O Expresso, expressamente e bem, perguntava se se devia distribuir preservativos nas escolas. Não respondi logo ao inquérito. Mas, como diz o povo carente, mais vale à tarde do que nunca.
Aqui, à tarde e a más horas, opino. O pino recomenda-se na premente questão educativa nacional do preservativo.
Defendo o preservativo na escola. Um preservativo manuseável, forte, inviolável. Se o não for, pode levantar-se o problema da violação.
Mas um programa que se limite a distribuir preservativos parece-me curto. O Estado deve abrir os cordões à bolsa e distribuir também cremes, artefactos diversos, dispositivos intra-uterinos, pílula do dia seguinte, etc.
Acho bem que o Estado, através do Ministério da Educação, se preocupe com a Estimulação, perdão, com a Educação. Sexual, à falta de melhor. Que o Estado estimule o que puder, é seu dever. E pode quem pode. O Estado português pode muito.
Com as devidas precauções (e mais vale prevenir do que remendar, já que a recauchutagem dum preservativo é cara), concordo plenamente que o Estado se introduza em tudo o que diga respeito ao indivíduo. Que se substitua à família, que tem mais jeito para a procriação do que para a contracepção.
Por isso, vejo com bons olhos que o Estado meta a mãozinha no preservativo. Que o infle num sopro rápido, de plenos pulmões. Que o aplique correctamente no falo de todo o estudante. E não falo apenas do falo, porque o preservativo feminino, embora menos falado, também não deve ser discriminado.
E é bom que o Estado se despache. Quanto mais tarde pior. O ideal é mesmo a aplicação precoce. No caso do preservativo masculino, atendendo a que até as crianças de tenra idade podem ter erecção, não vejo inconveniente em que sejam distribuídos pelos jardins-de-infância e pelas escolas de primeiro ciclo; no caso do preservativo feminino não vejo tanta necessidade na distribuição de tamanhos S, uma vez que as raparigas praticamente não têm ciclo antes do segundo ciclo.
O Ministério já tem o Bloco de Esquerda à perna porque na escola de segundo e terceiro ciclo José Maria dos Santos, em Pinhal Novo, foram proibidas mini-saias e decotes, coisa que o Bloco, e bem, considera "um inusitado atentado à liberdade individual". Imaginem o que o Bloco pensará se não forem atempadamente distribuídos preservativos nas escolas! Portugal será inquestionavelmente um Estado totalitário.
Não vale a pena sujeitar o País a tão vil anátema. Distribuam-se já os preservativos. Com regras. Mas não os lancem a eito, caídos do céu. Corre-se o risco de errarem o alvo.