O protocolo de Bolonha apareceu no panorama do ensino superior visando uma uniformização. Neste momento, o ensino superior nacional está praticamente todo de acordo com o protocolo de Bolonha mas existem centenas e centenas de cursos de cariz semelhante mas com designações diferentes. Será isto coerente? Para mim não. Cursos com nomenclatura de Engenharia existem por todo lado e multiplicam-se como cogumelos. Aparecem com novas designações, com nomes estranhos e com promessas de novas potencialidades e inovação.
Esta incoerência de uniformização espanta-me, mas penso que se deve pelo menos aproveitar esta onda de Bolonha e reformular o ensino superior. O exemplo da falta de uniformização na área das engenharias é já há muito um problema conhecido de todos. Os governos já falaram dessa uniformização, mas nunca nenhum foi capaz de avançar. Na minha opinião, esta uniformização é muito necessária, principalmente nas engenharias. Todos os cursos de Engenharia deviam ser organizados em grandes grupos com ensino de base semelhante, e depois, numa segunda fase, existiria a possibilidade de escolha entre um grande leque de especializações. Esta opção seria estruturalmente positiva para alunos e para o País. Se bem pensada, esta uniformização poderia ser positiva o grupo mais sensível nesta reestruturação - os professores.
Os alunos passariam a ter uma formação de base mais forte e durante esse tempo poderiam fazer uma análise mais cuidada sobre a especialização a escolher, o país teria engenheiros mais bem formados e mais bem preparados para a vida laboral. No meio desta uniformização ter-se-ia também a possibilidade de retirar a nomenclatura de Engenharia a alguns cursos que só são Engenharia no nome e para angariar novos alunos. Com esta remodelação/reestruturação penso que tudo funcionaria melhor, se bem que durante a formação de base deveria haver uma aposta na apresentação das especializações para que a escolha seja mais exacta.
Para que isto possa ser real, "apenas" precisamos de um governo com capacidade e audácia para mudar estas coisas. Mas para muitos, quando a mudança pode afectar certos interesses, a perspectiva de deixar tudo como está é tentadora.