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"D'ont cry..."

Estêvão Gago da Câmara
23:00 Sexta feira, 19 de outubro de 2007

Depois da operação Argentina, para a, em tempos, professora açoriana fica para trás, no Funchal, mais um "projecto" de criar um colégio de elite, com marca e prestígio internacional... No Funchal, nesse Janeiro de 97, logo após a " Operação Buenos Aires", o sócio-gerente do colégio, Ricardo Rodrigues, teve de assinar letras para garantir o pagamento dos créditos vencidos que ascendiam a quarenta mil contos. Só na agência de viagens Orion, utilizada na operação "Buenos Aires", a dívida tinha atingido já os treze mil contos...

Para atrás ficavam os gloriosos dias de Julho desse ano de 96, quando Débora Raposo e Ricardo Rodrigues apresentaram o projecto do Colégio Internacional do Funchal, em conferência de imprensa numa sala do Savoy enquanto as ruas do Funchal eram inundadas com panfletos de promoção! O colégio foi anunciado como estando filiado no ECIS-European Council of International Schools, e teria a chancela do St. Julian's School. Ao lado de Débora esteve, com efeito, Terry Hamilton, professor daquele colégio inglês, mas também um grupo de respeitados professores madeirenses que, estupefactos, ouviram, pela primeira vez, que faziam parte da equipa de dirigentes pedagógicos do futuro colégio...

Jurídica e formalmente o colégio pertencia a uma sociedade por quotas - Colégio Internacional do Funchal Lda. A 4 de Setembro de 1996, a sociedade havia sido constituída no 2º cartório Notarial de Lisboa, tendo por sócios a Hartland Holdings Limited e Ricardo Rodrigues. Para o efeito, já havia sido feito no Banco Espírito Santo, na Rua Augusta, o necessário depósito legal, de mil contos, novecentos e oitenta contos pela quota da off-shore e vinte contos da quota de Ricardo Rodrigues. Este, para além de sócio, outorgante, assinou a escritura também como procurador da Hartland Holdings, a off-shore registada nas The Turks and Caicos Islands, criada em 5 de Agosto desse ano, de 1996, por Débora Raposo quando se deslocou com Ricardo Rodrigues à ilha de Man. A rota para a criação da sociedade levou, para o efeito, Débora Raposo e Ricardo Rodrigues, a Gotemburgo, a Londres e, finalmente, àquele "paraíso" fiscal .

A fracassada operação Buenos Aires revelou os contornos de uma surpreendente actividade de natureza e dimensões verdadeiramente globais: dezenas de pessoas, sociedades e instituições ditas financeiras, dispersas por outros tantos países e cidades - Toronto, Miami, Caracas, São Paulo Montevideo, Buenos Aires, Moscovo, Istambul, Astana, Nicósia... mas também Lisboa, Funchal, Ponta Delgada e, imagine-se, uma pequena e pacata vila açoriana - Vila Franca do Campo.

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