O que é mais interessante e revelador é a transposição desta discussão para o campo do preconceito de classe, que ninguém parece ter notado. A determinada altura do desvario, Ricardo Gonçalves, diz representar a província, fazendo imediata referência à alegada proveniência de Nogueira Pinto da linha de Cascais.
Ora, este exemplo, mais do que mostrar duas pessoas de cabeça perdida ou com pouca educação, revela a falta de qualidade política dos principais representantes do partido rosa.
O deputado Ricardo Gonçalves, nunca terá ouvido falar de luta de classes nos termos em que o explorado se confronta com a classe dominante (a sua, importa recordar), no seu partido nunca ninguém lhe terá explicado que a maioria dos aglomerados populacionais da "linha de Cascais" foram construídos a partir da concentração de famílias operárias, cujos vestígios já são difíceis de encontrar (decorrente de um violento processo de segregação, dispersão e descaracterização durante o período em que José Luís Judas esteve à frente da Câmara Municipal de Cascais) ou que a maioria dos actuais habitantes do Concelho de Cascais não aufere 1/4 do salário do Sr. deputado. Este <em>ricardismo</em> provinciano que atinge o PS (não nos esqueçamos que Ricardo Rodrigues é uma autêntica estrela da bancada socialista), tornou-se ainda mais claro quando, na sua entrevista, Armando Vara, procurava fazer os espectadores verter uma lágrima quando afirmava ter subido na vida à custa de muito trabalho, contrariando o seu destino de classe, nas suas palavras, ser gerente de balcão, acrescento eu, de uma agência de província.
(também publicado no
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