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Diplomacia económica em Caracas

Maria Luísa Vasconcelos, Professora da Universidade Fernando Pessoa
18:00 Quinta-feira, 21 de Jan de 2010
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Caracas, 21 de Janeiro. Pela décima terceira vez testemunho in loco os modos diferentíssimos do mercado venezuelano, as dificuldades e entraves negociais, a preocupação com a incerteza e o nível de risco, e ainda assim a vontade das empresas portuguesas em estabelecerem uma relação económica com este mercado.

A Venezuela é hoje um dos enfoques da política económica externa portuguesa, exemplo prático de um conjunto de operações de diplomacia económica que redundaram, em Maio de 2008, numa espécie de barter de petróleo por produtos/serviços, traduzido num Acordo Complementar ao Acordo Económico entre Portugal e a Venezuela.

A Venezuela representa hoje o nosso 26º mercado de exportação (era 62º em 2007), e/ou 12º quando considerados apenas os mercados extra-comunitários (era 38º em 2007). Entre Janeiro e Novembro de 2009 exportámos já 122,3 milhões de euros (17 milhões em 2007), valor este que, sabemos, não mede aquelas exportações que, porque são realizadas através de portos intermediários, aí ficam registadas. Mesmo num período de abatimento internacional profunda, as exportações portuguesas para este mercado apresentaram uma taxa de variação de 153,9% (Janeiro a Novembro 2009).

A Venezuela é, assim, expressão viva do sound bite "mais empresas, mais valor, mais sítios", que é a forma corrida de dizer "alargamento da base exportadora, qualificação da oferta, diversificação de mercados". Mas a Venezuela é bem mais do que a concretização de uma abordagem ao mercado internacional. Representa uma comunidade de cerca de 500.000 portugueses, sem considerar o número de luso-descendentes, já tão bem integrados neste país. Representa uma inversão na praxis da diplomacia económica, tradicionalmente restringida aos negócios estrangeiros mas hoje transversalmente praticada por todos os membros do governo, incluindo o Primeiro-ministro. Representa o desbravar de novos mercados, a aprendizagem e uma vontade (visão) de procurar mercados geograficamente bem mais longínquos do que os nossos parceiros na velha Europa.

Mau grado as dificuldade do mercado venezuelano, mau grado a desvalorização por níveis ocorrida na passada semana (Bs 2,60/USD 1,00 para importações de alimentos, saúde, educação, maquinarias e equipamentos, ciência e tecnologia; Bs 4,30/USD 1,00 para restantes), mau grado a burocracia, as leis (extensas e desconhecidas), mau grado as nacionalizações, mau grado etc., etc., ainda assim, os empresários portugueses procuram este mercado. Pergunte-se porquê. Pergunte-se por quanto tempo. Pergunte-se se fazem bem. Pergunte-se se o sabem fazer.

(a continuar)

P.S.: Uma nota solidária a todos os Haiti do mundo, lembrando que é preferível ajudar antes da desgraça, diminuindo-a.

 

Clique na imagem para visitar o site da Universidade Fernando Pessoa

Nota
Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.

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