O computador Magalhães não tem preço. Crianças, nos Açores, estão a vendê-lo por cinco euros. Não é caro para uma máquina tão sofisticada. Algumas trocam-no por brinquedos, artefactos menos chatos e menos pesados. Outras conseguem trocá-lo por uma bicicleta ou por um carro de esferas, coisa que estimula, e muito, o exercício físico e as actividades ao ar livre. Magalhães faz bem à saúde.
Alunos há, segundo a Antena 1, que pedem entre 5 e os 30 euros pelo computador para "comer" ou para "a mãe fazer a sua vida". Parece-me razoável. Magalhães não é comestível. E ninguém tem de saber a vida que uma mãe pode fazer.
O computador Magalhães foi um precioso achado. O governo financia em 200 euros a sua aquisição que vão direitinhos para empresa que o produz. Mas depois, sem que Sá Couto o imaginasse, outras sinergias económicas são geradas. Já era tempo de a Feira da Ladra, a Feira do Relógio e as outras feiras e mercados do país, aderirem também às novas tecnologias.
No trato económico e social, Magalhães gera proventos inestimáveis, que ninguém estimou, a gente pouco estimável.
No trato pedagógico consegue espoletar dinâmicas educativas muito interessantes que, se não vão acabar com insucesso e o abandono escolar, pelo menos já estão a dinamizar a formação de pequenos empresários (literalmente muito pequenos, em tamanho e idade) do mercado global negro. E só não é mais negro porque o Magalhães, ignorando-se a sua mais profunda vocação mercantil, foi pintado de azul.
Estão para chegar mais 250 mil portáteis, até 2011, para a segunda fase do programa e-escolinhas. Este é um bom programa. Já distribuiu 400 mil Magalhães, pelos petizes, entre Setembro de 2008 e Agosto de 2009. Um número significativo acaba por aparecer - e não só nos Açores como em todo o Portugal dos pequenitos - no mercado negro, sempre ao preço da chuva.
Esta nova distribuição irá certamente revitalizar o mercado. Já começa a escassear o produto. Algumas famílias já andam deprimidas sem esse magro pecúlio que recebem por se verem livres de máquina tão incómoda. Convenhamos que o objecto até é feioso para ter lá em cima do oleado da mesa de jantar. E só empacha.
A secretária regional da Educação, Maria Lina Mendes, garantiu à Antena 1/Açores "que, a partir do momento em que os pais pagam o computador, essa responsabilidade passa a ser deles e não da tutela". Concordo. Lina Mendes sabe que as famílias pagam pelo Magalhães entre zero e cinquenta euros Uma família que paga zero euros por um computador deve ser responsabilizada apenas por esse valor. As que pagam mais deviam ser responsabilizadas por menos ainda.
E-escolinhas? E a e-escolinha do menino que troca o Magalhães por um carrinho de rodas? Já a sabe toda! E manda-nos a nós, contribuintes papalvos que pagamos o Magalhães, andar de carrinho...