Depois das notícias reveladas sobre os despachos dos juízes de Aveiro o Presidente da República não pode vir falar sobre liberdade de imprensa. A questão da liberdade de imprensa tornou-se secundária. Já não está em causa uma tentativa de controlo de um órgão de comunicação social por um partido ou o facto do primeiro ministro poder ser um biltre, mas a existência de uma rede tentacular que se utiliza dos meios públicos em proveito próprio e que está infiltrada ao mais alto nível no poder político, judicial, empresarial e nos órgãos de comunicação social.
É óbvio que, para a reeleição de Cavaco, dá muito jeito um governo em que a maioria crescente dos portugueses não confia e, perante o qual, o futuro Presidente da República possa surgir como um referencial de decência. Tudo correrá pelo melhor se Pinto Monteiro tratar do Caso BPN, com a deferência com que tem tratado dos outros casos.