Já chega de PT, escutas, planos para controlar a comunicação social e outros disparates do género. Vamos é falar da economia real, aquela que realmente interessa, por exemplo, aos 563 mil desempregados. Enquanto se discute os salários pornográficos que os boys do PS ganham na PT, 125 mil pessoas perderam o emprego em 2009. E das que têm emprego 2,55 milhões trabalham com um ordenado inferior a 900 euros por mês.
Sócrates, na declaração que fez ao país na passada quinta-feira, 'jurou' que não existiu plano nenhum para controlar a comunicação social. Tem razão! Ninguém conhece efectivamente esse plano, mas também ninguém conhece o plano de Sócrates para "conduzir o país para a recuperação económica".
Cinco meses depois pouco sabemos sobre quais as ideias do Governo em matéria económica para além de um recuo em termos de algumas obras públicas (que alívio) e de uma necessidade (imperativa) de controlar a despesa pública. Vieira da Silva, ministro da Economia, é uma imitação barata de Vieira da Silva, ministro do Trabalho.
Pelo que me lembro, e não querendo ser injusto, prometeu apoios específicos para o sector do turismo; uma linha de crédito de 750 milhões de euros para empresas, mesmo que tenham dívidas ao fisco e à Segurança Social; e tentar salvar a Rhode e Aerosoles (algo que está longe de acontecer). Vieira da Silva disse estar a estudar uma mudança da Lei da concorrência e o lançamento de um novo concurso eólico. Foi visitar o grande amigo Hugo Chávez que está a roer a corda aos acordos que tinha estabelecido com Portugal e defendeu a ligação mais forte entre empresas brasileiras e portuguesas em plena guerra pelo controlo da Cimpor. E criou um novo fundo de 250 milhões para apoiar as empresas exportadoras.
Não estou a dizer que é pouco, talvez até seja muito para o poder que o ministro da Economia efectivamente tem, mas continuo sem perceber onde quer Vieira da Silva chegar. Claro que, tal como todos nós, quer que a economia cresça mais. Só que o crescimento não um fim, é uma consequência. Uma consequência de uma estratégia de longo prazo bem delineada. Falta visão, falta planeamento, e, mesmo quando existe, falta uma enorme capacidade de concretização. Veja-se o mais recente exemplo: o Governo nem conseguiu concretizar um plano para controlar a comunicação social...
Texto publicado na edição do Expresso de 20 de Fevereiro de 2010