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E 50 anos depois...

Manuel Ennes Ferreira* (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 9 de Jan de 2010
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Quando, dentro de poucas horas, o leitor estiver a comemorar a entrada num novo ano, convencionalmente África celebrará os 50 anos da sua independência. E diz-se 'convencional' ao considerar-se a década de 60 do século passado como a das independências africanas. A 1 de Janeiro de 1960 surge a República dos Camarões, seguindo-se-lhe mais dezasseis países nesse mesmo ano. Nos anos seguintes outros tantos. Foi um momento, sem dúvida, histórico. Portugal, como se sabe, ficou a ver passar a oportunidade. As consequências, essas, ainda hoje perduram... Mas voltando ao tema, a simplificação dos 50 anos da independência de África é uma forma simbólica de localizar no tempo essa etapa decisiva. Na realidade, embora poucos, alguns países africanos já haviam deixado de ser colónias, primeiro no séc. XIX com o caso excepcional da Libéria, depois, no início do século seguinte, a África do Sul, mais tarde a Etiópia, os países do Norte de África, e só então a África subsariana: o Sudão em 1956, o Gana em 1957 e, no ano seguinte, a Guiné-Conacri. Meio século depois, as comemorações desta efeméride vão suceder-se, e num ambiente, por coincidência, bastante estimulante. Colóquios e conferências anunciam-se um pouco por todo o lado, livros e artigos suceder-se-ão. Ponto comum: balanço. Balanço do ponto de vista económico, político, das relações internacionais, etc. Neo-colonialismo e globalização estarão presentes no debate. Espera-se que autoritarismo, economias rendeiras, corrupção, etc., também estejam. O politicamente correcto acompanhará o discurso oficial, mais virado para o passado, para o legado histórico. Mas esta é uma excelente ocasião. De há alguns anos para cá, África, particularmente a subsariana, tem sido alvo de um crescente interesse. Há como que uma nova corrida a África, envolvendo, por razões algumas similares outras nem tanto, novos países. Da China aos Estados Unidos, passando pelo Brasil e Índia, entre outros, o continente africano ressurge. Desde sempre que este espaço não tem ficado incólume a pressões e interesses externos. Guerras civis estalaram, combinando influências externas e interesses internos. Nenhuma 'jóia da coroa' passou impune: a portuguesa (Angola), a francesa (Costa do Marfim) e a inglesa (Quénia), embora com intensidades diferentes. Mas se compararmos esta África com o início dos anos 60 estamos a falar, felizmente, de realidades bem distintas. Os avanços são inquestionáveis, e não são as ainda persistentes pobreza e instabilidade que podem negar essas diferenças substanciais. Muito haverá a fazer nos domínios político e cívico. É urgente acabar com a extroversão completamente dependente das matérias-primas. Mesmo assim há que aproveitar a nova corrida a África, pois ela pode tornar-se uma oportunidade. Para um país dificilmente se pode dizer que será a última. Mas não agarrá-la significará esperar mais umas décadas para então se fazer novo balanço. E isso seria simplesmente trágico.

*Professor do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Dezembro de 2009

3 comentários
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mais votados ▼
... África celebrará os 50 anos da ...
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 0:54 | Sábado, 9 de Jan
"
convencionalmente África celebrará os 50 anos da sua independência
"
...
» Independência tantas vezes simulada ...

"
... Mesmo assim há que aproveitar a nova corrida a África, pois ela pode tornar-se uma oportunidade
"
» Talvez o não seja para os africanos ...
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sou a rosa muito preocupada com o professor
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 1 ponto , 1:09 | Sábado, 9 de Jan
ai senhor professor estou tão preocupada com o desabafo da outra semana porque eu não quero ser como o meu tio ginéculo que era bufo da pide e dizia tudo o que as pessoas faziam e que não faziam e também quando eu falei no tink tank tink tank não tinha intenção de o fazer perder esse trabalhinho porque eu sei como a vida está difícil e é porque o senhor professor agora é só professor do iseg que não sei exactamente o que é mas também não interessa e o problema é que perdeu aquele partetaime de badalo em angola e de certeza a senhora engenheira Isabel vai sentir a falta daquele tink tank tink tank mas diga-me será que o dinheirinho não lhe vai fazer falta ou foi a senhora ministra que aumentou os professores e se foi isso é bom e assim já escusa de ir para Angola badalar e pode dedicar mais tempo ao tal iseg e pronto despeço-me
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PARA QUANDO A INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA ?
Robin Wood (seguir utilizador), 1 ponto , 12:10 | Domingo, 7 de Fev
Gostaria de saber, desculpem lá a minha ignorância, por que razão todas as potências mundiais criaram e apoiaram os chamados movimentos de libertação de África para correr com os chamados colonialistas portugueses e outros.
É que, tudo indica, há aqui uma discriminação na medida em que as potências mundiais não criaram nem apoiaram os "ÍNDIOS", para se libertarem dos colonialistas negros, brancos e outras cores que se apoderaram do continente americano. Vejam o HAITI que não passa de uma colónia africana...
Temos também a Oceania mais propriamente dito a Austrália, em que os seus aborígenes desapareceram ou estão confinados
Este é um tema muito quente que os cobardes têm medo de falar.
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