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Do império ao leitão assado

Os emigrantes reúnem todas as forças para prosseguir os seus sonhos e dão-nos lições de vida.

Clara Ferreira Alves (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010

A Galeria Saatchi fica num dos extremos de King's Road, em Londres. Charles Saatchi, o guru da publicidade e o responsável parcial pelo sucesso do thatcherismo, é um dos formidáveis coleccionadores de arte contemporânea e um homem que faz descer e subir o preço de um artista pelo simples acto da compra e da venda. Esta galeria, um museu privado que ocupa um dos espaços nobres da cidade, tornou-se obrigatória para quem quer conhecer o que andam jovens artistas a fazer por aí. Depois da China e do Médio Oriente, Saatchi interessa-se pela Índia, e a exposição "The Empire Strikes Back" ("O Império Ataca de Novo", uma paródia à "Guerra das Estrelas") é uma revelação de como no mundo actual a arte é a mais inteligente e original interpelação aos poderes instituídos e à irónica indiferença em que apodrecemos.

Não prescindindo da literatura, e muito menos da narrativa, da inclusão de um testemunho, uma história, uma alegoria ou fábula, a arte contemporânea, nos seus diversos suportes e materiais, diz-nos o que esta exposição de jovens artistas indianos e paquistaneses (alguns nascidos ou educados na América e Inglaterra) nos diz: estamos fartos. Estamos fartos das vossas mentiras. Não estamos mortos. Esta arte é uma forma de exílio. De rejeição.

É uma verdade que só pode ser enunciada por um jovem, antes de a resignação, o conformismo ou o sucesso tomarem conta da mão e da cabeça e reduzirem o artista a uma peça da engrenagem. O que, excepto em casos especiais como o de Bacon, acontece sempre. O artista passa a bibelô. Antes de os tornar bibelôs, Saatchi gosta de os descobrir e coleccionar.

A arte contemporânea fere a nossa sensibilidade de um modo mais inteligente e imediato do que a literatura, que anda às voltas com o seu umbigo. Diz-nos o que as novas gerações pensam, mais do que as bichas para comprar um iPod. Diz-nos o que sentem. Saio da Saatchi e vejo que todo o bairro se alindou, com pequenas lojas e esplanadas e uma relva fresca e miudagem a passear. A nova moda na Califórnia e em Nova Iorque são as barracas gastronómicas na rua, e muitos jovens que não têm dinheiro para montar um restaurante usam uma carrinha para mostrar a arte e ganhar uns cobres. É o espírito empreendedor no seu esplendor. Sem subsídio, sem patrocínio, lá estão eles a vender sanduíches e pratos de qualidade, confeccionados em casa ou na carrinha. Nada a ver com fast food ou rulotes de bifanas falidas. É comida boa, a bom preço. Os jovens arranjam sempre modo de pensarem pela sua cabeça, sabem que a crise financeira e o falhanço da política os obriga a sobreviver.

Vejo letras familiares numa das barraquinhas gastronómicas. Leitão assado. Leitão assado em inglês. E um nome português: Rainha Santa. A língua é o reconhecimento imediato, a identidade partilhada. São portugueses. Tugas. Nada mais tuga do que leitão assado e a sua sandes. Aqui estão, aqui estamos, como sempre estivemos em toda a parte. A barraquinha, uma tenda, é simples e elegante, como a paisagem que a rodeia.

Já aqui escrevi sobre vários emigrantes portugueses no Reino Unido. Todos jovens e todos filhos de uma classe média que trabalhou toda a vida e não tem ilusões sobre o mercado de emprego e a mobilidade social. Aperta-se, fulaniza-se e reserva-se para os afilhados e filiados do poder político ou económico. Os do costume. O administradorzinho ao serviço tem uma bela vida aos 30 anos. Estes empreendedores emigrantes trabalham numa livraria, numa florista, numa plataforma de petróleo do Mar do Norte, num cabeleireiro, num grande armazém, numa galeria, num escritório, na cozinha de um restaurante, etc. Empregos modestos para jovens com ambições e cabeça. Estudam e trabalham. Querem ser escritores, realizadores de cinema, actores, artistas plásticos, cozinheiros, inventores, costureiros, designers, empresários. Milionários. Vencedores. Dizem a mesma coisa, aquilo lá não dá, não sobrou nada. Não há futuro. E os políticos não prestam. Aqui também não prestam, mas isso não incomoda. É mais largo, é mais livre, há menos regras. Aprende-se mais.

Raparam tudo. É o que eles querem dizer. A minha geração, que não tinha 20 anos no 25 de Abril, falhou a geração futura. Não toda. A que tem pais abastados e inseridos no sistema está bem. Estuda fora, tem um emprego na volta. A mais pobre sabe que tem de emigrar ou render-se à pobreza e à humilhação. A do meio, a que tem grandes ambições e não usa influências na capital, emigra. Recitam o 'Adeus Português' e despedem-se da grilheta de um regime onde a pata lhes apodreceria. A garra. Esta gente tem garra. Os descendentes do povo que inventou um império. E a sandes de leitão.

Texto publicado na edição da Única de 20 de Fevereiro de 2010

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Oportunidade de expansão da ASAE
cora kellen (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 10:50 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
A CFA, deve denunciar de imediato à ASAE, todos esses delinquentes.

Pois alcançados todos os objectivos, de encerrar tudo o que o que "cheirasse" a negócio familiar, há que expandir.

Dos outros não sei, mas de certeza "o" das sandes de leitão não as declara na totalidade, além de não usar luvas e faca para o pão e outra para a carne, para não misturar os sabores.

E não só. Há muito a fazer.

 
 
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    Re: Oportunidade de expansão da ASAE    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 14:13 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Relatório Tuga - Os jovens
relatoriotuga (seguir utilizador), 1 ponto , 11:12 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Cara Clara,

Garra é o que não falta a esta geração, onde me incluo. Espirito empreendedor não nos falta também. Capacidade de adaptação, ideias, patriotismo (o verdadeiro, não o CR9..)... etc etc... nada disso falta aos descendentes de quem inventou um império, como nos chama.

Mas também não nos falta um sentimento de frustração, estamos fartos de ser gozados, achincalhados e reprimidos por uma sociedade que dá preferencia a amigos, primos, filhos e enteados enquanto os verdadeiros valores desta nação, o seu futuro, os brilhantes "herdeiros dos bravos que fizeram um império", são aproveitados por outros países porque aqui já não há espaço para verdadeiros talentos.

Será que a opinião publica sabe que os jovens portugueses são extremamente "apreciados" no estrangeiro? Será que a opinião publica sabe que somos pioneiros em diversas àreas tecnológicas? Que muita da comunicação de multi-nacionais é pensada e criada por portugueses? Não, não sabem...

Porque tendemos a menosprezar os nosso talentos, porque o que interessa é se o PM é um sacana ou não, o que interessa é se a Sonangol está ou não a comprar Portugal aos poucos..

Não obstante, já perto dos trinta anos, não perco a esperança que seremos nós, esta geração com garra e determinação, perseverança e empreendorismo, que vamos alterar o rumo deste país..que vamos correr com os velhos do Restelo e deixar um país melhor para os próximos "herdeiros"...
 
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    Ah, pois é, eu sei é outras coisas.    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:58 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Chica esperta
lusalma (seguir utilizador), 1 ponto , 11:44 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Sra Dra, leio sempre a pluma caprichosa, não que aprecie particularmente a sua escrita, mas que me dá gozo seguir cada vez que a senhora escreve sobre as maiores banalidades, Tou cansado de saber por exemplo que, Nova York, sim, Nova York é sempre um banho de civilização, mas não só, Londres, Paris e até mais próximo, Madrid ou Barcelona, isso sim, são cidades culturais, magnificas. A Lisboa resta-lhe a luz. É verdade, tivemos a sorte de ter uma capital com ....Luz natural impagável. A Sra Dra tem viajado muito não é? Deve ganhar muito bem, não é de estranhar, sempre bons lugares, diz-se umas coisas e já está. Tem razão a senhora, a plebe que se lixe pá. Isto é uma cambada pá. Este povo nunca mais aprende pá. A culpa é desta choldra pá. Eles nem sabem votar pá. Não é que se tivessem votado em Mário Soares estariamos melhor?pelo menos alguns estariam pá.
 
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Chelsea Strikes Back
Jonatas (seguir utilizador), 1 ponto , 11:52 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Strikes back que dizer Contra-ataque e não Ataca de Novo. O que é muito mais interessante: refere-se à resposta (artistica, suponho) do antigo Império.
 
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Parvoeiras
AvôMetralha (seguir utilizador), 1 ponto , 15:06 | Quinta feira, 25 de fevereiro de 2010
Ninguém é profeta na sua terra é um ditado que só podia ser português. Esta admiração parva por quem emigra e o achincalhamento inverso de quem não emigra é um discurso cansativo e completamente imbecil. E se deve ser aturado, por complacência com a ignorância, aos idiotas do costume, deve, do mesmo modo, ser repudiado quando produzido por cabeças (ditas) pensantes, como a senhora que produz estes artigos. As generalizações são os sinais mais inequívocos da fraca capacidade de análise e argumentação. E o artigo, no que se reporta à caracterização sociológica do nosso país, está repleto delas. Somos um país de "cunhas", do "culto da incompetência", de "afilhados" e de "sobrinhos". Somos um país que "obriga" os seus a "emigrar" e a nos dar "lições de vida". Somos, em suma, um país em que só fica quem "não presta" e que afasta quem "presta".
De alguém que esteve disposto a dar a vida pelo seu país, que nunca meteu uma cunha na vida, que trabalha desde os 14 anos, que concluiu um curso superior aos trinta e muitos, que criou três filhos, construiu uma casa e montou uma empresa, de alguém que nunca dobrou a espinha e apanhou e deu na vida mais vezes do que seria necessário, desse alguém, Drª Clara Ferreira Alves, ouça o seguinte: vá-se catar, você mais os emigrantes e as sandes de leitão.
Cumprimentos
 
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Uma vida em falso
themissinglink (seguir utilizador), 1 ponto , 11:58 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Esta CFA, assumida perdedora "self inflicted" da geração que ficou nas couves (segundo a própria), parece, mas não é, muito diferente da militante soarista, albeit anti-socratiana, que nos brinda todas as semanas com a sua clarividência perversa no Eixo do Mal. Tendo ficado, ficou bem - safou-se. O mesmo não se pode dizer de quem a lê, de quem se sente arrastado para um abismo de provincianismo, no sentido pessoano, que emana de tudo o que ela diz ou escrevinha. Torpe de mente mas ágil na acção, CFA já mudou o tom super rosa para se respaldar nas benesses do próximo lider das hostes socialistas, que este já deu o que tinha a dar, não é pau firme para encôsto seguro. Seria mais honesto juntar-se ao seu antigo patrão do Expresso, que ela tanto elogia e defende. No Sol, ela é o bibelô que falta.
 
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ZzZZzzzz
Preta&Kitty (seguir utilizador), 1 ponto , 22:09 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010
Como sempre esta CFA demonstra ser sempre uma jornalista básica! Ainda não percebi porque é que continuam a dar-lhe trabalho muito sinceramente! Sempre encantada com o que se passa lá fora e escrever e criticar o que nitidamente não sabe, os "administradorzinhos" têm uma boa vida porque trabalham para isso, e carregam responsabilidades! Os que vão para fora trabalhar como floristas, passados uns anos voltam para a mesma situação que deixaram - porque não quiseram arriscar e investir cá! Lá porque ganham mais €500 ou €600 do que aqui acham que isso lhes resolve a vida!etc etc
Cumprimentos sua jornalista de 5ª categoria.
 
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