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Dois paradoxos sobre o Haiti

Twitter e Facebook trazem tragédia ao mundo, mas sobreviventes são salvos à força de mãos e ferramentas domésticas. Mesmo os espaços devastados têm horror ao vazio em geopolítica. Troika rapidamente toma conta da situação.

Jorge Nascimento Rodrigues
13:12 Sábado, 16 de janeiro de 2010

A tragédia do Haiti desta semana deixa-nos surpreendidos por dois paradoxos.

O primeiro: o tecnológico.

A notícia do que acontecia chegou ao mundo não porque os profissionais das notícias e as majors da comunicação chegaram - ou estavam - em Port-au-Prince, mas porque as próprias vítimas produziram as notícias usando as tecnologias da mobilidade, do telemóvel à web. Algo a que já começamos a estar habituados (há umas semanas era a revolução iraniana).

As chamadas "redes sociais", por outros designadas por novos media, estiveram, de novo, na ribalta - a par da tragédia foram elas próprias noticia. A cara de Carel Pedre de blusa azul, o radialista haitiano, contando em directo no twitter o que ocorria, as mensagens de vida para os familiares distantes ou procurando desaparecidos ao minuto no twitter, e as primeiras imagens de choque (sem os filtros habituais dos media), em directo, no facebook, ficarão na galeria dos acontecimentos deste ano.

Ao mesmo tempo, a coragem, a resiliência, a teimosia, a persistência de um povo apenas com mãos e ferramentas domésticas tentando tirar sobreviventes dos escombros. Tecnologia primitiva com uma enorme dose de desenrascanço, salvando vidas. Imagens que não se esquecerão.

O segundo: o geopolítico.

De semi-Estado ou Estado-farsa, ou quase-Estado falhado, a geopolítica escreveu por linhas tortas a real condição do Haiti.

Provavelmente é já, nestas horas, de facto, um protectorado da ONU sob o alto patrocínio, ou vigilância, das tres grandes potências com interesses geo-estratégicos na região: Estados Unidos, Brasil e França. Os espaços geográficos, mesmo pequenos e devastados, têm horror ao vazio geopolítico. O posicionamento por esta troika era imperativo - antes que outros chegassem ou os bandos tomassem conta das ruas. Uma Conferência está prevista para Março. A seguir.

Palavras-chave  Blogues, Economia
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Geopolítica
Rio Grande (seguir utilizador), 1 ponto , 20:13 | Sábado, 16 de janeiro de 2010
E, os americanos, tomaram a dianteira e já fizeram sua barreira, controlando o aeroporto de Porto Príncipe e impedindo a chegada de aeronaves brasileiras e francesas. Bush e Clinton, mais o primeiro, estão no comando da "ajuda humanitária", um disfarce e tanto para uma operação de "invasão" de dez mil homens, que estarão posicionados para o que der e vier. Os governos da região já se mostram preocupados com a presença ianque, que marca território com dinamismo, o suficiente para que a França ficasse muito irritada. É uma ocupação para ficar, inclusive mantendo indiferença com as tropas da ONU, que não podem circular no aeroporto. É ver e acreditar...
 
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