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OPINIÃO

Eliminar os telemóveis nos carros

Não é com tédio que se resolvem os problemas do mundo.

Luís Pedro Nunes (www.expresso.pt)
8:00 Domingo, 8 de novembro de 2009

Um avião da Northwest Airlines ignorou os apelos do aeroporto de Minneapolis onde devia aterrar e seguiu durante mais 250 quilómetros em linha recta. Temendo que o aparelho tivesse sido tomado por terroristas, caças prepararam-se para levantar. Finalmente os pilotos responderam estremunhados e deram meia volta. Durante dias especulou-se se estariam ambos a dormir no cockpit. Finalmente na semana passada admitiram: estavam tão entretidos nos seus laptops que não ouviram as comunicações e o avião seguiu em piloto automático.

Os pilotos lá foram suspensos pelas autoridades aeronáuticas e ficámos todos descansados pois não havia nem terroristas nem peças com problemas estruturais, coisas que fazem cair aviões. Treta. A causa de muito acidente neste mundo é tédio. Não ter os sentidos apurados e adrenalina a bombar. O problema é que os dois homens - altamente especializados - estavam aborrecidos de morte de ir ali sentados sem nenhum botãozinho para carregar e nada para apalpar que as políticas antiassédio sexual dos americanos não estão pelos ajustes.

Tédio e pilotagem é uma má combinação. De alguma forma é similar quando vamos, num domingo à tarde, numa auto-estrada novinha e vazia num carro que garante dar 260 e por uma jura ao santo protector das multas lá seguimos ajuizadamente a ronronar à velocidade legal.

Longe vai o tempo em que antes de uma viagem o pai demoradamente revia as condições gerais da viatura e calçava as luvas de cabedal sem dedos depois de ter deixado o motor a trabalhar uns minutos e arrancávamos na EN. Conduzir exigia mestria, esforço e dedicação.

Hoje o acto de conduzir na auto-estrada em longas viagens foi destituído desse stress - claro que para compensar há a raiva de condutor matinal, aquela coisa de querer esventrar o tipo da frente, ou de ficar a espumar por casa do fulano que nos fechou na fila de uma hora, mas é diferente - isso é Ira-IC19 ou Esgana da Circunvalação. Mas a esta falta de adrenalina 'por ir conduzir' junta-se o 'mito' do 'automultitasksimo'. É verdade que tal como muitos já não falo ao telemóvel sem um auricular porque dá muito nas vistas à polícia e as multas estão caras mas, para entretenimento de viagem e em contrapartida, posso pôr o carro em cruise control a 120 e comer uma sandes de leitão e beber uma Coca-Cola Zero (meros 'actos inibidores da condução' no jargão policial), ver TV no 3G, mandar sms a dizer o que estou a fazer, fazer uploads de fotos no Facebook comigo a conduzir e a comer, e dar uma twittada para irem ver a foto no meu Facebook, e depois para fazer a digestão dos actos inibidores e ver o filme Velocidade Vertiginosa II na PSP, o que torna a condução muito menos aborrecida, ao contrário dos pilotos da Northwest que estavam circunscritos ao laptop sem net.

A questão dos sms durante a condução é um problema de difícil controlo pelas autoridades. A repressão é complexa, apenas na Grã-Bretanha é levada á sério - e as campanhas de sensibilização são praticamente inexistentes. Os especialistas em questões rodoviárias dizem que responder ou ler um sms equivale a tirar os olhos da estrada seis segundos. Seis segundos são uma eternidade.

É um fenómeno transgeracional. De repente o carro da frente passa inexplicavelmente de 110 para 90 na faixa central sem toque de travões e respectivo sinal de luz traseira (foi apenas o acelerador que deixou de ter 'gás"). E lá está o/a imbecil a responder a um sms. Ou seja, a olhar para o entrepernas e a dedilhar sem prestar peva à estrada.

A minha proposta, e que me parece de uma sensatez intocável, é a seguinte: quem decidir entregar o telemóvel antes de começar viagem tem direito a ir a 160 pois irá atento, focalizado, centrado com toda a sua atenção na estada. Quem não prescindir do aparelho terá que se ficar nos 110 sempre na faixa mais à direita. Parece-me que é um começo.


Repressão Há já um caso britânico de condenação a prisão efectiva a 21 meses numa prisão alta segurança por troca de sms durante uma viagem que acabou num acidente que provocou a morte de uma jovem na estrada. E provou-se que a distracção na condução foi provocada pelo toque de uma mensagem a chegar e não pela escrita de uma.

Texto e vídeo do NYT publicado esta semana

Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Novembro de 2009

 

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Electrónica
Miranda07 (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 12:07 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Nao estou de acordo com a proposta final (acho que nao vai funcionar), mas penso que este artigo de opiniao merece ser candidato a um Pulitzer. Está mesmo excelente. Mas o interesse que no mesmo vejo passa em grande medida pela questao de fundo associada com a conducao: enquanto a accao humana nao for passivel de ser completamente eliminada das estradas (e possivelmente nunca sera), o excesso de electrónica e de conforto nos automóveis de agora é, de facto, um perigo. Um condutor que nao se canse um pouco no acto de conduzir, deixa de ser condutor e passa a ser um grande perigo. A conducao, de facto, exige uma simbiose com a máquina e uma total atencao as circunstancias em que se conduz. Conduzir a dormir, por definicao, é o maior de todos os perigos. E de facto: que me adiante conduzir um veículo cheio de distraccoes se, mormemnte por causa delas, distraindo-me para lá do concebível, acabo por ir direito contra algum obstáculo? E para isso, é bem sabido, bastam apenas algumas fraccoes de segundo de distraccao. Absolutmente. Por isso: um condutor que fala ao telemovel enquanto conduz comete uma séria infraccao e deve ser punido; um condutor que, ao mesmo tempo que conduz, escreve um SMS, nao viola apenas a lei da conducao: viola a lei da razao e, acima de tudo, a lei do respeito pela vida dos outros e pela sua prórpia. Logo: o crime de enviar SMS enquanto ao volante do que quer que seja que se mova (tirando o triciclo e a carroca) pode ser crime pior do que andar a 200 Km/h.
 
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Se o avião não tivesse mesmo telefones...
ManuelVilarinhoPires (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 10:48 | Domingo, 8 de novembro de 2009
...teria sido abatido, porque o a hipótese de ter sido tomado por terroristas teria sido tomada por boa.
Desde que há uns anos fui multado 2 vezes (48 contos no total) no espaço de 15 dias, passei a ter e usar sempre alta-voz no automóvel.
Mas a última vez que fui multado ia a falar com alta-voz e por isso esqueci-me de reduzir de 83 para 50 num local onde passava todos os dias e sabia que havia quase sempre radares.
Mas o telemóvel foi a maior invenção da humanidade depois dos sinais de fumo.
 
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    Re: Se o avião não tivesse mesmo telefones...    Ver comentário
mpreto (seguir utilizador), 2 pontos , 12:42 | Domingo, 8 de novembro de 2009
    Re: Se o avião não tivesse mesmo telefones...    Ver comentário
ManuelVilarinhoPires (seguir utilizador), 2 pontos , 13:23 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Por que será ...
António Da Rocha (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 11:48 | Domingo, 8 de novembro de 2009

... que os assuntos sérios só ganham seriedade quando nos tocam na pele? ou, por outras palavras, quando nos ferem na carne e na alma?

Que culpa tenho eu, condutor responsável e cumpridor das regras de segurança - que só por coincidência, algumas vezes têm alguma coisa a ver com a "legislação aplicável" - que um aparente condutor, mas seguramente um irresponsável, que se mostra incapaz de compreender que leva nas mãos uma máquina de morte, à qual não presta qualquer atenção e, por isso, vem "para cima de mim", dando-me cabo da vida, mesmo que não me cause, no meu corpo, qualquer ferimento sério?

Quantas pessoas já morreram e quantas outras já ficaram estropiadas só porque algum anormal desatento não parou num cruzamento, num semáforo, ou numa auto-estrada onde o trânsito automóvel se faz em movimento lento?

Não é uma questão de legislação, de proibição "vinda do exterior" de cada um: é uma proibição interior!

Mas isso não de admira muito por aí além: somos dos povos da Europa que menos interioriza os conceitos de "prevenção de riscos", porque somos verdadeiramente inconscientes, ...o que significa que nem sequer chegámos ao patamar de "ignorantes"

Cumpts

Cumpts
 
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    Re: Por que será ...    Ver comentário
llex (seguir utilizador), 1 ponto , 17:08 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Tudo passa
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 9:43 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Pelo civismo e responsabilidade de cada um.
 
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Este caso é esquisito, mas daí a eliminar...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:22 | Domingo, 8 de novembro de 2009
... os telemóveis dos carros ou seja do que for - para além das saulas de aula e, já agora, de operações cirúrgicas - vai uma enorme distância. Afinal de ocntas, o telemóvel foi criado para nos desprender dos locais e só o usa mal quem quer. Este caso é de irresponsabilidade total, mas onde é que ouvi que os teleles eram proibidos a bordo, pelo menos ligados?
 
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Telemóvel
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:33 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Muitos dos portugueses, continuam a utilizar o telemóvel, quando conduzem o seu veículo.
È uma irresponsabilidade, e devia ter uma punição mais severa.
 
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    Re: Telemóvel    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Domingo, 8 de novembro de 2009
e também...
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 15:15 | Domingo, 8 de novembro de 2009
os Tom Tom's...
Tudo factores de grande distracção.
 
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    Re: e também...    Ver comentário
ManuelVilarinhoPires (seguir utilizador), 1 ponto , 20:21 | Domingo, 8 de novembro de 2009
    Olhar para o GPS    Ver comentário
Péricles Pinto (seguir utilizador), 1 ponto , 14:06 | Segunda feira, 9 de novembro de 2009
o uso do telemovel
pastor51 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 15:34 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Ao volante, acho que a nossa GNR,não actua mesmo nas estradas,porque só se vé pessoal a conduzir ia falar ao telemovel,é uma pouca vergonha,tambem acho que são mais condutores do sexo femenino que tem essa mania, depois os acidentes estão sempre a acontecer,neste pais de IRRESPONSAVEIS,a unica coisa a fazer é NÃO RESPONDER A UMA CHAMADA DE TELEMOVEL SE ESTAMOS AO VOLANTE,o bem dos telemoveis é que guarda sempre registado o numero da ultima chamada,por isso quando se poder ligar á pessoa liga-se,e pronto é simples só quando estiver com o carro parado é que se pode falar ao telemovel,não é dificil de compreender,anda para ai a maior parte DOS CONDUTORES A FALAR AO TELEMOVEL E A CONDUZIR O VÉICULO,não veem que é perigoso para eles mas AINDA MAIS PARA QUEM ESTÁ A FRENTE DESSES CONDUTORES,eu não suporto ver alguem que conduz o seu véiculo e vai sempre a toda avelocidade nem sequer para,o mal é para quem está a frente destes condutores IRRESPONSAVEIS!!!!!eliminar os telemoveis não, MULTAR FORTEMENTE O CONDUTOR QUE VAI A CONDUZIR E A FALAR AO TELEMOVEL SIM,+porque todos sabemos é PERIGOSO AU VOLANTE FALAR AU TELEMOVEL
 
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Atenção ao português, sr. jornalista.
user178221 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:37 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Não existe em português o verbo "bombar". Mas sim BOMBEAR.
Nuno Costa
 
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    Re: Atenção ao português, sr. jornalista.    Ver comentário
mpreto (seguir utilizador), 1 ponto , 14:59 | Segunda feira, 9 de novembro de 2009
Se a monotonia cansa...
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 19:38 | Domingo, 8 de novembro de 2009
...então com as inenarráveis barreiras sonoras ou seja o que for que agora plantaram ao longo das auto-estradas, então é que se perdeu de vez o Norte...

Uma pessoa entra no betume e tanto pode estar no Entroncamento ou a entrar na via do Infante : a paisagem são aquelas barreiras esquisitas de um lado e doutro da estrada.

Para além de tornar a viagem mais perigosa e cansativa, aquilo realmente serve para alguma coisa?
Duvido, mas que eu gostava de ser o dono da fábrica que produz aquelas coisas, lá isso gostava...
 
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TMs nos carros
patricio branco (seguir utilizador), 1 ponto , 11:29 | Domingo, 8 de novembro de 2009
eliminar é impossivel. proibir o uso enquanto se conduz é correcto.
desligue-se o tm quando entramos no carro, será essa a melhor regra.
 
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Para grandes males,
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 11:29 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Face às paragens em locais perigosissimos feitas por acefelos: a resolução do problema, passa pela proibição, desculpem-me os cidadãos conscientes.
 
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Parabéns ...
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Domingo, 8 de novembro de 2009
ao Luis Pedro Nunes.
Teve o condão de falar de um assunto extremamente sério e vital, de um modo simples e bem directo à questão.
As "coisas" que se vêem nas estradas deixam qualquer um de cabelos em pé... Ás vezes, nem têm nada a ver com telemóveis...É desrespeito total pelas regras do Código e o pior pelas regras da própria vida!
 
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Só se conseguirá parar o hábito de utilizar ...
aformiga (seguir utilizador), 1 ponto , 13:33 | Domingo, 8 de novembro de 2009
... o telemóvel quando ao volante de uma viatura, se for aplicada uma sanção que iniba de conduzir por 6 meses a um ano.

Já vi de tudo, desde condutores de automoveis, camions carregados, autocarros e até de polícias nos carros da Polícia.

Quando é a Autoridade a prevaricar ... pode concluir-se que ... o "santo é cego"!
 
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    Re: Só se conseguirá parar o hábito de utilizar ..    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Domingo, 8 de novembro de 2009
Monolugares ou telemóveis?
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 13:34 | Domingo, 8 de novembro de 2009
hmm... a proposta não é intocável. Ninguém vai desistir do telemóvel para andar nos 160. Se subir para 180, acho que terá negócio.

Mas na Grã-Bretanha condenaram alguém a mais de um ano de prisão só porque alguém se distraiu com um toque de recepção? Parece-me rebuscado de mais, para mais quando sinais sonoros distractivos existem muitos... não posso ver aqui nenhum pecado original dos telemóveis, senão a presença de um pendura com a sua conversa, podia ele próprio ser argumento para acidentes e logo razão para que um carro não devesse levar mais de uma pessoa, ao arrepio de tudo o que se defende. O mais provável é que independentemente do que possa ter causado o acidente, o acusado foi condenado por morte por negligência, não pela presença de elementos potencialmente perturbantes, mas por incompetência de lidar com eles. Em outras palavras, o crime punido não teria estado no eventual uso do telemóvel, mas na distracção.
 
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