já que o ERRO vem de trás.

Para muita comunicação social, inclusive (julgo) revista Times, o 3.º milénio teria começado em 01JAN2000, o que implicaria que o 2.º tivesse acabado e 31DEZ1999, tendo este por tal começado a 01JAN1000. Tal implicaria que o 1.º milénio tivesse acabado a 31DEZ999 o que manifestamente contradiz o conceito de milénio (1000 anos).

Assim respeitando o conceito de década (dezena de anos) a primeira começa obviamente no dia 01JAN0001 (começo da era) e acaba a 31DEZ0010. O séc. acaba a 31DEZ0100, começando o 2.º séc. a 01JAN00101. E assim sucessivamente até ao fim do 1.º milénio que se verifica a 31DEZ1000, começando 2.º milénio a 01JAN1001 acabando a 31DEZ2000.

O 3.º milénio, o actual, começou a 01JAN2001 e por tal a primeira década deste séc. só acabará este ano a 31DEZ2010.

Uma translação da terra dura 365d e 6h o que implica que de 4 em 4 anos o ano seja bissexto, tenha mais um dia. Mas isto nem sempre se soube e aplicou desde o começo da nossa era pelo que no passado houve que fazer acertos. Se fizessemos agora acertos astronómicos e concluíssemos (muito provavelmente) que este não é o dia e o ano que hoje marcamos, em função do movimento de translação da Terra e do nascimento de Jesus Cristo, a resposta lógica é sempre a mesma, o que se refere no 3.º parágrafo.

Respeitar-se o princípio da não contradição. Se uma dezena são 10, necessariamente a 2.ª começa em 11.
 
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Da escrita dos numerais naturais, mais o 0.
enigmático51 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:34 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Para reforçar o que disse há pouco em “Décadas, Séculos, Milénios”, enfatizo que para não haver tanta confusão bastava respeitar-se o “princípio da não contradição”.

Se uma dezena são 10, necessariamente a segunda dezena começa em 11.

Ora uma década é uma dezena de anos completos!

No final deste ano completaremos a década 201 da era cristã, ou seja a primeira do terceiro milénio que começou a 01JAN2001, tendo o 2.º começado a 01JAN1001, porque obviamente o primeiro milénio acabou a 31DEZ1000.

Claro que pela lógica que usam, os que aqui têm opinião diferente, o primeiro milénio teria de acabar um ano atrás ou seja a 31DEZ999, manifesta contradição com conceito de milhar e milénio.

Mas interessante será explicar porquê tanta confusão!...

Na minha teoria tem muito a ver como escrevíamos, em coluna, os números naturais mais o zero, no primário.

Era assim (como não consigo aqui reproduzir colunas, fica em linha, espero entendam...):

0,1,2,3,4,5,6,7,8,9 – 10,11, … (…) 2000.

Se marcássemos bem a diferença de N para No seria:

0 – 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10 – 11,12, … (…) 2001.
 
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