A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, contrariou hoje o presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro
, dizendo que a venda da rede fixa foi decidida pelo Governo socialista de António Guterres.
Em declarações publicadas na edição de hoje do jornal i, Henrique Granadeiro afirma que "ainda está na memória de toda a gente a venda pelo Estado à PT da rede fixa como forma de conter o défice público nos limites impostos por Bruxelas, sendo Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças".
"Isso não é verdade, pela simples razão de que o negócio da venda da rede fixa estava feito pelo PS quando eu cheguei ao Ministério das Finanças", contrapôs Manuela Ferreira Leite, em declarações aos jornalistas, num hotel de Lisboa onde decorreu uma reunião do Fórum Portugal de Verdade do PSD.
"A decisão política dessa matéria não é minha, a decisão política é do Governo socialista do engenheiro Guterres. Portanto, quando eu cheguei ao Ministério das Finanças a decisão política estava tomada", acrescentou a presidente do PSD.
PSD "fez mal" se tentou influenciar linhas editoriais
Ferreira Leite disse ainda não se lembrar de alguma vez ter pressionado quem quer que fosse e considerou que, se o seu partido tentou influenciar linhas editoriais, "fez mal".
"Já parecem esquecidas as tentativas de intervenção do governo do PSD na Lusomundo Media, que levaram à minha demissão", observou Henrique Granadeiro, citado pelo jornal i, referindo-se à sua saída, em 2004, da presidência executiva da empresa do grupo PT que agrupava os meios de comunicação TSF, DN, JN, 24horas e Tal&Qual.
Questionada pelos jornalistas sobre as declarações de Henrique Grandeiro, a presidente do PSD disse não saber a que se referia o presidente da PT.
"Nunca me lembro de algum dia na vida ter feito pressões sobre quem fosse. Como nunca me submeti a pressões, tenho muita dificuldade em entender isso, porque quando nós somos submetidos a pressões com as quais não concordamos, então não executamos aquilo para que nos estão a pressionar", afirmou.
Interrogada sobre eventuais tentativas por parte do PSD de influenciar as linhas editoriais de jornais do grupo Lusomundo, Manuela Ferreira Leite considerou que, "se o PSD fez isso, só tem de considerar que fez mal".
"Não é pelo facto de um dia nós termos feito alguma coisa mal que eu posso deixar de criticar outra coisa que é também feita mal. Se fez, fez mal, não devia ter feito", completou.
Instada a atribuir uma explicação para estas declarações de Henrique Granadeiro, a presidente do PSD respondeu: "Não sei. Como não li tenho imensa dificuldade em estar a fazer uma afirmação sobre um aspecto que não li". O presidente do conselho de administração da PT manifestou-se "muito surpreendido com as duas intervenções da senhora presidente do PSD" sobre a intenção de compra pela PT de parte da Media Capital
e acusou-a de pôr "em causa o interesse de um negócio que não se fez e cujos termos não conhecia".
Manuela Ferreira Leite contrapôs que nunca criticou o negócio e que o que fez foi lançar "alguma suspeita sobre qual é que era efectivamente o objectivo do negócio" motivada pelo facto de "o primeiro-ministro ter negado o seu conhecimento".
"O primeiro-ministro conhecia o negócio e disse que não conhecia. E isso, evidentemente, foi o que lançou as suspeitas", acrescentou, considerando que a conclusão do processo lhe deu razão.
"A despeito de o presidente da PT ter vindo dizer e fundamentar que o negócio era muito bom para a PT, o primeiro-ministro não permitiu que ele fosse adiante. Portanto, eu acho que o primeiro-ministro nunca poderia ter utilizado uma golden share para vetar alguma coisa muito bom para uma empresa. Há aqui alguma coisa que dá razão às dúvidas que tive", considerou.