23/02/2012 atualizado às 3:54
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Facebook is watching you

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 7 de dezembro de 2011

Max Schrems é um estudante de direito, austríaco, de 24 anos. Por curiosidade, fez o que a nenhum de nós ocorreu: quis saber que informações tinha a empresa Facebook sobre ele, mesmo depois de ter deixado de ser membro daquela rede social. Ou seja, depois de sair da rede, o que lá tinha ficado.

Os seus piores receios foram largamente ultrapassados pela realidade: estava lá tudo. Depois de muitas pressões e ameaças recebeu, talvez por desleixo, diretamente da Califórnia, um CD com toda as informações que a empresa mantinha: 1.200 páginas (quando impressas) de dados pessoais, divididos por 57 categorias, recolhidos ao longo dos três anos em que esteve na rede. Como o próprio recorda, nem a CIA ou o KGB alguma vez tiveram tanta informação sobre um cidadão comum.

Até mensagens trocadas com outros utilizadores, que ele entretanto apagara e julgava terem desaparecido, lá estavam, guardadas na base de dados da empresa. É como se um Estado abrisse toda a correspondência dos seus cidadãos e fosse guardando todas as informações. Tudo, desde que alguma vez tenha sido referido (em público ou em mensagens privadas), podia ser encontrado. Desde a orientação sexual à participação em manifestações políticas. Basta procurar através de palavras-chave. Multipliquem isto por 800 milhões de utilizadores em todo o Mundo. E lembrem-se que a timeline recentemente criada por Zuckerberg reduziu ainda mais a privacidade destas pessoas.

É claro que tudo isto viola as leis europeias para bases de dados. Não seria um problema para a empresa, já que as leis americanas dão menos garantias na defesa do direito à privacidade dos cidadãos. Acontece que o Facebook tem, provavelmente para fugir aos impostos (que na Irlanda são muito "simpáticos" para as empresas), uma segunda sede em Dublin. Ou seja, pelo menos os usuários europeus estão defendidos pelas leis da União. Por isso, o jovem Max recolheu, na sua página "Europe versus Facebook" (http://europe-v-facebook.org/EN/en.html), 22 queixas contra a empresa e enviou-as à Autoridade Irlandesa de Proteção de Dados. E tem uma base legal sólida: nenhuma empresa pode guardar informação que foi apagada pelos seus detentores legais (que é cada um de nós). E a prova de que o faz tem Max Schrems naquele CD. Garante a empresa que terá sido um engano. O comissário irlandês para a proteção de dados está a investigar se aconteceu a extraordinária coincidência da única pessoas que conseguiu a informação armazenada sobre si ter recebido tão exaustivo material sobre a sua própria vida.

Diz-se, com razão, que manter uma ditadura é mais difícil na era da Internet. Basta ver a recente onda de liberdade que varreu o mundo árabe para o confirmar. A censura (recordo a Wikileaks, que também mostrou as enormes fragilidades da segurança e da privacidade na Internet) é mais difícil, assim como a manipulação política. Mas tudo tem o reverso da medalha. Se é verdade que a liberdade de expressão nunca teve tão poderoso instrumento nas mãos, as tentações securitárias também não. Nem a STASI, uma das mais meticulosas polícias políticas da história, conseguiu alguma vez saber tanto sobre os cidadãos como algumas das empresas em que parecemos depositar tanta confiança.

A esmagadora maioria das empresas não se regem pelo respeito pela democracia, pelos direitos cívicos ou por quaisquer valores políticos e morais. E estão dispostas a abdicar de quase tudo se o seu lucro estiver em perigo. Basta recordar como, durante demasiado tempo, a Google colaborou com a censura na China e como só a pressão de muitos "clientes" a levaram a recuar para não depositar grandes esperanças nestas multinacionais da era moderna. Não sei se alguma vez as informações que o Facebook tem sobre centenas de milhões de cidadãos serão fornecidas a Estados, anunciantes ou seguradoras. Sei que o mesmo poder que recusamos a Estados democráticos, sujeitos a leis e ao escrutínio público, temos de recusar, por maioria de razão, a qualquer empresa.

É claro que já não dispensamos o uso da Internet e das redes sociais. Mas temos de aprender a viver com elas. Obrigando estas empresas a cumprir as mesmas leis que exigimos a todos e deixando de viver na ilusão de que estes espaços semipúblicos são privados. Ou um dia ainda nos arrependeremos amargamente da nossa tonta boa-fé.

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Mesma questão, visões diferentes
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 8:54 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Neste assunto tenho uma opinião completamente diferente de DO. Não será possível nunca, por decreto, impedir que esse dados pertençam e andem à solta na rede. Mais ano menos ano, havemos de ver empresas que os vendem aos bancos, antes de lhe concederem um empréstimo ou a uma cadeia de electrodomésticos, antes de lhe venderem a prestações.

Quem quiser escapar a esse "grande olho" fale com as cordas vocais, escreva, à mão, as suas mensagens e mesmo assim já há satélites que lêem lábios e ouvem conversas.
  Só andar com uma gaiola de Faraday na bagagem......
 
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    Portanto, opõe-se à lei    Ver comentário
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 9:20 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
    Re: Portanto, opõe-se à lei    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 9:45 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Você vive cá?
Overseas (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 9:15 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Você é um bocado naif, não? Pensa que, por exemplo, ao acabar com a sua conta no banco toda a sua informação é destruída, pensa? Pensa que ao acabar com o seu contrato com a PT, os seus dados são destruídos, pensa? Que ao acabar com a Via Verde, todos os seus dados se evaporam, pensa? E pensa que nada disto está ou é acessível via net, pensa? E que não há leis (europeias) que, exactamente, impõem isto? E que as outras (as que você fala) são para contentar naifs e imberbes? E vive você neste mundo?
 
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A era da informação
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:20 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Estamos no tempo da informação,onde é dificil guardar segredos nos armários por muito tempo.
Os politcos que se cuidem:os que se dizem de "esquerda" e os que são chamados de direita.E não há que ter mêdo da cmunicação,por alguns percalços que aconteçam pelo caminho.
A Juventude,sempre ela, começa a estar nas tintas para o paleio de tanto politico que parece não fazer outra coisa senão servir-se das funções e bem assim dos comentadores de serviço ,engraixadores e mangas de alpaca dos sapatos do chefe.
 
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    Eh pá nem você se diz de direita    Ver comentário
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 9:23 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
    As "elites" da esqueda comem no gambrinus    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 12:44 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
    Re: A era da informação    Ver comentário
cromossauro (seguir utilizador), 1 ponto , 23:19 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
    Re: A era da informação    Ver comentário
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 7:36 | Sexta feira, 9 de dezembro de 2011
Facebook is watching you
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:08 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Chegamos à era em que todos sabem mais de nós, do que nós sabemos de nós mesmo. Somos filmados a toda a hora. No multibanco, no banco, na loja, na rua etc. etc.. A Companhia de Seguros, o Banco, a Segurança Social, a Câmara Municipal, as Finanças etc. etc., todos eles sabem a nossa vida. Isto faz lembrar o gato escondido com o rabo de fora. No fundo sempre assim foi. Na aldeia ou na cidade sempre soubemos a vida uns dos outros. A questão hoje é somente que a mesma se encontra armazenada, enquanto antigamente era de boca em boca e a mesma se limitava a um numero mais ou menos restrito. Pessoalmente parece-me uma falsa questão. À medida que o Mundo avança e os perigos vão ser cada vez mais, no que toca ao terrorismo, é bem capaz para segurança de todos, cada vez vai existir menos privacidade. Veja-se que todas as pensões e hotéis são obrigados a fornecer a lista de todos os clientes à policia.

http://www.youtube.com/wa...

Nota: O vídeo é a prova de que as coisas ficarem registadas pode não ser assim tão mau e servir de prova inegável.
 
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Daniel Oliveira diz:
Cruzadas (seguir utilizador), 2 pontos , 14:52 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
"É claro que já não dispensamos o uso da Internet e das redes sociais."

Fala por ti. Eu não uso, nem utilizarei essa coisa que serve para elevar o ego, essa feira de vaidades, esse antro de busca de aprovação, a que chamam de redes sociais.
 
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    Re: Daniel Oliveira diz:    Ver comentário
still (seguir utilizador), 1 ponto , 21:39 | Quinta feira, 8 de dezembro de 2011
E ele ajudou com 3 anos de informação!
3AA (seguir utilizador), 1 ponto , 9:01 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Nada introduzido e armazenado em formato binário pode ser considerado como estando a salvo de uma potencial invasão de privacidade, incluindo e-mails, anexos de e-mail, participações em fóruns, comentários a artigos de jornais, e tudo o resto que se consiga imaginar. E nenhum dos nossos dados bancários, fiscais ou clínicos é realmente privado. Até mesmo a informação cifrada apenas o é temporariamente, ou seja, até que apareça um processador qualquer que aumente para o dobro ou para o triplo o número de operações que efetua por segundo e a partir daí a cifra seja quebrada. É apenas uma questão de tempo e de paciência em casos limite. E os pontos de origem da informação podem ser determinados com a maior das facilidades, uma vez que todos os protocolos de comunicação incorporam em si essa informação. Informaticamente nada é privado e tudo deixa rasto. Se juntarmos a isso a facilidade com que se cruzam as informações através de bases de dados relacionais obtemos que a privacidade dos cidadãos é apenas uma miragem. Mesmo no supermercado o sistema de vigilância regista os pontos por onde passamos, as prateleiras para onde olhamos, o número de segundos em que paramos frente a um artigo, etc. É impressionante ao vivo. Toda essa informação pode ser, e é mesmo, cruzada pelas empresas para construir perfis e padronizar comportamentos de massa, desde os princípios dos anos 90. O que causa espanto é que hoje em dia as pessoas se expõem voluntariamente nas redes sociais, sem noção...
 
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    Re: E ele ajudou com 3 anos de informação!    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 9:08 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
por essas...
Jolitras (seguir utilizador), 1 ponto , 9:24 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
e por outras, cada vez mais temos de ver as redes sociais como parques temáticos q acedemos para ver e experimentar entertenimento e não procurar nelas o prolongamento das nossas vidas, como muitos o fazem.

http://barbarraridades.bl...
 
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Acho que muitos não perceberam
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 9:31 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Há legislação europeia que protege a propriedade dos nossos dados.
Nos EUA parece que é menor essa proteção.
O facebook tem sede na europa.
O facebook não respeita a lei no que diz respeito ao apagamento de dados privados.
Portanto que os processem e ganhem muita massa.

Quanto ao uso de dados pessoais ilegalmente por empresas, eu sou contra. Quem for apanhado que leve porrada ($$$).

O facto de ser fácil conservar os dados não dá razão a quem o faz.
Também me seria fácil andar a roubar a carteira a velhinhas e não o faço.
E ficaria chocado se o DO condenasse os assaltantes de velhinhas e os comentadores viessem para aqui dizer que elas se quisessem que não saíssem à rua, que metessem ferolhos nas portas, grades nas janelas e etc.
 
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    Re: Acho que muitos não perceberam    Ver comentário
Overseas (seguir utilizador), 1 ponto , 10:30 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
    Re: Acho que muitos não perceberam    Ver comentário
Colaborador (seguir utilizador), 1 ponto , 12:57 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Re: Facebook is watching you
Manuel Jacinto111 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:28 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
So vejo gente conformada a fazer comentarios, mas entao quer dizer que o Facebook esta correcto em armazenar todos os nossos dados??
 
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Ai a Internet ...
NMOS (seguir utilizador), 1 ponto , 13:02 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
Haverá coisas bem mais preocupantes do que o Facebook ou a Microsoft saberem os nossos hábitos de navegação na Internet. Também há o número de contribuinte, há a lista de devedores ao fisco ... Mas também há quem lamente, ou assim parece, que seja cada vez mais difícil manter uma ditadura na era da internet.
 
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FOSSE A NOTÍCIA SOBRE AS FINANÇAS OU A POLÍCIA...
SAMOVAR (seguir utilizador), 1 ponto , 16:05 | Quarta feira, 7 de dezembro de 2011

... E CAÍA O CARMO E A TRINDADE.

Acho a lei correcta, quando possibilita o acesso à informação que disponibilizamos e a opção de a mandarmos apagar.
Também duvido da sua aplicação.

Parece haver uma certa indiferença sobre a utilidade que esta informação possa ter nas mãos da Facebook.

A guerra pelo cartão de cidadão passou por dobrar a Lei para possibilitar ter o n.º do BI e o de contribuinte na mesma base de dados.

Quando se filmaram agressões no Metro de Londres, há uns anos atrás, houve uma discussão sobre se devia a polícia usar essas imagens.

Outro comentário fala e bem do estudo que as lojas fazem sobre o comportamento dos clientes com base em câmaras.

Os bancos trocam informações sobres os seus clientes com grande à-vontade.

Qualquer cruzamento de informação entre bases de dados estatais provoca uma gritaria desenfreada.
O Fisco ou a Polícia ter acesso ás informações bancárias parece um crime.
Usemos estas novas possibilidades com respeito por todos e pelo bem comum.
Um equilíbrio difícil, mas possível.
 
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Maria voa para o Céu.
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 4:45 | Quinta feira, 8 de dezembro de 2011

Para Todos

Hoje 8 de dezembro a igreja católica celebra a festa da Imaculada Conceção de Maria Virgem.

A única coisa positiva em tudo este assunto é que podemos gozar dum dia feriado.
Em nome da virgindade de Maria, e portanto em nome deste fetiche, foram cometidos os maiores crimes contra a Humanidade ao longo dos séculos.
Isso foi inventado de propósito com vista da vagina intacta, sem intrusão nenhuma.
Até os tempos modernos as mulheres sofreram e pagaram duramente por causa desta condição imposta pela Santa IC pois tinham que manter-se virgens até o casamento.

Aí delas caso tivessem feito sexo antes daquela data. Ninguém teria casado com essas. E estas desgraçadas teriam sido chamadas de "putas".
Agora suponhamos que se fizesse "ragazze madre" = "Raparigas mães?", o mundo caia-se sobre ela e a Benta Sociedade Burguesa de imediato marginalizava ela e a sua criança.

Muito obrigados, igreja católica e seguidores das suas instruções. De novo obrigadíssimos.

Todas as religiões assentam-se na repressão sexual para controlar o povo enquanto os ricos "hanno sempre fatto i loro porcacci comodi" = fizeram sempre o que quiseram.

Mas no caso de um homem ser muito dado a mulheres, por outras palavras, um mulherengo, e fazia muitas vitimas, era glorificado e louvado. E a sua fama espalhava-se por todo o lado. Aqui estava a igualdade dos sexos!?

Hossana, Maria, voa para o Céu.

(a) ἄѵϑος

P.S.
...
 
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    Re: Maria voa para o Céu.    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 22:33 | Quinta feira, 8 de dezembro de 2011
    Re: Maria voa para o Céu. +++    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 6:39 | Sexta feira, 9 de dezembro de 2011
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