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BEST-SELLER "MEDO ZERO"

Especialista explica como controlar o medo

Pilar Jericó, economista espanhola especialista em gestão do talento, vem amanhã, quinta-feira 11 de Fevereiro, a Lisboa apresentar o seu livro "Medo Zero". Clique para ler a entrevista e descarregar dois PDF com a introdução e um capítulo do livro. Clique para visitar o canal Life & Style.

Nelson Marques (www.expresso.pt)
18:48 Terça feira, 9 de fevereiro de 2010
Especialista explica como controlar o medo

Não há mal nenhum em ter medo: a reacção é inata e essencial à sobrevivência da espécie humana. O medo só se torna problemático quando nos paralisa, impedindo-nos de desenvolver o nosso talento e a nossa criatividade. Quando se torna tóxico. É por isso, explica Pilar Jericó, a mais famosa coach espanhola da actualidade, que o modelo de gestão empresarial assente no medo tem os dias contados. A economista, autora do best-seller "MedoZero" (editado em Portugal pela Lua de Papel), vem amanhã, quinta-feira 11 de Fevereiro, a Lisboa explicar o seu modelo de gestão baseado no talento. Eis o que disse em entrevista ao Expresso:

Donde vem o seu interesse pelo medo? Em 2001, publiquei um livro sobre a gestão do talento e percebi que todos temos talento, mas o medo impede-nos de desenvolvê-lo. O medo é a antítese do talento. Por um lado, o medo paralisa o nosso talento. Por outro, o talento dá medo. São duas faces de uma mesma moeda.

Ter medo não é normal? Claro que é. Mais do que normal, é biológico. Todos nascemos com medo e morreremos com medo. Mas há dois tipos de medo: um medo são e um medo tóxico. O primeiro é aquele que todos temos, que nos faz ser prudentes. É, por isso, bom tê-lo. O medo tóxico paralisa-nos e impede-nos de enfrentar os nossos objectivos. É o medo que impede o talento de se desenvolver. É o que se está a passar com a crise económica.

Induz-nos mais medo do que devia? Creio que sim. É uma crise muito dura, mas, se olharmos para a história da Humanidade, não tem a importância que tiveram os períodos das guerras mundiais, de crises económicas mais profundas, de pandemias de doenças. Temos de saber pôr as coisas em perspectiva e perceber que vamos sair da crise, agora como no passado. Mas quanto mais medo tivermos menos vamos atrever-nos a tomar decisões e mais difícil vai ser sair desta crise.

Estamos a ser demasiado fatalistas? Sem dúvida. O antídoto para a crise é termos confiança em nós próprios, no nosso potencial, dar o nosso melhor e seguir em frente. Não é parar, deixar-nos paralisar. É preciso reagir.

Porque é que o medo nos condiciona tanto? Em primeiro lugar, porque é biológico: tem a função de nos alertar para os perigos. É a emoção que mais impacto teve na evolução do ser humano e não é de estranhar que tenha tanta importância. Agora, o facto de ser inato não significa que tenha de nos paralisar. Da mesma forma que somos capazes de ultrapassar outras emoções, como a tristeza, temos de ser capazes de fazê-lo com o medo.

Como? Há vários tipos de medo, e disso depende a forma de os enfrentar. No livro, falo sobretudo dos medos numa empresa. Fora do trabalho, há muitos outros, o mais comum dos quais é a morte. No caso de uma empresa, há cinco grandes medos: o medo de não chegar ao fim do mês, de fracassar, de ser rejeitado, de perder poder e o medo da mudança.

O medo de ser despedido é o mais recorrente? Não sei se será o mais recorrente, mas é um medo muito forte. Talvez seja o mais duro dos cinco. É um medo muito paralisante, mas nem todas as pessoas o vivem da mesma maneira. Há quem lide melhor com a incerteza, não sofrendo tanto. Por exemplo, os jovens que vivem em casa com os pais não têm tanto medo. Depende das condições pessoais de cada um e do carácter também.

Regressando às estratégias para vencer o medo... Não há uma receita única. Depende de cada pessoa e de cada medo. O primeiro passo consiste em reconhecer que temos medo. É importante falar abertamente dele. Depois, o pior medo é o ambíguo, aquele que criamos na nossa cabeça, como uma ilusão: especular sobre o que pode acontecer. Em relação à possibilidade de ser despedido, por exemplo, devemos perguntar-nos se isso pode mesmo acontecer. E, depois, prever o impacto que isso pode ter na nossa vida e pensar nas alternativas possíveis. Preparar um plano de acção, ou seja, focarmo-nos na solução e não no problema. É também importante procurar o apoio de amigos e familiares, pois a solidão gera muito medo. Há muitas outras estratégias, mas sublinhava apenas mais uma: nas alturas em que passamos pior, em que temos mais medo, devemos pensar naquilo de que mais gostamos e que mais nos motiva. No fundo, procurar a outra face da moeda.

O medo deixa-nos infelizes? Sem dúvida. O medo tóxico sim. Há várias investigações que relacionam a felicidade com a sensação de não ter medo. A felicidade, como o talento, também é a antítese do medo.

E quem é mais medroso: os homens ou as mulheres? Diria que têm medos distintos. O medo dos homens está mais relacionado com o fracasso e é especialmente importante. Nas mulheres também, mas elas são mais marcadas pelo medo de serem rejeitadas.

Admitiu, numa entrevista ao "El País", que, no passado, também enfrentou uma crise financeira. Como lidou com isso? Foi uma crise não só económica mas também pessoal e familiar. Tivemos uma quebra na nossa actividade, a que se juntou um processo pessoal de separação, e isso tornou muito difícil, durante uns tempos, gerir o dinheiro até ao fim do mês. Escrevi sobre o medo depois desta experiência. Ela ajudou-me muito a ter perspectiva das coisas e a confiar que, se fizer bem o meu trabalho, posso ter dificuldades a curto prazo, mas acabarei por sair da situação. Se confiarmos, trabalharmos, pusermos todos os meios ao nosso serviço e nos rodearmos de pessoas que nos podem ajudar, conseguimos sair das crises.

É possível erradicar o medo das organizações? Seria o ideal, mas há muitos interesses criados. O método mais fácil de dirigir uma empresa está na criação de medo. É uma ferramenta de governação. Há uma frase de Henri Ford que o resume de forma maravilhosa. Dizia ele: "O meu problema é que cada vez que contrato um par de braços ele vem com cérebro." Esta forma de gestão é muito antiga e condiciona o talento, impedindo-nos de inovar. A inovação está associada à criatividade, e o medo paralisa-a. Há empresários e gestores que já começam a percebê-lo e a mudar a sua atitude, mas é um processo que leva muito tempo.

O que é isso de ter uma atitude medo zero? É não deixar que o medo nos paralise. É aceitar que temos medo, perceber que este é algo natural e seguir em frente com os nossos objectivos.

Como é que essa atitude pode ajudar-nos, tanto na vida pessoal como no trabalho? Ajuda-nos a dar o nosso melhor, a desenvolver o nosso potencial e, claro, a sermos mais felizes. Só ultrapassando o medo é que o podemos fazer plenamente.

Admitiu que, antes de escrever o livro, tinha medo a falar do medo. Porquê? Porque falar do medo é ainda um tabu. É um conceito que muita gente não gosta de abordar. Nem toda a gente gosta de reconhecer que tem medo, e eu receava que pudesse haver pessoas que não gostassem de ler sobre o medo, que não se reconhecessem no livro ou que se sentissem mal ao lê-lo.

E, contudo, escreveu um best-seller, que já vendeu em Espanha mais de 150 mil exemplares. Ficou surpreendida com este sucesso? Muito surpreendida. É um sucesso que demonstra que os medos são, muitas vezes, infundados (risos).

Quais são os seus medos? Tenho muitos medos. O que a mim me ajuda muito é identificar o medo, enfrentá-lo e seguir em frente. Gosto de uma expressão budista que diz algo assim: "São poucas as vezes em que não temos medo. É quando temos pânico."

(Texto original publicado na Revista Única da edição do Expresso de 06 de Fevereiro de 2010)

Ter medo é normal, é preciso é conseguir controlá-lo
Especialista explica como controlar o medo
Pilar Jericó, a mais famosa "coach" espanhola da actualidade, diz que o modelo de gestão empresarial assente no medo tem os dias contados. A economista, autora do best-seller "MedoZero" (editado em Portugal pela Lua de Papel), vai estar amanhã, quinta-feira 11 de fevereiro, na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica em Lisboa, para explicar o seu modelo de gestão baseado no talento.


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Especialista sou eu
cjours (seguir utilizador), 2 pontos , 15:56 | Quarta feira, 10 de fevereiro de 2010
Para controlar o medo só conheço uma forma: comprar um cão...
ehehehehehehhehhhehheheh
 
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Bem,
xadrez (seguir utilizador), 1 ponto , 19:43 | Quarta feira, 10 de fevereiro de 2010
eu acho que a "pujança", em termos do feminino, desta senhora, seria capaz de eliminar os meus medos, disso não tenho muitas dúvidas...
 
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Watch My Back
Pedro Alves Ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 13:09 | Sexta feira, 12 de fevereiro de 2010
Gostei desta entrevista. Para entrar no mundo do medo, aconselho tambem a leitura do "Watch My Back" de Geoff Thompson. Pode chegar ao grotesco, mas nao deixa de ser um relato bastante real.
 
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