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E que tal um pouco de responsabilidade?

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 3 de dezembro de 2009

Um mês e um dia. Foi o tempo necessário para o Governo averbar a primeira derrota em toda a linha no Parlamento. Passavam poucos minutos da uma da tarde de ontem quando os votos da oposição enterraram por um ano a entrada em vigor o Código Contributivo. Esta foi a votação que mais atenções congregou, pelo simbolismo, importância e dúvidas que o novo Código carregava às costas. Mas no meio da confusão foram aprovadas muitas outras coisas.

Os indícios são assustadores: a oposição aprovou na quinta e sexta-feira medidas "anticrise" (belo nome) que podem ter um impacto complicado nas contas do Estado. E já anunciou publicamente um número de medidas com consequências directas bem mais complexas. Assim, de uma assentada.

Não ponho em causa a justiça das medidas apresentadas e admito que muitas possam ter um impacto directo no combate à crise e na recuperação da economia. Mas aquilo que se pede à oposição e ao Governo é um pouco de responsabilidade. E já agora, que não brinquem com o que resta do nosso dinheiro.

Neste momento não deve haver um único português que ainda acredite que não vai pagar mais impostos daqui por um ano ou dois. As contas do Estado estão de rastos e o país é um arremedo de qualquer coisa que não chega a ser um país. Não existe a menor esperança ou optimismo. E a verdade é que não há razões para haver.

Entre a forma irresponsável como o Governo nos apresenta linhas de TGV ou auto-estradas e a ligeireza com que a oposição aprova leis com impacto orçamental, venha o diabo e escolha. É verdade que estivemos seis meses em campanha, mas era bom que a longa festa acabasse.
Não se pede unanimidade aos partidos da oposição e ao Governo. As diferenças políticas são fundamentais. Mas pede-se responsabilidade, só isso. É bom que todos compreendam que o país vive num estado catastrófico, numa crise internacional sem fim à vista e com o Dubai a dar uma ajudinha à festa.

P.S. - Para quem ainda tinha dúvidas, já se viu que a nossa Justiça está para Portugal como alguns satélites russos perdidos no espaço estão para a pátria-mãe. A Justiça é, de facto, portuguesa e parece que se rege pelas nossas leis. Mas vive literalmente em órbita e noutro mundo. Por vezes faz umas tangentes à realidade, mas volta, rapidamente, à sua incompreensível órbita, que ninguém comanda, que ninguém compreende e que não a leva a lugar nenhum. Os portugueses têm razão para ter medo da Justiça. É natural ter-se medo daquilo que não se compreende.

Ricardo Costa

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009

 

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E que tal um pouco de responsabilidade?
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:08 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
Tal como sempre afirmei antes das eleições que Portugal corria o risco de ficar ingovernavel caso nenhum partido obtivesse a maioria absoluta, parece estar a confirmar-se. O ambiente agora vivido tanto económico como politico não é muito diferente do que existia antes do aparecimento de Salazar. Continuamos a caminhar alegremente para o precípício e os partidos a empurrar. Como o dinheiro vai ser gasto de uma maneira ou de outra, acho que o melhor é mesmo fazer o Aeroporto, o TGV e as Autoestradas, porque pelomenos ainda ficamos com algo. Esta vontade morbida de cortar a mão sempre que alguém tenta segurar o leme vai conduzir-nos ao desastre.A Justiça não é mais nem menos que o reflexo do País.
 
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Não se queixem!
cjours (seguir utilizador), 2 pontos , 16:25 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
Apenas menos de 40% dos eleitores é que se podem queixar do estado do País, os que votaram PS. Todos os outros portugueses, eleitores ou abstencionistas, não se queixem do que aí vem.
Estão-se a deitar na cama que fizeram.
Tiraram do Poder um Partido responsável (gostem dele ou não) e deixaram o país à mercê de 4 grupos de anormalecos e tarados irresponsáveis.
Agora amouchem! Não tenho pena nenhuma! Para ser franco, tenho muito pouca pachorra para o momneot politico que se vive. Isto vai ser sempre a descer por isso guardem as energias. Felizmente tenho mais em que pensar!
 
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Abaixo a Democracia, Viva a Cleptocracia?
Special Agent (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 22:59 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
Cool, dude!

Yeah, I bet they know how to rock the boat even more!

Não obstante esta sinistra variante de poder, será que esta congregação (ou seita) maçónico-governamental não estará a procurará cozinhar um inédito menu de regime com a oposição, e que se designaria por "Pato Kallistos* com Grego"?

* Transliteração do nome grego Κάλλιστος, derivado da palavra kallistos, significando literalmente "belo."
 
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Se vamos pagar?
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 9:48 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
Qual é a dúvida? O novo "governo" chefiado pelos deputados da oposição descobriu a nova maneira de governar (e mantém a mesma de sempre para ganhar votos, a única coisa que consideram importante):

- Emprego para sempre;
- Não à avaliação dos professores (profissão que tem um não sei quê que leva a ser a única que não poderá ser avaliada - talvez 143.000 profissionais mais familiares e amigos, convenhamos que são muitos votos);
- Mais saúde;
- Mais educação;
- Mlais segurança;
- Mais justiça;
- Mais subsídios;
- Melhores pensões;
- Menos carga horária;
- Melhores salários...

MENOS IMPOSTOS!

O que será dos pensionistas, num futuro próximo, que já cumpriram para com a sociedade e para com a Segurança Social? Ninguém sabe. Só me recordo que antes da reforma levada a efeito pelo anterior governo por esta altura já não haveria dinheiro para pagar as pensões.

Leio com alguma perplexidade que há quem esteja preocupado com o eventual corte nas pensões de 22,6% previsto em 2060 (daqui a 51 anos! - como se tudo ficasse imutável e em 51 anos nada acontecesse) e não se preocupe com o dinheiro para pagar HOJE!

Saúdo os seus últimos artigos que, quanto a mim, encontraram o equilíbrio de análise que nos leva a reflexionar melhor, sem sactarismos nem paixões.

Cumprimentos

 
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Responsabilidade e Competência!!!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:31 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
Considero que o problema de fundo resume-se na competência e na sua pequena expressão em alguns partidos!!!!

Do Governo já verificámos sinais preocupantes de desnorte e de alheamento da realidade o que nos leva a acreditar num pântano político Parte 2 daqui a 1 ano e meio 2 anos!!!!

Relativamente à oposição e principalmente ao PSD exige-se responsabilidade e unicidade em torno do país e da resolução dos problemas!!!! É importante que em Maio próximo consigam eleger uma liderança forte e unificar o partido em torno de um projecto político assente numa estratégia de promoção do crescimento económico e da consequente resolução dos problemas da sociedade nacional!!!!
Se entretanto não conseguirem acabar com a guerra de poleiros é o país que fica a perder com o consequente "suicídio político" do partido!!!
 
 
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É CLARO!!!
NSant (seguir utilizador), 1 ponto , 22:01 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
CARO RICARDO,
ONTEM, LOGO NO INCÍO, ENVIEI-LHE COMENTÁRIO.
VERIFICO NÃO ESTAR REGISTADO.
ESTOU PLENAMENTE DE ACORDO. DE FACTO, O BOM SENSO QUE TEM UTILIZADO NAS ÚLTIMAS SEMANAS FICA-LHE BEM.
SEJAM FELIZES!
 
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E que tal um pouco de responsabilidade?
L_R (seguir utilizador), 1 ponto , 15:45 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
Caro Ricardo,

Aproveito a oportunidade para dizer que prezo muito a sua opinião, é uma ilha na nossa comunicação social, inclusivé dentro do Expresso. Grande parte das vezes concordo com o que afirma, mas mesmo quando discordo, aprecio a sua frontalidade, a sua independência, e a sua capacidade em identificar o essêncial. também temum militante empenhamento em separar o que é jornalismo do que é uma opinião.

Estáva a ler este artigo e recebi um e-mail com o seguinte texto:

Diário da República, 2ª série — N°230— 26 de Novembro de 2009
Despacho nº 25916/2009
Nos termos e ao abrigo do nº 1 do artigo 3º do Decreto-Lei nº 322/88, de 25 de Setembro, nomeio o licenciado Artur Rodrigues Pereira dos Penedos para exercer funçôes de assessor do meu Gabinete, em regime de comissão de serviço.
Este despacho produz efeitos a 26 de Outubro de 2009.
12 de Novembro de 2009. — O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
32242009

O que pensa desta oportuna nomeação? eu lembrei-me logo do titulo deste seu artigo: "E que tal um pouco de responsabilidade?"

 
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    Re: E que tal um pouco de responsabilidade?    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 16:04 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
    Re: E que tal um pouco de responsabilidade?    Ver comentário
L_R (seguir utilizador), 1 ponto , 17:16 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
    Re: E que tal um pouco de responsabilidade?    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 18:16 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
    Re: E que tal um pouco de responsabilidade?    Ver comentário
L_R (seguir utilizador), 1 ponto , 19:01 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
    Re: E que tal um pouco de responsabilidade?    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 19:26 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
E que tal um pouco de responsabilidade?
naif (seguir utilizador), 1 ponto , 16:12 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
A falta de responsabilidade não mata a fome a ninguém.
Mas a responsabilidade mata.
Os votos que cada partido quer aproveitar neste" pântano"
também não matam a fome.
Só quero saber até onde vai a oposição neste momento, governando o País desta forma?
O que vai fazer o Governo nesta atarracha que os partidos responsaveis? o estão a colocar?
Aproveitem, porque ainda têm tempo, deitem abaixo o Governo e depois vão ver o que os espera!
 
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Sr Ricardo Costa
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:26 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
O sr já viu algum partido apoiar alguma lei que se responsabilizasse o politico pelos seus actos afectos as suas funções, não.
Está tudo dito.
 
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