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Educação Moral e Religiosa Católica

12:00 Quinta feira, 26 de junho de 2008

No final de cada ano escolar temos sempre o renovar de pedidos encarecidos de inscrição de alunos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC.

Esta "peregrinação" (no seu próprio direito) por parte das "autoridades religiosas" tem se tornado cada vez mais declarada, e mais estridente, resultado, quiçá, de uma progressiva perda de influência nas escolas e junto aos encarregados de educação dos jovens em idade escolar.

Mas não satisfeitos com essa estratégia, tem-se verificado este ano uma linha de argumentos expressos mais descaradamente e que deixam em muito preocupado qualquer membro da sociedade portuguesa, e especialmente da comunidade educativa.

Em poucos meses tivemos o Bispo de Bragança-Miranda, D. António Montes a afirmar que "o querer retirar a disciplina do sistema de ensino, a pretexto de uma liberdade religiosa mal entendida, leva a que o ensino acabe por ter falta de pontos de referência e de análise crítica. É necessário que os conselhos executivos e os professores encarregados de acompanhar as inscrições e matrículas adoptem uma posição, pelo menos, de neutralidade. O ideal era que colocassem uma posição de abertura porque o ensino da educação moral religiosa católica ou outra, na prática, acaba por ser o único fórum onde se pode reflectir sobre o sentido da vida." É revelador saber que o Sr. Montes sugerir que "pelo menos" a posição daqueles que estão encarregues das matrículas seja de neutralidade.

Este "pelo menos", mostra bem quais seriam as indicações reguladoras se dependesse da Igreja Católica. O Sr. Montes afirma que retirar a EMRC do sistema de ensino "leva a que o ensino acabe por ter faltas de pontos de referência e de análise crítica". De qu? o Sr. Bispo não diz. De qualquer forma Não conheço (e tenho procurado) algum estudo científico que mostre que os alunos que tenham EMRC tenham melhorias nessas qualidades quando comparados com quem não tenha a mesma disciplina. Quanto à afirmação que a o "ensino de educação moral religiosa é (...) único fórum para reflectir sobre o sentido da vida" é de uma arrogância e falta de entendimento do mundo natural atroz. O "sentido da vida" pode-se facilmente depreender da nossa posição individual num mundo regulado por fenómenos naturais, onde a sociologia, a psicologia, a cultura dominante, as relações intra-pessoais, a beleza do que nos rodeia serve perfeitamente para explicar a nossa existência.

E se esta opinião for muito optimista, ao menos pode ser considerado igualmente como um "fórum" onde se pode discutir estes temas filosóficos.

Igualmente o bispo de Leiria Fátima, D. António Marto proferiu que os pais "não devem nunca abdicar desta sua responsabilidade educativa e de escolha dos seus filhos", que são as aulas de EMRC. Esta justificação prende-se pelo facto de o processo educativo de um jovem estar necessariamente associado, para o alcançar de um "formação integral", à frequência destas aulas. E esta recomendação, na opinião do Sr. Marto é "para todas as crianças, adolescentes e jovens". Onde "todas" é a palavra operativa. Aparentemente para o Sr. Marto, as outras disciplinas que os alunos têm na escola não são mais do que pequenas peças de um puzzle, que só fazem sentido aquando de um enquadramento "moral e religioso". A este processo chama-se totalitarismo! Quando o desenvolvimento do conhecimento só é "integral" quando é visto pelo prisma religioso (e muitas vezes dogmático) não pode haver um verdadeiro espírito crítico e de análise.

Mas e talvez mais preocupante, foram recentes declarações do D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu, que afirmou que "os educandos e/ou os encarregados de educação devem querer, escolher e exigir do Estado a educação moral religiosa, católica ou não", afirmando mesmo que o mostrar-se "indiferente, neutro ou rejeitar positivamente esta opção é uma responsabilidade que não é própria de educadores que procuram e querem o melhor para os seus educandos". Com esta frase, fica-se a saber que o bispo de Viseu considera que educadores que sejam ateus, agnósticos, ou secularistas "não procuram, nem querem, o melhor para os seus educandos". Na opinião do Sr. Leandro, todas os agentes educativos que não estejam em sintonia com as "necessidades educativas" que são determinadas pela igreja, são "maus" pais", "maus encarregados de educação", ou "maus educadores".

Por falar em responsabilidades menos próprias, definitivamente uma delas passa pelos "líderes espirituais" portugueses desenvolverem os seus argumentos de uma forma convincente da importância (se houver) da EMRC, e não de insultar, chantagear, ou dizer mentiras para as suas congregações e para aqueles que estão fora das mesmas.

Ricardo Silvestre, Amadora

 

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Moral e Religiosa
acps (seguir utilizador), 1 ponto , 22:57 | Quinta feira, 26 de junho de 2008
Para mim foi muito útil a disciplina de Educação Moral e Religiosa. Foi nesta disciplina que tirei muitas dúvidas... Muitas delas até não tinham nada a haver com a Religião Católica.
Na minha opinião todos os alunos deveriam participar nesta disciplina, não dá trabalho nenhum, basta participar. É uma maneira de nos libertar da nossa opressão.
 
 Regras da comunidade
não por raciocínio nem por evidência
Candelaria (seguir utilizador), 1 ponto , 2:29 | Sexta feira, 27 de junho de 2008
Caro Sr. Ricardo Silvestre, o “prisma religioso”, como diz, não é só “muitas vezes dogmático”, tem de o ser sempre, por definição da própria Igreja Católica:
Fé = “estado mental que aceita proposições, não por raciocínio nem por evidência, mas sim por respeito à autoridade”.
Já que mostra interesse por estes assuntos, sugiro-lhe a leitura da Enciclopédia Católica.
Trata-se de um dos mais perfeitos tratados de imoralidade e de crueldade que já li, sendo, nesse aspecto, educativo: conhecer o mal é o meio mais seguro de o evitar.
 
 Regras da comunidade
Religião e Moral é uma opção não uma obrigação
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 0:06 | Sexta feira, 4 de julho de 2008
Recordo-me que no tempo da ditadura as aulas de Religião e Moral eram obrigatórias e quem tivesse mais do que 3 faltas chumbava o ano. As aulas eram dadas por um padre (diziam que salvou a imagem de uma santa aquando do incêndio da igreja de s.domingos em Lisboa) que nas aulas dizia aos aluno "se não estivessem com atenção nas aulas ele tinha muito poder nas reuniões para atribuição das notas no fim dos períodos" e questionava os aulos que não eram baptizados pela Igreja católica. Eu com mêdo fui dizer aos meus pais que tiveram que me baptizar quando eu tinha uns 15 anos de idade...
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