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Engenharias à "bolonhesa"

Tiago Gonçalves (Curso de Engenharia Mecânica, Universidade do Minho)
12:00 Sexta feira, 6 de novembro de 2009

O protocolo de Bolonha apareceu no panorama do ensino superior visando uma uniformização. Neste momento, o ensino superior nacional está praticamente todo de acordo com o protocolo de Bolonha mas existem centenas e centenas de cursos de cariz semelhante mas com designações diferentes. Será isto coerente? Para mim não. Cursos com nomenclatura de Engenharia existem por todo lado e multiplicam-se como cogumelos. Aparecem com novas designações, com nomes estranhos e com promessas de novas potencialidades e inovação.

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Esta incoerência de uniformização espanta-me, mas penso que se deve pelo menos aproveitar esta onda de Bolonha e reformular o ensino superior. O exemplo da falta de uniformização na área das engenharias é já há muito um problema conhecido de todos. Os governos já falaram dessa uniformização, mas nunca nenhum foi capaz de avançar. Na minha opinião, esta uniformização é muito necessária, principalmente nas engenharias. Todos os cursos de Engenharia deviam ser organizados em grandes grupos com ensino de base semelhante, e depois, numa segunda fase, existiria a possibilidade de escolha entre um grande leque de especializações. Esta opção seria estruturalmente positiva para alunos e para o País. Se bem pensada, esta uniformização poderia ser positiva o grupo mais sensível nesta reestruturação - os professores.

Os alunos passariam a ter uma formação de base mais forte e durante esse tempo poderiam fazer uma análise mais cuidada sobre a especialização a escolher, o país teria engenheiros mais bem formados e mais bem preparados para a vida laboral. No meio desta uniformização ter-se-ia também a possibilidade de retirar a nomenclatura de Engenharia a alguns cursos que só são Engenharia no nome e para angariar novos alunos. Com esta remodelação/reestruturação penso que tudo funcionaria melhor, se bem que durante a formação de base deveria haver uma aposta na apresentação das especializações para que a escolha seja mais exacta.

Para que isto possa ser real, "apenas" precisamos de um governo com capacidade e audácia para mudar estas coisas. Mas para muitos, quando a mudança pode afectar certos interesses, a perspectiva de deixar tudo como está é tentadora.

Palavras-chave  Blogues, Ciência
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Pois, e os interesses que se encontram na origem?
antonius09 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 9:51 | Terça feira, 10 de novembro de 2009
De há muito os profissionais de engª em Portugal estão divididos entre bacharéis e outros. Se inscritos nas organizações de classe, ANET e OE, serão respectivamente engº técnicos ou engº. Nunca as organizações de classe tiveram a coragem de se fundir e promover em conjunto com o governo uma via única em que o ensino de engenharia fosse sequencial e pessoalmente sempre acreditei que a resolução da situação só se faria por imposição externa devido à nossa pobre mentalidade. Essa oportunidade ainda não está perdida mas, está comprometida.
Nunca conseguirei compreender como é que o ministério e as escolas de nível superior abrem cursos sem dialogar com as corporações de classe nem como é que estas se arrogam o direito de impedir a inscrição de diplomados por cursos abertos pelo Estado. Neste campo parece-me que quem de direito está a fazer como pilatos e que o anterior governo evitou aqui afrontar mais umas classes profissionais e interesses corporativos. Como soi dizer-se "como eu o compreendo!" Mas... o dia terá de chegar. Há muitos cursos semelhantes mas com designações diferentes só para não se confundir um ciclo de formação com o outro... Só como imagem de status.
 
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