A Parpública recusou hoje que a assembleia geral da REN, da qual é acionista, tenha aprovado qualquer prémio referente ao exercício de 2009, mas o acionista Filipe de Botton reafirma que foi mesmo isso que aconteceu.
"É totalmente falso que a Comissão de Vencimentos ou a Assembleia Geral da REN, hoje realizada, tenha aprovado qualquer prémio referente ao exercício de 2009", indica uma nota de esclarecimento divulgada hoje pela Parpública.
Nesta matéria, acrescenta a mesma nota, "foi apenas aprovada a alteração da política de vencimentos, por proposta da Comissão de Vencimentos, limitando o limite máximo dos prémios a seis meses da remuneração fixa (quando anteriormente era de um ano esse teto máximo)". Também foi "aprovado o diferimento de 50% do prémio para o final do ano subsequente ao termo do mandato, isto caso seja devido prémio".
Botton garante bónus a Penedos
Por seu lado, o acionista da REN pela Logoenergia, Filipe de Botton, declarou hoje à Lusa que a REN vai atribuir, sob proposta da Parpública, um bónus a José Penedos pelo desempenho em 2009, ano em que a empresa foi envolvida no caso Face Oculta.
"Em 2009, o conselho executivo, na altura liderado por José Penedos, não soube antecipar os problemas mais conhecidos por Face Oculta. Em consequência nós votamos contra qualquer atribuição de bónus, independentemente dos resultados da empresa", disse Filipe de Botton, da Logoenergia (que detém 8,4% da REN). A proposta, disse, passou devido à maioria do Estado, mas com 40% de votos contra dos acionistas privados.
Contactado pela Lusa após o desmentido da Parpública, Filipe de Botton reafirmou "na íntegra" o que tinha dito anteriormente, citando a alínea 3 do ponto 6 da ordem de trabalhos da assembleia geral. Esta alínea, disse, alude "à fixação da remuneração dos vários orgãos sociais em relação ao ano de 2009 e para aplicação até à tomada de posse dos membros dos órgãos sociais que sejam eleitos na assembleia geral".
Gestão da REN unida com nova estratégia
Referindo que o ponto "é claríssimo em relação a 2009 e para o novo mandato", Filipe de Botton ressalvou também "estas discussões são saudáveis porque permitem construir um futuro melhor para a REN".
"O mais importante é que, neste momento, os acionistas da REN estão totalmente unidos com esta equipa de gestão e com a nova estratégia", sublinhou.
No seu comunicado, a REN adianta ainda que "naturalmente [...] não deixará de se dar cumprimento à norma aprovada pelo Parlamento, no contexto do Orçamento do Estado, e, para efeitos de avaliação do desempenho, durante 2010 não se procederá à retribuição dos gestores com remunerações variáveis de desempenho".
Por seu lado, fonte oficial da REN declarou à Lusa que no decorrer da Assembleia Geral não foi fixado o montante do bónus a atribuir aos órgãos sociais.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar, a partir de amanhã, o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.