"Estas eleições provam que há dois partidos com grande implantação autárquica, o PS e o PSD; um partido, o PCP, com uma implantação bastante significativa; e dois partidos, o CDS e o BE - eu não quero ser ofensivo - que não existem". Tirando o estilo (de quem gosta assumidamente "de malhar"), a declaração do socialista e ainda ministro Augusto Santos Silva, traduz uma realidade: os partidos de Paulo Portas e Francisco Louçã, que quase duplicaram o seu peso eleitoral nas legislativas, voltaram a mirrar nas autárquicas.
Quando estavam dois terços de câmaras apuradas, 0 PS já tinha ganho 100 câmaras, o PSD 91 e a CDU 22. O CDS e o Bloco ficavam-se por uma câmara cada, embora o partido de Portas tenha a somar ao seu resultado isolado os ganhos que obteve coligado com o CDS.
O coordenador autárquico do BE, Pedro Soares, reconheceu ser "muito difícil" o partido eleger qualquer vereador em Lisboa ou no Porto, dois distritos onde o crescimento do Bloco nas legislativas se esfuma agora, nas eleições locais.
João Almeida, secretário-geral do CDS, congratulou-se, apesar de tudo, com o facto de o partido estar perto de atingir três objectivos: "mais vereadores, mais deputados e em mais concelhos". O partido de Portas não crescia em autárquicas há mais de 15 anos.