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Ribeiro Sanches vai assinar contrato

Escola de Penamacor vai vender energia à EDP

O painel para produção de energia solar foi instalado pelos alunos do curso profissional de energias renováveis. O investimento de 22 mil euros poderá ser recuperado em cinco anos.

Reconquista- José Furtado
18:13 Quinta feira, 29 de abril de 2010
O painel foi instalado e espera-se que dê rendimento
O painel foi instalado e espera-se que dê rendimento
José Furtado/Reconquista

As energias renováveis entraram em força no Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches, de Penamacor, que está a um passo de assinar um contrato com a EDP para se tornar em vendedora de energia. O projecto é mais uma etapa de uma aposta que começou há quatro anos com a abertura na região do primeiro curso profissional para formação de técnicos de energias renováveis, cujos primeiros finalistas terminaram o curso em 2009.

Para conseguir produzir e vender energia a escola começou por registar-se na internet através do portal Renováveis na Hora, investindo cerca de 22 mil euros em equipamento. Os alunos foram a mão-de-obra e assim aprenderam fazendo.

Esta não é aliás a primeira vez que o fazem dentro dos portões da escola. A mini-eólica instalada no telhado de um dos blocos da escola e o painel que aquece a água utilizada no refeitório também é obra dos professores e alunos. A estação meteorológica da escola funciona apenas com energia renovável, produzida através do sol e do vento.

Para vender energia à EDP a escola teve que obter um certificado, que foi emitido após uma fiscalização aos equipamentos. O painel já instalado permite um encaixe financeiro capaz de suportar 30 por cento dos custos da escola com energia.

"É uma boa aposta, uma vez que ao fazermos este contrato com a EDP nós vamos receber mais pela energia que vamos vender e pagamos aquela que gastamos por muito menos", refere Helena Pinto, a directora do Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches.

Aumentar o número de painéis é por isso um objectivo, mas cuja concretização não é fácil, porque a escola tem apenas um quadro e de momento "só é permitido um registo por cada quadro", explica António Tomás, da direcção da Ribeiro Sanches. Segundo o mesmo o investimento feito agora será amortizado "em cerca de cinco anos".

A direcção da escola diz que gostaria de investir ainda mais, mas há dificuldades em obter apoios "porque não há autonomia financeira".

A Ribeiro Sanches quer aumentar a produção de energia através de outras escolas do agrupamento, como o novo centro educativo da vila de Penamacor, que está a ser construído através da remodelação da escola do 1.º ciclo. Neste caso terá de ser feito um protocolo com a Câmara Municipal de Penamacor, já que o edifício escolar é da autarquia.

 

Sol para reduzir consumo de gás


 

A energia solar poderá ter outras aplicações na escola Ribeiro Sanches. Um dos objectivos da instalação de mais painéis é poupar no aquecimento da escola, que é feito a gás e com custos anuais de 15 mil euros. A energia solar não vai resolver todas as necessidades mas poderá dar uma ajuda. A ideia é simples e passa por um primeiro aquecimento da água através do sol fazendo com que não seja necessário utilizar tanto gás para que esta fique à temperatura desejada. A viabilidade do projecto está a ser estudada pelos alunos, cumprindo mais uma vez o objectivo da escola em proporcionar formação prática. Além da instalação dos painéis, os jovens estão a ajudar privados e instituições do concelho de Penamacor a obterem os registos para a produção de energia, como aconteceu com o Lar D. Bárbara Tavares da Silva.

O curso profissional funciona actualmente com três turmas, uma por cada ano. Mas a sua continuação nunca foi uma incógnita tão grande, já que nos últimos anos houve outras escolas do distrito a abrirem formação na mesma área, incluindo na cidade de Castelo Branco. Uma concorrência que é difícil de bater.

António Tomás defende que devia existir uma complementaridade entre as escolas da região, porque "não faz sentido estarmos todos a fazer a mesma coisa".

A seu favor a escola tem o facto de o curso ser pioneiro, ter provas dadas e um protocolo com a câmara municipal que permite aos alunos de fora do concelho ficarem alojados na vila

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