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Do vinil ao digital

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Sérgio Bastos
10:01 Quinta-feira, 4 de Fev de 2010

O cante alentejano é a musicalidade mais conhecida das vastas planícies a sul do Tejo. Ainda assim existem outras que são conhecidas, por exemplo, nas adaptações dos Adiafa. A banda de Beja leva já três álbuns mas é sobretudo relembrada pelo pitoresco "As Meninas da Ribeira do Sado", moda alentejana.

O Grupo de Cantares de S. Martinho, do concelho de Odemira, lança agora "As nossas modas", trabalho onde reúne temas de géneros musicais  tradicionais da região, onde se destacam o cante ao baldão e despique.

Na tarde de 6 de Fevereiro, o Grupo de Cantares de S. Martinho Amoreiras apresenta o CD no Salão do Centro Social de Amoreiras-Gare e tem como convidados Pedro Mestre e o seu grupo de Violas Campaniças, o grupo de Cantares de Maria do Alto Mira, entre outros. O espectáculo é gratuito e é uma boa forma de conhecer outras etnicidades musicais do Alentejo.

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Sérgio Bastos
10:03 Sexta-feira, 29 de Jan de 2010

Enquanto no Haiti se enterram os mortos, se cuidam dos vivos e se pilham os destroços, o mundo ocidental multiplica-se em acções de recolha de fundos.

Os EUA têm sido a força motriz da solidariedade feita de música. "Hope For Haiti Now", acção organizada por George Clooney teve actuações de U2, Jay-Z, Wyclef, Justin Timberlake, Beyoncé, Bruce Springsteen, Madonna, Coldplay e outros. O espectáculo foi editado em formato digital no Sábado. Em dois dias chegou a número um da tabela Billboard ao serem descarregados 171 mil exemplares.

"We are the World", tema escrito por Lionel Richie e Michael Jackson, ganha vida pelo Haiti 25 anos depois de ter sido originalmente gravado. Jennifer Hudson, Will Smith, Jason Mraz, Sugarland, Sheryl Crow, Justin Bieber e outros músicos conhecidos vão emprestar a voz a esta acção de solidariedade.


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Sérgio Bastos
10:02 Quinta-feira, 21 de Jan de 2010

Neste Sábado, Moonspell e Bizarra Locomotiva actuam na FIL, em Lisboa, num evento mais vasto que envolve exposições, debate, convívio, venda de merchandise, visionamento do documentário "Global Metal", e o concerto dos Opus Diabolicum, um tributo de cordas à banda de metal portuguesa mais conhecida extra-muros.

A actuação é precedida de "metalidades", uma fórmula a que os fãs deste estilo de música/vida conhecem há pelo menos duas décadas. Lembro-me, por exemplo, da Feira do Metal que se realizou no Ponto de Encontro de Cacilhas diversas vezes nos anos 90. Por lá passaram bandas nacionais que marcavam o metal: HeavenWood, Evisceration, Hate Over Grown, Fallacy, Thormenthor, etc. No segundo piso, alguns expositores comercializavam CDs, fanzines e restante merchandise. O evento durava três dias.

Na FIL, o conceito tem o nome de "Aldeia do Metal" e dele destaca-se a conferência "o Metal e a escrita" com José Luís Peixoto (escritor), Henrique Raposo (investigador universitário, cronista do "Expresso"), António Pacheco (editor da "Saída de Emergência"), Nélson Santos (colaborador da revista"Loud", jornalista da "TSF") e Fernando Ribeiro (vocalista dos Moonspell).




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Sérgio Bastos
22:11 Quinta-feira, 14 de Jan de 2010
O Jazz de fusão tem dois grandes nomes: Chick Corea (piano) e John McLaughlin (guitarra). Desde a década de 70 são conhecidos os seus avanços e recuos na música improvisada electrizada.

Ambos fizeram parte do line-up que gravou "Bitches Brew" (1970) álbum duplo de Miles Davis. Posteriormente, seguiram caminhos iguais em projectos diferentes - Mahavishnu Orchestra (John McLaughlin) e Return to Forever (Chick Corea).

Em 2008, Corea e McLaughlin cruzam-se em palco. Criam a "Five Peace Band" que agrega nomes não menos conhecidos como Vinnie Colaiuta (bateria de Frank Zappa), Christian McBride (contrabaixo de Chick Corea, Sting, Diana Krall) e Kenny Garrett (saxofone de Miles Davis, John Scofield). A tourné deu origem a um duplo CD onde o jazz se funde com o rock, funk e onde a originalidade deixa espaço para "standards" de Miles Davis.


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1:38 Terça-feira, 12 de Jan de 2010
Do vinil ao digital - Jimi Hendrix de volta com 'Valleys of Neptune'

Quase 30 anos após a sua morte, Jimi Hendrix continua a ser um músico que influencia novas gerações de músicos. Em Março deste ano, a Experience Hendrix e a Legacy Recordings lançam "Valleys of Neptune", um novo disco com 12 gravações de estúdio completas.

A edição de coleccionador contém mais de 60 minutos de música, nunca antes comercializada, sob a forma de um álbum de Jimi Hendrix.

Baseado nas faixas gravadas durante um período fundamental e conturbado de quatro meses,  no ano de 1969, o disco apresenta as últimas gravações de estúdio originais da banda Jimi Hendrix Experience. 

É aqui que a banda lança os alicerces para o seu segundo disco, após Electric Ladyland, em conjunto com as primeiras sessões com o baixista Billy Cox, um velho amigo de Hendrix, do exército, que o guitarrista tinha recrutado para a sua nova banda.

"Valleys of Neptune" fornece uma perspectiva essencial, empolgante e na sua maioria inédita daquilo que Jimi Hendrix fez a nível musical, no período crucial entre o lançamento de Electric Ladyland em Outubro de 1968 e 1970, ano em que abriu os seus estúdios Electric Lady Studios em Greenwich Village.  Estas instalações de vanguarda foram também o local eleito para iniciar o seu projecto final, o ambicioso disco duplo: First Rays of the New Rising Sun.

A Experience Hendrix LLC, empresa liderada pela família Hendrix cujo objectivo consiste em preservar e proteger o legado de Jimi Hendrix, autorizou o lançamento de "Valleys of Neptune". "Jimi sentia-se em casa quando estava no estúdio. 'Valleys of Neptune' apresenta uma visão aprofundada da sua mestria durante o processo de gravação e demonstra o facto de ter sido um inovador, sem precedentes, deste mesmo processo, como também um excelente guitarrista. O seu génio transparece em todas estas faixas valiosas", afirma Janie Hendrix, irmã do guitarrista.

O álbum conta com temas inéditos de Jimi Hendrix, as gravações originais e novas misturas, a cargo de Eddie Kramer, o engenheiro de longa data de Hendrix, que trabalhou com o músico pela primeira vez em "Are You Experienced?", em 1967.

O single "Valleys of Neptune" é uma das gravações mais procuradas de Hendrix. O tema será lançado a nível mundial a 2 de Fevereiro de 2010, quase 40 anos após Jimi ter concluído a gravação nos estúdios Record Plant, em Nova Iorque, em Maio de 1970.

Outros pontos altos de Valleys of Neptune incluem as versões de estúdio do clássico de Elmore James, "Bleeding Heart" e "Sunshine of Your Love" dos Cream, bem como as primeiras interpretações das composições originais de Hendrix, como "Ships Passing Through The Night", "Lullaby For The Summer" e a gravação original da Jimi Hendrix Experience do tema "Hear My Train A Comin'". O disco inclui o tema "Mr. Bad Luck", uma faixa da Jimi Hendrix Experience produzida por Chas Chandler durante as sessões de 1967 - "Axis: Bold as Love".

Cada um dos títulos essenciais do catálogo musical de Jimi Hendrix que irão ser reeditadas pela Legacy irão incluir um DVD de bónus, incluindo novos documentários realizados por Bob Smeaton, e também entrevistas com os elementos da banda Noel Redding, Mitch Mitchell, Billy Cox, o produtor original Chas Chandler e o engenheiro Eddie Kramer.

O disco aclamado pela crítica, Live At Woodstock, estará disponível na forma de um DVD convencional, bem como na versão em Blu-ray.


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Sérgio Bastos
17:08 Quinta-feira, 7 de Jan de 2010
Ao passar o ano, temos por garantida a emissão de música clássica a partir de Viena de Áustria. É o chamado Concerto de Ano Novo e tem lugar na manhã de dia 1 de Janeiro. Em Portugal, a tradição repete-se em várias salas nos primeiros dias do ano.

O primeiro concerto de Ano Novo data de 31 de Dezembro de 1939. A Orquestra Filarmónica de Viena foi conduzida por Clemens Krauss e o evento desenvolveu-se em moldes diferentes do actual. Não teve "encore" e só foram interpretadas obras de Johann Strauss II.

O evento tornou-se um marco da história musical a partir de 1945. A escolha de um condutor diferente todos os anos só aconteceu a partir de 1987. No entanto, umas prática mantém-se: a interpretação de uma composição da família Strauss.

A transmissão televisiva fez do Concerto de Ano Novo um marco global. A título de exemplo, a edição de 2010 foi visionada por 50 milhões de pessoas em 72 países.
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Blogue Do vinil ao digital

Sérgio Bastos
10:07 Quinta-feira, 31 de Dez de 2009

1. A música não acabou. Mesmo com a morte de Michael Jackson e com a pirataria que "abrasa" as editoras, o mundo dos sons não perdeu vitalidade. Mais autores e novos álbuns comprovam que a música só morrerá quando um humano deixar de gostar da fazer e ouvir.

2. Mais espectáculos. Vários artistas portugueses confirmam que neste ano de "crise" realizaram mais actuações. O Verão foi bem recheado de festivais. Os conhecedores apontam explicações sociológicas - "em tempos de crise as pessoas querem-se divertir".

3. Flor Caveira. De quando em vez, um pujante e descomprometido projecto editorial que marca uma geração. Pela mão da editora de Tiago Cavaco são lançados autores a cantar na língua mãe e a recriarem música até com raízes portuguesas. B Fachada, Samuel Úria, Os Golpes, Pontos Negros, Diabo na Cruz e Tiago Guillul. Os novos "Rui Velosos" e "Xutos e Pontapés" estão entre esta lista e merecem mais oportunidades por parte dos média comerciais (certas rádios e TV).



4. Perdas irreparáveis. Com a saída de cena de João Aguardela e António Sérgio, perde-se a divulgação da "outra" música na primeira pessoa. A sua génese será de agora em diante a vontade de outros. O fim do programa "Lugar Ao Sul" (Antena 1) também foi um marco negativo. Era especial a selecção de música portuguesa com que adornava conversas.

5. Destaques 2009. A boa música é aquela que ouvimos vezes sem conta. Sem corantes, conservantes e aditivos dançantes. Esta é a minha definição de "melhor música" e com a qual destaco os artistas que me enchem as medidas em 2009. Carminho "Fado", Virgem Suta "Virgem Suta", Bizarra Locomotiva "Álbum Negro", Alice in Chains "Black Gives Way to Blue", Diabo na Cruz "Virou!", Uxu Kalhus "Transumâncias Groove", entre outros. A escolha maioritária de nomes nacionais não é forçada, mas uma realidade: em Portugal há autores de primeira água.



6. Espectativas 2010. Para o próximo ano, faço votos que tenham mais oportunidades os artistas que amam o que criam. Espero que me surpreendam em áreas como a fusão entre o tradicional e urbano. Como discordo do que diz David Fonseca "na música já tudo foi inventado", aguardo bons trabalhos de Gaiteiros de Lisboa, Deolinda, Orphaned Land, Aduf, etc.

7. DelFINS. A tão apregoada saída de cena dos Delfins ocorre a 31 de Dezembro na baía de Cascais. Hoje em dia os "fins" programados já fazem parte da carreira de uma banda ou artista. Por falta de inspiração, atrito, cansaço, acabam as carreiras, que resplandecem anos depois nem que seja só para uma tournée de concertos cirúrgicos. Este ano tivemos como exemplo os Faith No More, Skunk Anansie, Creed, The Cranberries, Guano Apes, etc. Os Delfins voltam de seguida. É um "fado normal". 


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Sérgio Bastos (www.expresso.pt)
10:41 Quinta-feira, 24 de Dez de 2009

O Natal é quando o homem quer, diz-se, mas ainda está para vir o ano em que seja comemorado a 7 de Março ou 19 de Agosto. As músicas desta quadra remetem-nos para o nascimento de Jesus, a reunião famíliar, o ofício do Pai Natal e mesmo o tempo "branco" e frio. Conquanto, há músicas com atitude que diverge do contexto geral.

"A todos um bom Natal" do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras ainda é um dos temas mais populares da quadra que vivemos. Por esta altura, não há festa nem festança onde este tema não passe.

Boss AC tem uma carta diferente ao Pai Natal pejada de queixas e pedidos especiais. Um êxito no YouTube, com perto de 100 mil visualizações. Mais do que "A todos um bom Natal".





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Filipe Fernandes (www.expresso.pt)
19:53 Sábado, 19 de Dez de 2009
Um fã dos RATM lançou uma campanha no Facebook para que "Killing in the name" destronasse a música da mais recente estrela do X Factor, no top das mais vendidas, no dia de Natal.
Zack de la Rocha, vocalista dos Rage Against the Machine
Zack de la Rocha, vocalista dos Rage Against the Machine

Há dias que acompanho com atenção a batalha entre os Rage Against the Machine e o Simon Cowell, a verdadeira estrela dos Ídolos. Mas hoje tudo tomou uma nova dimensão. Porquê? Porque ouvi a música mais popular da última fornada do reality show inglês. "The Climb", de um tal de Joe McElderry.

Em Inglaterra, ainda os Beatles não existiam e já a música que liderava as vendas no dia de Natal merecia uma atenção especial. Por lá passaram, quatro vezes, os Fab Four, os Pink Floyd, os Queen, o Michael Jackson e sim, também alguns acidentes - as Spice Girls conquistaram o título tantas vezes como os Beatles e em 1988 foi Cliff Richards quem ganhou a corrida. De há quatro anos para cá, tudo piorou e os vencedores têm sido sempre produtos da fábrica X Factor.

O grito de revolta nasceu no Facebook quando um fã dos Rage Against the Machine decidiu lançar a campanha para que "Killing in the name", original de 1992, destronasse o mais recente produto da linha de montagem de Cowell. Inesperadamente, a horas de fechar a contagem, os RATM estavam à frente.

Além de um ou outro vídeo do YouTube, nunca vi o "X Factor", mas a julgar pela amostra portuguesa a música é a menor das preocupações da produção. Feios não entram, gordos dificilmente passam e se não tiverem um gosto de roupa que agrade ao júri estão condenados a serem catalogados como 'azeiteiros'.

Nada contra o programa de que até sou espectador, mas convém salvaguardar as distâncias entre fenómenos de popularidade e músicos. Os músicos trabalham para os discos, os fenómenos de popularidade herdam o trabalho feito por produtores, compositores e letristas principescamente pagos para construir singles de sucesso. O negócio é lucrativo: Cowell, júri e executivo da editora que lança os discos dos candidatos a estrelas, receberá cerca de 100 milhões de euros para apresentar a próxima temporada norte americana do programa.

Zack de la Rocha usa rastas, t-shirts gastas e estou certo que não consegue cantar o "I will survive". Tom Morrelo e Brad Wilk são feios e Tim Commerford tem o tronco coberto por tinta preta. Nunca passariam no Ídolos, mas mesmo assim formaram uma das melhores bandas dos anos noventa. Joe McElderry não inventou nada. Em palco a fórmula é a do costume - sorriso Pepsodent e afinadinho - em CD a receita também nada tem de original: música orelhuda, letra cheia de "passos sem direcção" a caminho de "batalhas em encostas íngremes", um pianinho e umas guitarras para fazer ruído de fundo. Naturalmente que não faltam guinchos.

Enquanto escrevia este texto, o New Musical Express publicou a última contagem e o menino já tinha ultrapassado os RATM. Desculpem-me o final abrupto, mas tenho de ir ao iTunes comprar uma música que já tenho em CD.




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Sérgio Bastos (www.expresso.pt)
16:18 Quinta-feira, 17 de Dez de 2009

Recentemente, Portugal foi visitado por dois fantasmas dos anos noventa. The Prodigy e Massive Attack. A 10 de Março do próximo ano é a vez dos The Cranberries nos presentearem com os seus mega-sucessos no Campo Pequeno.

Com parte do actual milénio no estaleiro, as três bandas atravessam um período de seca de criatividade. Não lhes é conhecido nenhum sucesso desde os anos noventa, ao ponto da promoção aos concertos de The Prodigy se ter baseado em temas dos álbuns "Music for the Jilted Generation" ou de "The Fat of the Land" e de "Mezzanine" no caso dos Massive Attack.

Ainda em alta, a nostalgia dos anos oitenta vai passar a ter concorrência pesada na década que lhe sucedeu. Há grupos que mais não podem fazer do que viver do toque e "retoque" dos sucessos, quais Moody Blues a actuarem no Casino do Estoril. Verdade seja dita que este cenário de carreira comercialmente tem correspondido com concertos cheios de público ávido. 




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