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Estudo: Bons alunos têm mais hipóteses de vir a ser bipolares

Cientistas do Instituto de Psiquiatria do King's College London, em associação com membros do Karolinska Instituted em Estocolmo apresentaram o primeiro estudo científico que associa a doença bipolar ao bom desempenho intelectual.

Carlos Afonso Monteiro (www.expresso.pt)
15:52 Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

O mito já persistia há séculos, baseado nos escritos de autores emblemáticos e na evolução da história, mas até agora não existia qualquer trabalho científico que conseguisse associar o bom desempenho intelectual com o desenvolvimento de uma condição degenerativa neurológica como é o caso da doença bipolar.

A especulação sobre uma possível ligação entre génio e loucura já é tão antiga como os escritos de Aristóteles, que afirmou um dia que "não existe grande génio sem a mistura da loucura". O seu professor, o filósofo grego Platão, é uma das muitas personagens históricas que os especialistas julgam ter sido bipolares.

700 mil alunos estudados desde 1988


O estudo em questão envolveu mais de 700 mil alunos e mostra que crianças com as melhores notas têm uma probabilidade quatro vezes superior de virem a desenvolver a doença bipolar do que os alunos com avaliados razoavelmente. Esta ligação entre doença bipolar e boas notas é ainda mais forte em alunos que estudam música ou literatura, duas das disciplinas em que historicamente o génio e a loucura mais são associados.

Neste estudo, liderado por James MacCabe do King's College London, foram comparadas as notas escolares de todos os alunos suecos com idades entre os 15 e os 16 anos entre os anos de 1988 e 1997, monitorizando depois os alunos até aos 31 anos para perceber quais deles viriam a ser internados por causas relacionadas com doença bipolar. Os alunos com os melhores resultados mostraram uma probabilidade quatro vezes maior de desenvolver doença bipolar, independentemente da educação parental ou classe social.

Os resultados sugerem que o estado de mania pode melhorar a performance académica e intelectual, o que justifica a sua ligação com o "génio". Os cientistas relembram que pessoas em estado de leve mania parecem ter "acesso melhorado ao vocabulário, memória e outros recursos cognitivos" e que tendem a ter respostas emocionais desmedidas o que podem "facilitar o seu talento em arte, literatura ou música". Num estado de mania um indivíduo tem "níveis extraordinários de resistência e uma capacidade incansável para uma concentração prolongada".

Ligação é mais forte nos homens


Segundo o Dr. MacCabe o aumento de risco de doença bipolar associado às notas não é uniforme. Os alunos que têm boas notas em humanidades têm realmente uma maior probabilidade de desenvolver a doença, mas sucesso escolar na área da ciência não é tão arriscado. A associação mais forte entre doença bipolar e boas notas deu-se nos alunos que atingiram boas notas a sueco e a música.

Os alunos com as piores notas também sofrem de um risco mais elevado de desenvolverem doença bipolar, se bem que não tão elevado como os melhores alunos. O estudo revelou também que a associação entre as notas e a doença é mais forte nos homens do que nas mulheres, mas a diferença é estatisticamente insignificante segundo o Dr. MacCabe que afirma que "apesar de ter boas notas aumentar a hipótese de ter doença bipolar mais tarde, devemos lembrar-nos que a maioria das crianças com boas notas desfrutam de uma boa saúde mental". Os resultados deste estudo foram publicados no British Journal of Psychiatry.

A doença bipolar, anteriormente conhecida por psicose maníaco-depressiva, afecta cerca de 1% da população e é caracterizada pela alteração de humor entre estados de mania (que podem ir de alegria desmedida a violência incontrolável) a estados de depressão. Existe ainda uma fase de mania controlada, ou hipomania, muitas vezes associada ao génio intelectual e à capacidade criativa.

Génios de loucura

Descubra alguns dos grandes artistas e pensadores que os especialistas do nosso tempo sabem ou creêm ter sofrido de doença bipolar:

Fernando Pessoa - Poeta e escritor.

Florbela Espanca - Poetiza

Antero de Quental - Poeta

Edgar Allan Poe - Poeta e escritor

Ernest Hemingway - Jornalista e escritor

Charles Dickens - Escritor

Vincent Van Gogh - Pintor

Miguelângelo - Pintor e artista plástico

Isaac Newton - Cientista

Sigmund Freud - Médico e inventor da psicanálise

Platão - Filósofo da Grécia antiga

Winston Churchill - Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial

Abraham Lincoln - Presidente dos Estados Unidos que aboliu a escravatura

Elvis Presley - Músico e actor

Jimmy Hendrix - Músico

Kurt Cobain - Músico

Axl Rose - Músico

Britney Spears - Cantora

Marilyn Monroe - Actriz

Jean-Claude Van Damme - Actor e praticante de artes marciais

Robin Williams - Actor

Jim Carey - Actor

Francis Ford Coppola - Realizador de cinema

Buzz Aldrin - Astronauta
Palavras-chave  Ciência
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Doença Bipolar
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:18 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
Todos os estudos sobre esta doença que tantas pessoas afecta, sendo sérios, são muito bem vindos, pois são importantes para nos ajudar a compreender o sofrimento de tantas pessoas. Penso que muitos de nós conhecemos casos de aluno/a/s brilhantes que, de repente, manifestam sintomas desta doença. Frequentemente, até que se encontrem paradigmas de tratamento adequado, os próprios e os seus familiares e amigos mais próximos tendem a sofrer enormemente. A esta sofrimento, como com todas as doenças do foro psiquiátrico, acresce-se, depois, o estigma social. Além do mais, pelo menos em Portugal, eu penso que os diagnósticos correctos tendem a ser feitos só muito tarde; por vezes, demasiado tarde. Daí eu saudar estudos sobre a doença bipolar que nos possam permitir, a todos, progredir no conhecimentos dos melhores modos de ajudar quem dela sofre e as respectivas famílias. Sugiro mesmo que a Associação dos Médicos Psiquiatras de Portugal se preocupe com publicar, com bases rigorosas e científicas, algumas indicações que sejam úteis às famílias e aos doentes que sofrem desta e de outras doenças do foro psiquiátrico.
 
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E' verdade
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 19:12 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010

Confirmo. E' verdade.

António
 
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A longevidade do estudo
Regina.Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 22:55 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
O transtorno do espectro bipolar tem diversas tipologias se por um lado poderá "ter uma possível ligação entre génio e loucura", por outro incidirá num transtorno temperamental numa depressão maníaca.
Haverá muito mais a pesquisar, a estudar sobre o distúrbio bipolar, no entanto assegurar a maior propbabilidade no desenvolvimento deste espectro nos bons alunos levanta algumas questões:
Na lista supra citada, quantos deles terão sido bons alunos? A B. Spears!? A Marylin M!? Alguns dos nomes referenciados têm vindo a sofrer uma alteração neurológica em virtude do uso de estupefacientes e outros químicos deverão constar na lista!? Onde estão os bons alunos do dito estudo Londrino!?
A questão parece pertinente e dá luz para uma boa discussão, debate, investigação... Mais uns anos e novas conclusões serão reveladas.
 
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    Re: A longevidade do estudo    Ver comentário
celios (seguir utilizador), 1 ponto , 11:28 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
    Re: A longevidade do estudo    Ver comentário
AnaD (seguir utilizador), 1 ponto , 13:54 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
Mentes Brilhantes e a
etica (seguir utilizador), 1 ponto , 14:31 | Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
Com a entrada sub-reptícia no espírito da sociedade moderna do conceito da sobreposição do "grupo" ao do "individuo," bem patente na Suécia dos anos 70, não é de admirar os resultados obtidos. Por outro lado, a reacção que as "maiorias" sempre tiveram, ao longo dos tempos, relativamente aos que eram "diferentes" também é condizente com a classificação de "loucos" de génios como Fernando Pessoa, Michelangelo e outros.
A mediocridade que grassa na ciência moderna, não pode levar a outra conclusão que não a que os autores tiraram do estudo. Vivi no meio académico Sueco durante 20 anos e presenciei as barbaridades exercidas sobre as mentes brilhantes em que as mesmas eram punidas, psicologicamente, pelo simples "crime" de serem superiores às "maiorias." Será, realmente, de surpreender que tais mentes brilhantes se tornem Bipolares? Serão verdadeiros bipolares ou simplesmente indivíduos em que a fase de "Mania" corresponde à fase criativa em que o prazer da descoberta, o prazer de uma mente em marcha acelerada se sobrepõe à depressão induzida pela mediocridade que os rodeia? Como o processo criativo não constitui um "mútuo continuo," será que a fase depressiva corresponde a um período de abrandamento criativo em que o individuo está mais atento à dita mediocridade que o rodeia e isso o leva a uma depressão reactiva?
Penso seria bom que os doutos psicólogos, psicanalistas e psiquiatras considerassem estes factores antes de tirarem conclusões precipitadas de estudos como este.
 
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as conclusoes...
sandrassm (seguir utilizador), 1 ponto , 6:24 | Quarta feira, 10 de fevereiro de 2010
são claras: a maioria dos alunos com boas notas não são bipolares, é o que o estudo diz, que há mais probabilidade, mas que a maioria não é bipolar. Portanto, não devemos confundir as coisas. De facto, os alunos podem ser bipolares embora a doença normalmente se note mais a partir da sua idade adulta. Ser bipolar implica de facto ter por vezes mais capacidade de memória, sintese, criação artisitica, é um facto. Por outro lado, o comportamento ligado ao uso de drogas não implica que se seja bipolar, mas os bipolares confirma-se que podem usar drogas devido ao seu comportamento de mania-depressão. Um bipolar sem tratamento pode correr risco de suicidio. Como aconteceu com vários musicos/actores com bipolar.
 
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E...
sandrassm (seguir utilizador), 1 ponto , 6:36 | Quarta feira, 10 de fevereiro de 2010
Desconheço se a Britney Spears foi boa aluna ou não, mas o que é certo é que aos 17 anos começou uma grande carreira artistica a nivel mundial, e isso é o mesmo que ser bom aluno.
 
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