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Enfrentar a realidade

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 18 de março de 2010

Foi uma semana em cheio: o PS regressou de uma longa viagem ao País das Maravilhas e rasgou o programa eleitoral, Cavaco falou para dizer que não quer aventuras e o PSD percebeu que vai cair no colo de Passos Coelho.

Há semanas assim. Tudo o que se passa é relativamente previsível, mas tudo tem um ar surpreendente. Não havia uma única alma informada no país que não conhecesse o estado das contas públicas e a receita que chegaria com o PEC. Ao fim de tantos anos, duvido que houvesse alguém a pensar que Cavaco Silva era capaz de falar em dissolver o Parlamento. E apesar de não ser tão óbvio, duvido que alguém que conheça minimamente o PSD não tivesse já percebido que Pedro Passos Coelho leva vantagem sobre os adversários. Mas gostamos de viver de surpresa em surpresa.

Devíamos aproveitar o momento para assumirmos a realidade de uma vez. A questão do PEC é a mais grave. Não me preocupa muito a inutilidade das promessas eleitorais do PS, que foram esta semana oficialmente para o lixo. É certo que muitos eleitores vão dizer que foram enganados e que as contradições do Sócrates pré e pós-eleitoral são graves e risíveis. O mais preocupante é o tempo que o Governo perdeu a aceitar a realidade e a insegurança que transmite ao olhar para o futuro.

Vamos pagar mais impostos, trabalhar mais anos, ter menos serviços, privatizar o que resta e ter pensões mínimas. Tudo isto para quê? Para que daqui a quatro anos alguém nos volte a dar a mesma receita. E por aí fora.

O que me choca no PEC é a absoluta falta de visão do papel do Estado, que se resume a um caçador-recolector que vende os despojos ao desbarato. Vamos vender a REN? Sim. E alguém pensou a sério se o Estado deve vender a rede eléctrica? Vamos vender os CTT? Sim. E isso foi pensado com profundidade? Este é o problema. O Estado não sabe o que é nem o que quer ser.

No meio de um cenário tão desolador, ao menos que o Governo aproveite para fazer aquilo que pura e simplesmente não tem feito: governar. Acabe com as falsas ameaças de demissão e com as queixas da oposição. Nisso tem o apoio de Cavaco Silva.

Na sua entrevista bissexta, o Presidente mostrou que só dissolve o Parlamento se for obrigado. Até às presidenciais não fará mal algum a Sócrates e depois disso deixará qualquer iniciativa à Assembleia da República.

E é aqui que chegamos ao PSD. A actual direcção está entretida a festejar o PEC porque mostra que "afinal tinha razão", sem perceber que está no seu próprio funeral. É bom que o PSD acorde agora. Na verdade, não está atrasado. O Governo também só acordou esta semana. E Cavaco deu-lhes, pelo menos, mais um ano para dizerem o que querem de nós. Mas não se esqueçam de que agora todos conhecemos a realidade.

Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010

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DISTRIBUIR CRITICAS É FÁCIL, ALVITRAR É DIFICIL !
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos , 2:29 | Quinta feira, 18 de março de 2010
Caro Ricardo Costa

Versátil como é nas suas múltiplas funções na Comunicação Social e com a experiência adquirida na tarimba da profissão a relação com os políticos e com a sociedade em geral, os leitores como eu, ficam sempre à espera que para além dos remoques fáceis, que distribui por todos os protagonistas políticos, até aos colocados no topo de hierarquia da nação, alguma vez ao menos reflicta e alvitre, pela experiência do meio em que se envolve profissionalmente, quais as medidas mais adequadas na actual situação que o país e o mundo atravessa, para tentar minimizar a crise.

Isso é que era um bom contributo do RC para como diz em titulo: "Enfrentar a realidade".

É que todos somos o Estado e não somos demais, para dentro das nossas capacidades, corrermos o risco, de também podermos dizer disparates de como fazer melhor o PEC, as privatizações ou não e quais ?
E que alternativas escolher, para reduzir a dívida pública ?

É que como o RC sabe, os partidos da oposição apesar de terem avançado com medidas a introduzir no PEC, elas pecam por terem sempre o mesmo sentido:

+ DESPESAS - IMPOSTOS o que gera um maior DEFICITE

preconizar este tipo de medidas, quando estamos "à perna" das agências de "rating" internacionais, que podem sujeitar-nos a juros mais altos e por outro lado a termos de cumprir até 2013 os famigerados 3% do PIB no défice, é por demais evidente que as medidas previstas no PEC tem de ser, sem rodeios, penalizadoras e difíceis de cumprir.
 
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PEC
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 2:57 | Quinta feira, 18 de março de 2010
Os anéis já se fôram e os dedos estão prestes a sê-lo !
Depois de "vendidas" as empresas mais rentáveis, o que restará ?
Porque nos ocultaram a realidade e nos "venderam"
  a MENTIRA ?
Querem um exemplo, o do défice de 5.9%, MAS ANTES DAS ELEIÇÕES, NÃO VIESSE O DIABO E LEVASSE MILHARES VOTOS AO PS PARA OUTRAS FORÇAS POLÍTICAS !
E é ou não verdade, ao contrário do que o Governo nos teima em impingir, com este PEC, de que há aumento de impostos para todos e não só para os RICOS ?
Será que não haveria outras medidas mais justas ?
E já imaginaram, quanto os pensionistas não vão ver reduzidas as suas pensões com a eliminação da DEDUÇÃO ESPECÍFICA, NESTE MOMENTO NO MONTANTE DE SEI MIL EUROS ?
Significa isto, que a base de imposto passa a incidar em mais 6 mil euros.
Façam as contas, e vejam quanto não virão a pagar mais em 2011...
E senão se inverter a situação, preparemo-nos todos para muito em breve um novo PEC, que esgotará todos os furos do cinto...
 
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Ricardo Costa
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:38 | Quinta feira, 18 de março de 2010
Sómente lhe digo isto É DEMOCRACIA?
Agora alguem entenda como quiser.
Cumprimentos.
 
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Com qualquer PEC...
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 18:14 | Quinta feira, 18 de março de 2010
Cavaco não pode pensar de maneira diferente. Têm uma reeleição a menos de um ano.
A democracia é mesmo uma chatice…36% dos portugueses pensam que Socrates é a melhor solução para PM.
Mas se o PSD, o CDS, o BE e a CDU tiverem uma visão em consonância com esta, é fácil! Basta uma moção de censura e já está. Não necessitam de fugir para debaixo das calças do presidente da república.
Quando Jorge Sampaio dissolveu o parlamento existia na altura uma maioria na assembleia, mas como a realidade provou, ela só existia na assembleia. Agora temos a situação contrária. O PR bem pode demitir o governo e ir para eleições, que segundo as sondagens o resultado não seria significativamente diferente (e se o fosse seria em vantagem para Sócrates) de Setembro ultimo. Como tal…querem um resultado diferente? Arranjem melhores alternativas a Sócrates, pois com as que têm, ou com uma das putativas no PSD…não vão lá de certeza absoluta! É que os portugueses ainda se lembram bem do problema que arranjaram quando Guterres bateu com a porta.
 
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MAS HÁ MAIS...
NSant (seguir utilizador), 1 ponto , 16:32 | Quinta feira, 18 de março de 2010
FAZ TAMBÉM PARTE DA REALIDADE AS SUCESSIVAS CAMPANHAS DA EXTREMA DIREITA/GRANDES GRUPOS DE OPINIÃO INCLUÍDOS, SEM ALGUMA PROVA A NÃO SER CONJECTURAS E PRESUNÇÕES, PARA TORNAR O PAÍS INGOVERNÁVEL!

AINDA FAZ TAMBÉM PARTE DESTA REALIDADE O SILÊNCIO INSTITUCIONAL À VOLTA DA QUADRILHA PARTIDÁRIA QUE FUNDOU E ADMINISTROU O BPN!

ENFIM, DR. RICARDO, UM PSD - O SEU PARTIDO - SAUDÁVEL SERÁ ÓPTIMO PARA O PAÍS - MAS NÃO SERÁ NENHUMA SURPRESA O DR. PASSOS COELHO SER O OITAVO A PRAZO - O RANGEL "LIXOU" TUDO AO VER QUE EM BRUXELAS TINHA MESMO DE TRABALHAR NO DURO E CÁ, QUAL PRIMA DONA (tem caixa de ar, bom timbre de tenor, etc...) FARÁ COMO EXCELENTE PAPAGAIO QUE É, COM QUE NÃO HAJAM SURPRESAS! O SANTANA AINDA MEXE E MEXE MUITO, BEM COMO O MARCELO!
É UMA PENA!

SEJA FELIZ
 
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