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É tão complexo que até entendo!

15:00 Sábado, 27 de dezembro de 2008

O diagnóstico está feito. O mundo assiste à maior crise mundial e à primeira verdadeiramente global.

A banca Portuguesa resiste, aparentemente, imune a grandes danos, o que parece dever-se à perspicácia da maioria dos nossos gestores e, simultaneamente, à natureza de um país que vive numa constante necessidade de captar investimentos, não tendo, portanto, liquidez suficiente para grandes riscos em fundos especulativos.

No entanto, procuram-se, agora, razões e culpados para tal surpresa nos mercados globais. Em especial, para justificar a falha dos grandes Gestores a nível mundial que eram, até ontem, admirados.

A maioria dos "especialistas" aponta como razões: os produtos "tóxicos" aliados a uma deficiente regulação, uma excessiva cumplicidade/dependência das empresas de rating, em conjunto, claro está, com gestores fraudulentos e desprovidos de ética.

Tudo isto, devidamente "encoberto" sob uma imensa complexidade, isentando de culpa os Administradores e Gestores, que apesar da sua competência não conseguem entender "o fenómeno".

É verdade, que estes produtos não são de análise literal . O seu entendimento obriga a um trabalho sistemático e ao domínio de múltiplos saberes (em especial, quando suportados no crescimento de laranjas ou na falência de empresas).

Agora, complexos não são. É necessário algum nobreza no uso das palavras.

Complexo é construir uma ponte de vários quilómetros sobre um rio que não seja destruída na primeira enxurrada.

Complexo é edificar um arranha céus que não seja destruído ao primeiro terramoto.

Complexo é enviar uma sonda a Marte sem que esta se despenhe ao sair da órbita.

Complexo é entender profundamente o que os clássicos nos quiseram ensinar.

Complexo é pintar como "ninguém", as meninas, tal como fez Velásquez.

Justificar a falha, evocando a complexidade "do fenómeno" apenas serve para esconder a inabilidade dos altos responsáveis na identificação da boa e da má moeda. É a atitude de um mau estudante.

E se "o fenómeno" é assim, de facto, tão complexo, mandava o bom senso não fazer investimentos.

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Presidente do Conselho de Administração da Holos

Palavras-chave  opinião, pedro, banca, sousa, holos, complexo
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É tão complexo que até entendo!
Álvaro Faria (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 11:39 | Sábado, 27 de dezembro de 2008
Pois canté, Pedro. Como disse Teixeira de Pascoaes, "Complexo, em Biologia, quer dizer Perfeito"; hilariante, ou talvez não! O neo-liberalismo económico ofereceu-nos um presente perfeito, luxuosamente embrulhado, e nem se esqueceu do cartãozito com a mensagem: "Limpem-se agora desta complexa imundície global". Toda a corja de gestores corruptos, de políticos miópticos e governantes ambiciosos, subscreveu. Enquanto digerem o produto do lauto banquete, esses mesmos defensores do complexo neo-liberalismo, berraram em uníssono, quais membros de um comité central stalinista, pelas perfeitas nacionalizações por iniciativa do Estado!
Acautelem-se senhores. O conformismo patente na "se foi para ver tanta desgraça, ..., antes fosses ceguinha", não é opção. A palavra, a cantiga e a justiça são armas que usaremos, na luta pelo nosso pão, pela nossa paz, pela nossa educação, pela nossa democracia e pela nossa liberdade! ... e se for caso disso - a História ensina-nos - iremos até onde nos exegirem!

Álvaro Oliveira de Faria

General Manager
SAS Portugal – SAS Institute Software, Lda.
Lisboa - Portugal
mailto:alvaro.faria@por.sas.com
 
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Relatos de uma recessão anunciada
pedrinha.rolante (seguir utilizador), 1 ponto , 0:08 | Segunda feira, 29 de dezembro de 2008
A queda do muro de Berlim, abriu as portas a uma serie de acontecimentos políticos, sociais e económicos, sem precedentes.
A contenção provocada pela Guerra Fria entre a EUA e a URSS, foi desaparecendo com a implementação das revolucionárias políticas de Gorbachov, Glasnost e Perestroika.
O capitalismo americano como sistema vitorioso, ganhou a confiança de todos sendo implementado por uns países e adaptando por outros, à nova ordem mundial adicionou-se um efeito bola de neve de crescimento económico notável.
Os anos 90, foi a época de ouro da economia Americana, sem ter que provar a sua superioridade, e com os seus principais concorrentes económicos doentes (Japão e Europa), foi crescer sem qualquer tipo de reservas ou precauções.
Com este crescimento acelerado, nem os mais cautelosos, conseguiram impor as suas políticas de sustentabilidade de longo-prazo. Apesar das pequenas crises, de salientar a de 2003, o crescimento foi galopante, o S&P500 de 1990 a 2007 cresceu 4,5 vezes o seu valor de 350 para 1560 pontos.
Em resposta ao ataque terrorista de 11/9/2001, a FED desceu as taxas de juro, minorando assim o impacto. Este acto impulsionou ainda mais a economia, especificamente o imobiliário, acelerando ainda mais o efeito de bola de neve que já vinha dos loucos anos 90.
Em 2007 inicia-se uma correcção profunda a este largo movimento expancionista. O sector imobiliário e consequentemente o financeiro são os principais actores desta trágica novela, que se alastrou a toda a economia.
A globalização e liberalização dos fluxos financeiros levaram a que uma correcção localizada nos EUA, se propaga-se como uma epidemia a todo o mundo.
De uma correcção a um sector específico em 2007, passamos directamente para uma recessão global em 2008, e uma mais que provável depressão em 2009.

pedrinha
http://pedrinharolante.bl...
 
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Astucioso
Humesmo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:14 | Quinta feira, 1 de janeiro de 2009
O objectivo principal da globalização foi ampliar os mercados e portanto os lucros das empresas de maior dimensão.
A crise actual mostra que também é óptima para distribuir os prejuízos.
Convenhamos que é um pensamento muito “elaborado”: mais lucros para nós no dia a dia e, caso isto corra mal, distribuímos os prejuízos.

Pintamos tudo com o maravilhoso acesso de todos aos produtos e informação, umas pitadas de nova burguesia em países de extrema pobreza e corrupção a balde por toda a pintura. E temos um quadro complexo.

Tão complexo que nem governantes nem poder económico fazem ideia de qual o rumo a tomar!
Navegar ao sabor dos ventos é que está a dar...
 
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Simplicidade
Taynar (seguir utilizador), 1 ponto , 4:21 | Terça feira, 20 de janeiro de 2009
Com certeza, a complexidade disso tudo atinge uma simplicidade absurda e sardônica. Mas como sempre, é tão mais confortável jogar a culpa em cima de explicações que possam levar pra longe o peso que cairia em nossas costas, ou limparia nossa conta bancária.
Complexo, mas ao mesmo tempo tão simples.
 
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