O diagnóstico está feito. O mundo assiste à maior crise mundial e à primeira verdadeiramente global.
A banca Portuguesa resiste, aparentemente, imune a grandes danos, o que parece dever-se à perspicácia da maioria dos nossos gestores e, simultaneamente, à natureza de um país que vive numa constante necessidade de captar investimentos, não tendo, portanto, liquidez suficiente para grandes riscos em fundos especulativos.
No entanto, procuram-se, agora, razões e culpados para tal surpresa nos mercados globais. Em especial, para justificar a falha dos grandes Gestores a nível mundial que eram, até ontem, admirados.
A maioria dos "especialistas" aponta como razões: os produtos "tóxicos" aliados a uma deficiente regulação, uma excessiva cumplicidade/dependência das empresas de rating, em conjunto, claro está, com gestores fraudulentos e desprovidos de ética.
Tudo isto, devidamente "encoberto" sob uma imensa complexidade, isentando de culpa os Administradores e Gestores, que apesar da sua competência não conseguem entender "o fenómeno".
É verdade, que estes produtos não são de análise literal . O seu entendimento obriga a um trabalho sistemático e ao domínio de múltiplos saberes (em especial, quando suportados no crescimento de laranjas ou na falência de empresas).
Agora, complexos não são. É necessário algum nobreza no uso das palavras.
Complexo é construir uma ponte de vários quilómetros sobre um rio que não seja destruída na primeira enxurrada.
Complexo é edificar um arranha céus que não seja destruído ao primeiro terramoto.
Complexo é enviar uma sonda a Marte sem que esta se despenhe ao sair da órbita.
Complexo é entender profundamente o que os clássicos nos quiseram ensinar.
Complexo é pintar como "ninguém", as meninas, tal como fez Velásquez.
Justificar a falha, evocando a complexidade "do fenómeno" apenas serve para esconder a inabilidade dos altos responsáveis na identificação da boa e da má moeda. É a atitude de um mau estudante.
E se "o fenómeno" é assim, de facto, tão complexo, mandava o bom senso não fazer investimentos.
Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL
e Presidente do Conselho de Administração da Holos