Apanhado pela polícia a traficar drogas sintéticas, foi libertado poucas horas depois. Para o líder do gangue não havia dúvidas sobre tão efémera detenção: a polícia já tinha mais um informador. Para alertar os outros membros recorreu ao Twitter: "Temos um bufo entre nós", teclou.
Sem o saber, este twette (mensagem até 140 caracteres) e o tráfego por ele gerado estavam a ser monitorizados pelos investigadores, que há meses vigiavam este gangue da zona de São Francisco, Califórnia. Pouco depois, algumas respostas ao alerta forneciam informação preciosa para a investigação.
As autoridades policiais norte-americanas garantem que por estes dias diversos gangues estão a recorrer ao Twitter
e ao Facebook
, onde publicam informação que tem ajudado os investigadores a identificar os seus membros e a perceber como funcionam.
"Conseguimos obter informação de pessoas sobre as quais nada sabíamos", conta Dean Johnston da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Califórnia.
No caso do alegado "bufo", as mensagens trocadas através do Twitter, vieram confirmar o envolvimento de mais três membros, detidos recentemente por tráfico.
Adeus MySpace
Há muito que os ciber-criminosos frequentam salas de conversação em tempo real (chatrooms) e redes sociais como o MySpace
, mas agora tudo indica que estarão a transferir-se para os muito populares Twitter e Facebook onde conseguem fazer ameaças, vangloriar-se de crimes cometidos, trocar informação sobre os seus rivais e comunicar com pessoas em todo o pais.
"São cada vez mais", garante Dean Johnston, acrescentando: "Até se gabam dos tiroteios".
Num outro caso envolvendo membros de gangues rivais, os investigadores recolheram grande parte da informação através do Facebook. Nas próximas semanas deverão ser feitas as primeiras detenções.
"Assim que criam grupos no Facebook facilitam o nosso trabalho", conta Johnston. "Podemos acompanhar tudo o que é dito", acrescenta.
Por vezes, os membros dos gangues chegam mesmo a pedir aos seus "amigos" para ajudarem a identificar polícias infiltrados.
Top-secret
Ao certo, ninguém sabe quantos gangues já usam o Twitter e o Facebook. Diversas agências de investigação recusam discutir o fenómeno com receio de revelarem as suas técnicas de investigação.
O capitão Walt Myer, director do grupo que investiga os gangues no condado de Riverside (a leste de Los Angeles), diz que a actividade destes grupos é "um espelho da sociedade, aderindo como qualquer outra pessoa às novas tecnologias".
Os responsáveis pelo Twitter e pelo Facebook assumem que colaboram regularmente com as autoridades policiais, fornecendo informação sobre os seus utilizadores, sempre que os investigadores se fazem acompanhar de um mandado de busca. E mais não dizem.