O deputado do PSD
Fernando Negrão
exigiu hoje que o ministro da Economia, Vieira da Silva, se retrate pelas declarações que fez sobre alegadas escutas ao primeiro-ministro ou então explique como conhece o seu teor.
Em entrevista à Antena 1, o ministro da Economia e membro do Secretariado Nacional do PS, Vieira da Silva, criticou as eventuais escutas de conversas do primeiro-ministro, José Sócrates, com Armando Vara, registadas no âmbito do processo Face Oculta, no qual este último foi constituído arguido.
"O que motiva essas forças e as pessoas que estão por trás do que me parece ser uma ilegalidade não é qualquer averiguação relativamente a qualquer processo de corrupção, é pura espionagem política, porque estar a ouvir um dirigente de um partido que também é primeiro-ministro sobre temas políticos e depois colocá-los nos jornais através de escutas cuja legalidade é mais do que duvidosa, considero isso algo de extremamente preocupante", declarou Vieira da Silva.
Numa reacção a estas declarações, em nome do
PSD
, Fernando Negrão, ex-ministro da Segurança Social e ex-director geral da Polícia Judiciária (PJ), considerou que "estão a ser ultrapassadas todas as fronteiras razoáveis do respeito pela separação de poderes".
Pressão sobre a justiça
"Estas declarações deste membro do Governo constituem uma pressão inadmissível sobre o funcionamento da justiça, designadamente no que respeita à autonomia o Ministério Público", acrescentou.
Fernando Negrão defendeu que "é preciso que o senhor ministro explique se conhece o conteúdo das alegadas escutas existentes e, se conhece, como é que chegou ao seu conhecimento, uma vez que ainda não é do conhecimento público".
"Se não conhece, é uma exigência do Estado de direito democrático solicitar-lhe ue se retrate, sob pena de isso significar uma ingerência inadmissível no poder judicial e uma ameaça ao Estado de direito", concluiu o deputado do PSD.
PGR deve esclarecer o assunto
Sobre a notícia do semanário Sol segundo a qual "as escutas do processo Face Oculta provam que o primeiro-ministro faltou deliberadamente à verdade quando disse no Parlamento que desconhecia o negócio da compra da TVI pela PT", Fernando Negrão não quis fazer qualquer comentário.
"Como eu disse, nós não conhecemos o conteúdo dessas alegadas escutas", referiu.
No entanto, o deputado do PSD considerou que "é fundamental que o procurador-geral a República esclareça com a maioria brevidade possível esta situação, no conjunto: se existem escutas, se não, qual foi o procedimento".
"Não é esclarecer o conteúdo, porque o conteúdo está em segredo de justiça", ressalvou.