O efeito do endividamento da economia portuguesa sobre o preço a pagar pelos empréstimos, isto é, sobre o valor dos juros, é assustador porque implica um pesado aumento de encargos com o serviço da dívida pública e com o custo de financiamento das empresas, numa época de crise como a que enfrentamos.
De pouco vale que os responsáveis minimizem esses efeitos, que invoquem operações de colocação de títulos de dívida bem sucedidos ou que refutem a equiparação da nossa situação à que ocorre na Grécia.
Nesta matéria, não importam opiniões, nem interpretações, mas apenas a forma como os mercados nos olham.
E eles olham-nos de forma atenta e muito perigosa.
Estão só à espera para ver o que o Governo vai fazer, nomeadamente com o Orçamento do Estado.
Depois actuarão em conformidade.
Chegou pois, finalmente, a hora em que o Governo não pode adiar o início da correcção do nível de endividamento a que conduziu o país.
Chegou o momento de perceber que terá de se socorrer do sentido do interesse nacional da oposição para que o ajude a transmitir aos mercados a ideia de que está empenhado em inverter, já, a actual trajectória.
É isto que verdadeiramente conta para não perdermos a confiança dos credores.
Terá um custo pesado?
Talvez, mas salvar o país não tem preço.
Texto publicado na edição do Expresso de 23 de Janeiro de 2010