Para os académicos, as rendibilidades das acções pouco têm a ver com o sexo do líder da empresa. Justin Wolfers, da Universidade da Pensilvânia, estudou o fenómeno do género nos retornos bolsistas, entre 1992 e 2004, no trabalho "Diagnosing Discrimination: Stock Returns and CEO Gender" e concluiu não haver "diferenças sistemáticas de rendibilidades detendo acções de empresas lideradas por mulheres", mas os mercados financeiros passaram ao lado das conclusões durante os últimos dois anos de crise.
Se 2008 foi um ano negro para as empresas estado-unidenses geridas por mulheres no conhecido ranking da revista Fortune que agrega as 500 maiores companhias da principal economia do mundo (Fortune 500), desde 2009 os retornos médios na bolsa têm ultrapassado os produzidos pelas empresas geridas por homens.
As 15 empresas que têm mulheres na liderança produziram um retorno médio de 58,53% para os investidores na bolsa, desde Janeiro de 2009, enquanto o índice S&P 500 não foi além de uma rendibilidade de 32,88%. No ano de 2008, as mulheres tinham perdido para os homens com um retorno médio 4 pontos percentuais abaixo do índice geral.
Contudo, os números agregados escondem diferentes desempenhos. Por exemplo, a empresa que está no lugar 27 entre as maiores companhias dos EUA, a Archer Daniels Midland, de produtos agrícolas, gerida por Patricia Woertz, subiu apenas 11,65% na bolsa de Nova Iorque desde o início de 2009, enquanto o índice S&P 500 escalou mais de 32%. Já a DuPont, que opera em diferentes ramos, como a agricultura e a electrónica, tem superado melhor a crise. Desde 2008, a empresa caiu 5%, mas perdeu menos que o mercado que nesse período desceu 12,50%.