Durão Barroso, que falou ontem aos jornalistas antes de se reunir com o Presidente Barack Obama no âmbito da Cimeira UE-EUA, em Washington, argumentou que "já não há tempo" para chegar a um consenso que leve à aprovação, até ao fim do ano, de um tratado internacional que suceda ao Protocolo de Quioto a partir de 2013.
Mas o Presidente da Comissão Europeia considerou que ainda é possível um acordo entre os 192 países que estarão presentes na Cimeira de Copenhaga entre 7 e 18 de Dezembro. Um acordo global que tenha compromissos muito claros tanto da parte dos países desenvolvidos como dos países em desenvolvimento.
E que inclua um calendário preciso das metas de redução das emissões de gases com efeito de estufa dos países desenvolvidos, bem como das acções que os países em desenvolvimento vão tomar para a mitigação e a adaptação às alterações climáticas.
"Os EUA e os estados-membros da UE têm de pôr números na mesa para os cortes nas emissões de CO2 e para as ajudas financeiras aos países em desenvolvimento", insistiu Barroso.
O Presidente Obama, por sua vez, afirmou que "todos nós concordamos que é um imperativo redobrarmos os esforços nas semanas que faltam até à Cimeira de Copenhaga, de modo a garantirmos progressos a lidar com aquilo que é um potencial desastre ecológico".
Durão Barroso congratulou-se com as declarações de Obama mas fez uma ressalva: "Vamos ver o que os EUA têm, de facto, preparado para apresentar em Copenhaga...".
Obama: "O objectivo não é um acordo que resolva tudo"
Na segunda-feira, Fredrik Reinfeldt, primeiro-ministro da Suécia (país que ocupa actualmente a presidência rotativa da UE), afirmara, na sequência de um encontro com Barack Obama, que "se os EUA não assumirem um claro compromisso em relação às negociações climáticas, será muito difícil aos outros países cumprirem as suas obrigações neste processo".
Reinfeldt referia-se em especial à China, que é neste momento o maior emissor de CO2 do Mundo mas que "tem todas as condições para ser bem sucedida" em Copenhaga. "A minha mensagem para a China é esta: aumentem as vossas ambições de modo a que as emissões de CO2 atinjam o seu máximo em 2020 e comecem depois a cair".
Na sequência desse encontro, Obama já assumira perante os jornalistas que "da Cimeira de Copenhaga não irá resultar um tratado final como a ONU espera". Assim, o objectivo não poderá ser um acordo "que resolva todos os problemas das alterações climáticas, mas antes que dê um passo importante no sentido de se alcançarem progressos no futuro".
Entretanto, decorre até 7 de Novembro em Barcelona a última ronda de negociações das Nações Unidas sobre o clima antes de Copenhaga. Depois deste evento, o tema poderá ser ainda abordado na reunião dos ministros das Finanças do G20 a 7 e 8 de Novembro, e no Conselho Europeu de 10 e 11 de Dezembro.