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Feliz década nova

João Duque* (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 2 de janeiro de 2010

Há uma mania, errada, de considerar que as décadas se iniciam no dia 1 de Janeiro de um ano de último dígito 0. Ah, porque é que é errado? Porque não havendo ano zero, a primeira década terá começado no dia 1 de Janeiro do ano 1 e acabado no dia 31 de Dezembro do ano 10. E por aí adiante... Mas porque todos insistem nessa ideia, desisto, e vou eu próprio alimentá-la falando da nova década.

Sabemos como Portugal está. Se todos percebemos, se tivéssemos juízo, ou nos íamos embora deixando o país só, com as suas dívidas para que os credores o viessem pilhar levando o que entendessem, ou atacávamos os problemas de frente e tomávamos decisões corajosas: baixávamos salários (como os irlandeses), aumentávamos impostos (como os gregos), atrasávamos a data para a reforma ou reduzíamos o seu valor (ou ambas as coisas - como os britânicos), reduzíamos os benefícios de ordem social, etc., etc., etc. Mas isso ninguém quer e por isso ninguém vai ter coragem de fazer nem de propor em eleições que queira seriamente vencer...

Também podemos tirar dos dedos os últimos anéis e vendê-los: as reservas de ouro do Banco de Portugal (se o BCE nos deixasse), as últimas participações financeiras nas empresas já privatizadas, privatizávamos os últimos redutos (CGD, ANA...) os solos públicos, as Berlengas, a Ilha de Faro, as praias... Claro que isso também ninguém quer.

Mas a minha ideia é que ainda vão surgir algumas "tábuas de salvação", não porque façamos alguma coisa por isso, mas porque alguns o irão fazer. Explico.

O que é que fizemos nós para termos o direito a vender o espectro de emissões de rádio, de televisão, etc? Nada. A canseira de investir, estudar e descobrir, produzir equipamentos e vendê-los foi feito pelos outros, mas logo o nosso Estado vem e diz: "se querem emitir aqui, têm de se licenciar, uma vez que o 'espaço hertziano' é público"!

Por isso, uma boa saída para a amortização de alguma desta dívida brutal que amontoámos poderá estar nos mercados que estão para nascer e que nem sonhamos. Alguém pensaria há 100 anos que se poderia retalhar o 'espaço' dos domínios da net? Ou retalhar o 'espaço' de frequências de telemóveis? Pois eu estou convencido de que dentro de 10 anos, dada a velocidade de desenvolvimento tecnológico, novos 'espaços' se desdobrarão à frente do Estado português para a partir daí se atarefar na venda, por grosso ou a retalho, desses 'espaços' que hoje ainda não sou capaz de dizer quais são, mas estou seguro de que eles vão aparecer... E agora o mais bonito, não teremos de mexer uma palha. 'Eles' vão trazer-nos de bandeja o que nós queremos: 'espaços' para venda...

A questão está em saber se terão valor e se conseguimos sobreviver para lá chegar. A crise grega vai atirar-nos rapidamente para a fogueira do escrutínio apurado dos mercados de dívida e ou o novo Orçamento traz medidas draconianas ou vamos fazer companhia aos gregos, mas não é na final do Europeu...

*Professor Catedrático do ISEG

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QUERO UM 2010 MELHOR
sara09 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 10:25 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Caro Prof.João Duque

Eu também quero um 2010 à altura dos nossos melhores anseios, quero que o mundo avance, que Portugal seja enérgico e dê sossego aos cidadãos.

Quero acreditar que os políticos portugueses são capazes de por à frente o País ...em vez do partido, a humildade democrática em vez dos rancores, encontrando plataformas de entendimento, para que Portugal e os seus cidadadãos, cansados "de guerras politiqueiras" possam encontrar o seu caminho.

Não sei se "esta gente" será sensata e corajosa, ao ponto de tomar as medidas de conteção e sacrificio que a situação das finanças públicas exige...

Quero acreditar que disposmos de recursos económicos para atrair novos investidores, criar emprego, ter espírito de iniciativa.

Quero que neste ano o" emperrado" sistema judicial seja capaz de ser menos lento e que os agentes do sistema judicial são pessoas isentas e racionais, sejam capazes de proferir sentenças justas em vez de esgotarem as suas energias em guerras políticas...

Quero o fim da burocracia, do imobilismo.... porque ou conseguimos de facto arrancar de vez desta "pasmaceira", ou na verdade caminhamos ... a passoa largos para fazer companhia à Grécia.... ou iremos afundar-nos. E... não creio que a "Arca de Noe"... dos nossos dias consiga salvar um exemplar de cada espécie... é que seria difícil seleccioná-las de tão disfarçadas que andam.

Claro que também nós temos que fazer a nossa parte e não esperar sentados... não há milagres.

Sara
 
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Feliz década nova
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:31 | Domingo, 3 de janeiro de 2010
Eu pessoalmente depois de ter ído perguntar ao alentejano o que é que ele faria no caso de ser Primeiro Ministro fiquei descansado. Comecei por lhe dar as boas tardes a ele e a todo o grupo que se encontrava sentado à sombra do chaparro e depois de dez minutos a meia hora todos me responderam. Pensaram, pensaram, afastaram a boina por diversas vezes, coçaram a cabeça, outras tantas e três quartos de hora depois chegou a primeira opinião. Dizia então aquele que me pareceu ser o mais activo e expedito do grupo, uma espécie de Líder à maneira alentejana. Cá pra mim começava por vender a Madeira para pagar essa coisa do défice. Tentei argumentar contra, mas desta vez respondeu mais rápido que também vendia o Jardim. Todos os presentes concordaram acenando a cabeça. Nisto levanta-se e vagarosamente pergunta-me:- Mas não é por causa dele essa coisa do défice? Sabe o que nos dava mesmo jeito era o comboio mais rápido có vento, é que faz cá muito calor.
 
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sou a rosa e estou com muito medo
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 1 ponto , 13:46 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
O senhor duque sem mais nada sim porque os outros são sempre duques de qualquer coisa escreveu uma coisa que me deixou cheia de medo e que é as pessoas fugirem do país e como isso já me sucedeu em casa de uns patrões que fugiram sem me pagarem e eles viviam muito bem até desaparecerem e tinham sempre carros novos e daqueles que o senhor duque sabe quais e obras lá em casa eram constantes e a mudança de carpetes era todos os anos e até pensaram em construir no terraço uma coisa para aterrarem helicópteros e diziam que se não tivessem essas coisas o que diriam os amigos ricos do estrangeiro e a única que discutia era a minha patroa que estava sempre a falar que não podiam pedir mais dinheiro ao banco e que o ouro que a mãe lhe tinha deixado também já estava no prego mas o patrão e os filhos diziam que quem mandava eram eles e que ela não passava de uma bruxa velha mas senhor duque sem mais nada eu estou a escrever isto tudo só para saber se todos fugirem do país quem é que me paga os ordenados em atraso e é só esse o meu medo e desculpe este meu desabafo
 
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É possivel que sim , mas devemos tambem ajudar
jocatigre (seguir utilizador), 1 ponto , 21:54 | Sábado, 2 de janeiro de 2010
Pode ser que os novos mercados nos ajudem a pagar a divida , pode ser que até tenhamos muita sorte , pode ser que até continuem a ter pena de nós mas porque não se tomam as medidas necessarias , temos tambem que fazer o trabalho de casa , não podemos nem devemos baixar os ordenados de quem produz mas secalhar de quem não produz sim , temos que impor objectivos e atingilos , gratificar quem é produtivo penalizar quem não é , deixar de dar e ensinar a conquistar , não tirar a quem produz para dar aos inuteis aos que se habituaram a viver á conta dos outros , haja justiça e tenho a certeza que rapidamente atingiremos os niveis de produtividade de outros .
  Há e já agora que seja rápido é que noto que os poucos que vão trabalhando e pagando impostos do que produzem estão a ficar fartos e imaginem que desistem e fazem o mesmo que os espertos.
HAJA JUSTIÇA
 
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Presisamos é propostas viaveis e não de lamurias
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 12:30 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
Já tenho uma idade, para fazer uma análise histórica de muitas décadas.

Reconheço que a situação actual do país está longe de ser risonha, mas não acredito que seja com a choraminguisse habitual da desgraça dos portugueses, que saímos da crise de que todo o mundo se queixa.

As lamurias não pagam dívidas, não aumentam a produtividade, não ajudam a criar novos postos de trabalho, o que causa é medo, desconfiança, receios do amanhã, criando uma falta de confiança em toda a população.

Os empresários com esta crise que os economistas só fazem por empolar, retraem-se e não investem, os que são abastados e dispõem de grandes riquezas, ou vão para o estrangeiro guardar/depositar por lá as suas fortunas nos “offshores” aguardando melhores dias ou já não voltam.

Se os quem ainda ouvem os economistas lhes dessem a credibilidade que de facto merecem nas suas sistemáticas falhadas previsões, a confiança dos mercados certamente subiria e os negócios criavam outra dinâmica, que agora não tem por via da desconfiança instalada.

O cepticismo ancestral da grande maioria dos economistas, sempre foi ao longo da história, a sua imagem de marca, nas intervenções de ordem política.

Quando um economista é consequente e acerta nas suas previsões com alguma frequência, é logo galardoado com todo o tipo de prémios, que estão já com bolor, à espera que aparece alguém com um mínimo de mérito para os receber.

Deles o que se espera são propostas positivas, para alavancar a economia.
 
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O que diz hoje O Prémio Nobel dos Economistas
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 18:04 | Segunda feira, 4 de janeiro de 2010
Caro João Duque e aos Economistas deste país

Por mero acaso, depois de almoço fui como é habito beber o café à Casa do Povo e li o "jornal" disponível cá da terra que citava:

Na página 23, de hoje 4.1.10 no Correio da Manhã, o seguinte, escrito e dito por Joseph Stiglitz - Prémio Nobel da Economia:

"OS ECONOMISTAS DEVEM SER INCLUÍDOS NA LISTA
  DOS QUE SÃO CULPADOS DA CRISE".

O que confirma na integra o que está subjacente no conceito que eu expresso, no meu comentário anterior desta crónica, em relação ao geral dos economistas.

Os economistas estão para as suas opções e previsões económicas futuras, quanto eu e qualquer jogador, nas escolhas, assiná-los os números a premiar, no jogo do Euromilhões.

Mas dizer mal, ser pessimista de tudo o que é passado, são excelentes comentadores da maledicência, da desgraça e da sua visão de miséria concertada, com as políticas que defendem, mas para as quais são incapazes de propor remédios, que ponham termo à doença.
 
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Aonde Pára o Altruismo da Administração Pública?
Prof. J. M. Dos Sant (seguir utilizador), 1 ponto , 9:24 | Domingo, 10 de janeiro de 2010
Pergunte-se a Paul Krugman o que pensaria sobre o caso de despesimo na administração pública em Portugal e, certamente, que ele não deixaria de referir esses mesmos exemplos que citou.

Assim sendo, por exemplo, porque não seguir o NOTÁVEL exemplo da República da Irlanda?

Ah, mas custa assim tanto ser altruista para com a Pátria? Oh, mas, afinal, onde estão os patriotas? Oh que diabo, que maçada! Hélas, Portugal!

Por um lado, o problema do déficit público DEVERIA TER SIDO E DEVERIA SER sistematicamente combatido não à custa de QUALQUER EXTORSÂO DIRIGIDA À BOLSA DO CIDADÃO E/OU CONTRIBUINTE (PAGADOR DE IMPOSTOS,) mas à custa da EXTERMINAÇÃO DO DESPESISMO E DA CLEPTOCRACIA NO SECTOR DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA -- porque não criar um Plano Poupança Simplex (PPS) para os funcionários públicos?

Por outro lado, parece-me que tem pairado alguma CONFUSÃO no que se refere ao uso e à interpretação dos termos e conceitos "DÍVIDA PÚBLICA" e "DÍVIDA EXTERNA":

Com efeito, no caso de Portugal, as estatísticas de 2008 apontam para (i) um valor estimado de dívida pública de 66.40% -- claramente abaixo do valor homólogo em França (68.10%) e ligeiramente acima do respectivo valor na Alemanha (66.00%) --, e que é bem diferente do nível da Grécia (97.40%) ou, mesmo, do registado na Bélgica (89.60%) e (ii) um valor estimado de dívida externa de €330,904,690,000 (valor estimado de PIB (GDP) de €166,988,420,000) -- claramente abaixo do valor homólogo na Grécia (...)
 
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    Ó Duque, sabias que 'Belén' é sinónimo de...    Ver comentário
abogado_del_diablo (seguir utilizador), 1 ponto , 14:50 | Segunda feira, 11 de janeiro de 2010
Aonde Pára o Altruismo da Administração Pública?
Prof. J. M. Dos Sant (seguir utilizador), 1 ponto , 10:11 | Domingo, 10 de janeiro de 2010
(...) (€344,490,420,000) -- cujo valor estimado de PIB (GDP) é de €234,712,260,000 -- e claramente acima do respectivo na Finlândia (€231,776,650,000) -- valor estimadoi de PIB (GDP) de €132,443,800,000 --, o que por si só permitiriam descrever teoricamente um enquadramento global não-pessimista ou menos pessimista.

Em suma, e para concluir, parece-me que a dívida pública e a dívida externa podem ser bem controladas, desde que se proceda à EXTERMINAÇÃO do despesismo e cleptocracia do sector Estado, porque, em verdade, em verdade, só de pensar no que tem sido a política fiscal portuguesa durante as últimas três (3) décadas em termos de justiça tributária, ó meus amigos...

Regards,

JMS
 
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