Dado o ponto profundo da recessão, com os Estados Unidos atolados numa crise económica que tem atacado até os fundamentos da estrutura política e bancária, foi com desagrado que Wall Street recebeu novas do que se passa na economia portuguesa, agora que está acumulada uma dívida pública excedendo em muito os padrões rigorosos impostos pelo banco central europeu.
Péssimas foram também as notícias que chegaram da Grécia, uma vez que, como tem sido especulado até por vozes governamentais, o país não parece tem fundos suficientes para pagar os empréstimos internacionais contraídos para sustentar o sector público da economia. O governo de Atenas encontra-se actualmente em conversações com Bruxelas no sentido de receber uma infusão extraordinária de euros, a única estratégia que resta aos gregos para evitar o despenhamento financeiro do país como aconteceu com a Islândia e, mais recentemente, com o Dubai.
A Grécia regista agora um défice nas contas públicas que vai alem dos 12 por cento, quatro vezes mais que os 3 por cento autorizados por Bruxelas quando, na altura da admissão e, mais tarde, com a criação da moeda comum, os países industrializados do norte decidiram acelerar as indústrias do sul com empréstimos a taxa baixa. Mas, de repente, reparou-se que muitos dos países do sul estavam a viver para alem dos seus meios. Wall Street está a olhar para os números que chegam de Portugal, da Espanha, da Grécia e da Irlanda. Não gosta de que vê e vai para casa passar o fim de semana com ar pessimista. A recessão americana não estava preparada para outra rodada de más notícias.
A Espanha já anunciou que, face ao endividamente do estado, os investimentos governamentais na ecominia vao baixar em 72 mil milhões de euros ao longo dos próximos anos. Espera-se que, com isso, o sector da habitação, sempre vital em qualquer quadro económico visto que abraange tantos produtos e sectores sociais da economia, sofra ainda mais do que até aqui. Em Wall Street as palavras panish housing bubble ganharam foros de pandemia a evitar cuidadosamente. O desemprego espanhol já vai a 21 por cento, com franjas sociais inteiras mostrando-se desmotivadas sequer para tentar encontrar um posto de trabalho.
As dívidas públicas da Espanha e da Irlanda, que continuam a levantar o espectro de um efeito dominó caso a situação financeira europeia começe de facto a desmoronar-se, alarmou os investidores sediados em Nova Iorque. O dólar subiu, isto num momento em que os vários sectores da economia, dos carros aos aviões passando pelos vários produtos associados á cultura popular de exportação, precisavam de toda a ajuda possível na coluna das exportações.
Dólar mais alto quer dizer menos turismo, por exemplo. Ou competitividade diminuída face à Airbus. Hoje, sexta-feira, mais notícias pouco auspiciosas: o desemprego continua a subir e atinge agora os 9,4 por cento. O único halo dourado está no facto de a velocidade da ascenção ter diminuído, sinal, tyalvez, de que a ecomomia já atingiu o fundo.
O mergulho registado na bolsa começou ontem, quinta-feira, quando os bancos repararam que algumas das maiores dívidas financeiras mundiais - como é o caso das contas públicas espanholas - podiam não ter pagador à altura.. Deixam de emprestar tanto, a economia contrai e o banco pode entrar em falência, agravando ainda mais o estado geral do país. A bolsa de Nova Iorque reparou nisto tudo e, só ontem, o Banco Bilbao e Viscaya, bem como Santander, desceram mais de 9 por cento.
Ninguém está à espera que a zona euro deixe que a Grécia entre na bancarrota - e, muito menos, que Portugal e Espanha não honrem as suas obrigações - mas a situação encontra-se suficientemente volátilizada para despertar sentimentos de pânico, um tipo de energia que se tem revelado bastante relevante nos mercados internacionais. Tanto assim que os analistas começaram hoje a debater o que aconteceria que o mundo fosse surpreendido pela implosão de uma, suposta, chinese bubble.
Levando em conta a enorme decepção financeira chegada da Europa do sul, os correctores de Wall Street já começaram a designar de forma pouco carinhosa o esbanjamento oficial anunciados por Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha: PIGS. (em inglês, Espanha diz-se Spain). As iniciais podem ser adaptadas, em certas conversas, à inclusão da Itália. Nesse sentido Wall Street refer-se ao grupo como PIIGS. A bolsa de Nova Iorque, depois de semanas em que se julgava que o pior já tinha passado nesta recessão histórica, voltou a baixar dos 10, 000 no Dow Jones, um índice desvalorizado em 400 pontos só nos últimos 2 dias. Em Nova Iorque, a dívida de Portugal confirma a enfermidade dos mercados internacionais