Armando Vara está mal indiciado do crime de tráfico de influência no processo "Face Oculta". Quem o diz são os advogados de Vara, que amanhã enviarão um recurso ao Tribunal da Relação de Coimbra, onde pedem a revogação das medidas de coacção, apurou o Expresso de fonte ligada à defesa do ex-ministro do PS. O arguido é suspeito de ter tentado influenciar Paiva Nunes, administrador da EDP Imobiliária.
A tese da defesa de Armando Vara é que para haver tráfico de influência é preciso que esta seja exercida "junto de qualquer entidade pública", citando o próprio Código Penal, mas para os advogados, a EDP-Imibiliária e Participações, SA é uma sociedade anónima que "não presta qualquer serviço público", dedicando-se só à compra e venda de bens imobiliários, ao contrário da EDP - Energias de Portugal, que presta um serviço público.
A argumentação dos dois advogados, Nuno Godinho de Matos e Tiago Rodrigues Bastos, pretende convencer os juizes-desembargadores de Coimbra a anularem a indiciação de Armando Vara, alegando-se que a EDP - Imobiliária não é concessionária de um serviço público e o seu administrador, Domingos Paiva Nunes, não pode por essa mesma razão ser assim equiparado a funcionário público, para os efeitos do Código Penal Português.
Suspeito de tráfico de influência
Armando Vara foi indiciado por um crime de por supostamente ter intercedido sobre o seu agora co-arguido, Domingos Paiva Nunes, no sentido de este, a pedido anterior do sucateiro Manuel Godinho a Armando Vara, poder favorecer as suas empresas, na remoção de sucatas, limpezas e outras prestação de serviços, por parte da O2, a principal empresa de Manuel Godinho. Este sucateiro de Ovar, que se encontra preso preventivamente desde 30 de Outubro deste ano, ofereceu, segundo o Ministério Público, um Mercedes SL-500 a Paiva Nunes, avaliado em cerca de 50 mil euros, tendo sido apreendido pela Polícia Judiciária de Aveiro durante a operação "Face Oculta" em 28 de Outubro. Paiva Nunes está caucionado em 25 mil euros, tal como Armando Vara.
O juiz de instrução criminal da comarca do Baixo Vouga, em Aveiro, António Gomes, em 2 de Dezembro indiciou Armando Vara pelas suspeitas do crime de tráfico de influência do auto-suspenso vice-presidente do millennium bcp sobre Paiva Nunes, mas não pelas suspeitas de outro alegado tráfico de influência sustentado pelo Ministério Público, por alegadamente ter tentado junto de Mário Lino, então ministro dos Transportes, afastar do Governo a secretária de Estado, Ana Paula Vitorino, e o presidente da "Refer", Luís Pardal.
A tese do DIAP do MP de Aveiro é que Manuel Godinho terá convencido Vara da necessidade de afastar ambos, já que, ainda segundo o MP, estariam a "prejudicar" as empresas do sucateiro de Ovar, que mantinha litígios judiciais com a "Refer", tutelada por Ana Paula Vitorino, no caso de alegado furto de carris, processo "Carril Dourado".