13/02/2012 atualizado às 1:11
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Duques e cenas tristes

João Duque * (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 13 de fevereiro de 2010

Meu caro António de Almeida, Que esta o vá encontrar de melhor saúde são os meus mais sinceros desejos.

Por cá tudo na mesma: cada vez menos duques, cada vez mais cenas tristes...

Ainda andamos às voltas com o Orçamento e com a novidade de que o programa de obras públicas foi, ou melhor, vai ser revisto, em particular o TGV. Porém, desde que reli o recente estudo sobre a Alta Velocidade (AV) que a RAVE publicou em Setembro passado, que acho que a medida recentemente anunciada não faz qualquer sentido. Vejamos. Nos estudos iniciais, a RAVE projectava um tráfego de 1,8 milhões passageiros, para o início de exploração da linha de AV entre Lisboa e Madrid, processados no troço entre Lisboa e o Caia. Mais tarde provou-se que, para a obtenção de um VAL positivo do investimento, o número mínimo de passageiros neste percurso no primeiro ano de operação da linha era de 6,7 milhões passageiros (só 3,6 vezes mais). Claro que agora a previsão da RAVE é a de uma procura de 6,7 milhões em 2015...

Antes, já se valorizava uma hora poupada por um passageiro numa deslocação entre Lisboa e o Caia em 11,93 euros. Agora, o novo estudo assenta num valor/ hora poupada em viagem na casa dos 26 euros... Antes, a previsão do Valor Actual Líquido do investimento, já depois de se considerarem todos os efeitos económicos e sociais directos e indirectos do projecto, era negativo e da ordem dos -1.097,3 milhões de euros. Agora já é positivo e da ordem dos 383 milhões... Antes, dizia-se que o projecto seria ruinoso para qualquer operador que tentasse explorar a linha, uma vez que a diferença entre as receitas recebidas e os pagamentos realizados era negativa e da ordem dos 6372 milhões de euros. Agora diz-se que com a "... separação entre a operação e a gestão das infra-estruturas verifica-se que um operador independente obteria uma rentabilidade financeira positiva".

Claro que hoje a TIR cresceu! Passou de negativa para os +5,75%, muito embora tenham esquecido que o Estado ainda exige uma taxa real de 4% e uma taxa de inflação de 2% que se deve colocar sobre aquela... (Pst! Dá mais de 6%, cuidado!...). Mas a delícia final é a estimativa feita no novo estudo para a receita fiscal. Então não é que "este estudo concluiu que, ao fim de 30 anos, a receita fiscal do Estado tenha, em termos acumulados, aumentado 63,6 mil milhões de euros"? Agarrem-me o ministro das Finanças e não o deixem beliscar um centímetro, arrancar uma cavilha que seja ao TGV! Estava eu e as agências de rating preocupados com o saldo da dívida pública portuguesa! É simples! Só o TGV paga metade da dívida pública directa actual, e a coisa é de tal ordem que quase nem é preciso pôr o país a fazer mais nada! Já reparou, António, como será bom? Pomos uns banquinhos ao longo da linha e ficamos a ver passar os comboios! Se tivessem um pouco mais de coragem, estou certo de que ainda seriam capazes de fazer melhor...

Receba um abraço deste seu amigo que lhe deseja rápidas melhoras, um Duque à disposição.

*Professor Catedrático do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010
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Duques e cenas tristes
Toni 2 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 11:56 | Domingo, 14 de fevereiro de 2010
Eu como bom português também sou daqueles que me tenho preocupado com o estado geral do País da dívida pública e do défice. Fui sempre um defensor do TGV, mas como alguém disse um dia, só os burros é que não mudam. É claro que ter TGV, Aeroporto e Autoestradas é só para quem pode. Desta feita deitei mãos à obra e comecei a fazer as minhas investigações e os meus estudos. Eles foram de tal modo surpreendentes que não acreditei neles e por isso apesar dos meus parcos recursos reslvi procurar uma espresa da especialidade, por acaso muito conhecida no mercado e de credibilidade incontestavel. Recebi o estudo recentemente e além de espanto encheu-me de orgulho, porque é coincidente com o meu. A estratégia será subtituir o TGV por uma empresa de carroças puxadas por burros, porque embora não seja tão rápido o que se ganha em economia a todos os níveis compensa a velocidade. Tem a vantagem de ser ecológico, não gastar combustivel fóssil e não ser necessário importar, assim como o material para fazer as carroças, os arreios será tudo produto Nacional. Tem ainda a vantagem de ser altamente atrativo para o turismo e vai fazer entrar mais uns milhares. Penso enviar este estudo ao Ministério das Obras Públicas que estou certo será adoptado.
 
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impertinente (seguir utilizador), 1 ponto , 22:41 | Quarta feira, 17 de fevereiro de 2010
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Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:29 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
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lumogo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:50 | Quarta feira, 17 de fevereiro de 2010
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Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:51 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
É humor... essa
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:52 | Domingo, 14 de fevereiro de 2010
Muitos parabéns a JD, pela forma como nos apresenta os factos.

Mesmo quem está ao "serviço" do nosso "primeiro", não poderá evitar um sorriso... mesmo que amarelo.

Infelizmente para todos, JD não fez humor - mesmo do "negro"-, da realidade. Limitou-se a expô-la.

Cumprimentos

 
 
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