12/02/2012 atualizado às 18:37

Dias Loureiro mentiu à Comissão de Inquérito

Expresso revela contrato negociado com veículo de investimento que ex-ministro negou conhecer no Parlamento.

Isabel Vicente
9:45 Sábado, 14 de fevereiro de 2009
"
Disse aquilo de que me lembro"
, garante Dias Loureiro
" Disse aquilo de que me lembro" , garante Dias Loureiro
Tiago Miranda

O ex-ministro e conselheiro de Estado disse à Comissão de Inquérito ao caso BPN que nem sequer sabia que existia o Excellence Assets Fund - um veículo fundamental para uma compra ruinosa (prejuízo 38 milhões de dólares) de duas empresas tecnológicas em Porto Rico.

Porém, documentos revelados pelo Expresso demonstram que Dias Loureiro assinou dois contratos onde esse fundo é parte. Ou seja, além de ter participado em todo o negócio, como já divulgáramos na semana anterior, o ex-administrador da SLN não disse a verdade ao Parlamento, o que é considerado grave, uma vez que as Comissões de Inquérito funcionam com a mesma dignidade que os inquéritos da Justiça.

Confrontado pelo Expresso, Loureiro mantém que não mentiu quando disse desconhecer o Excellence. "Disse aquilo de que me lembro", afirmou.

Assinou e esqueceu

"Nunca ouvi falar nesse fundo". Foi com esta clareza que Manuel Dias Loureiro respondeu aos deputados que o questionaram sobre o Excellence Assets Fund na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banco Português de Negócios (BPN). "E tem ideia de o BPN ou a Sociedade Lusa de Negócios (SLN) alguma vez terem adquirido este fundo?" - perguntaram então os deputados. "Não, não tenho", voltou a responder o ex-administrador da SLN.

Foi assim que Dias Loureiro abordou o tema do Excellence Assets Fund na Comissão. Mas os factos são outros. O Excellence é parte decisiva nos dois documentos fundamentais do negócio. E os dois têm a assinatura do actual Conselheiro de Estado (a que o Expresso teve acesso). No início do negócio foi neste fundo que ficou estacionada a participação do BPN em Porto Rico e o fundo voltou a ser parte no contrato que encerrou o negócio em 2002.

O contrato de promessa de compra de 2626 acções do Excellence (com sede nas Ilhas Caimão) por parte da SLN, foi assinado por Dias Loureiro e Oliveira Costa em 30 de Novembro de 2001. O encerramento foi assinado em 22 de Julho de 2002, deixando um prejuízo de 38 milhões de dólares no grupo BPN.

Dias Loureiro na comissão de inquérito: há contradições entre os depoimentos e os documentos recolhidos
Dias Loureiro na comissão de inquérito: há contradições entre os depoimentos e os documentos recolhidos

Dias Loureiro afirmou também na comissão não ter sido ele a realizar o negócio e fez questão de sublinhar que era uma equipa de advogados que tinha essa incumbência. O ex-ministro afirmou ter apenas "avaliado o negócio" e esclareceu: "Quanto ao negócio em si, não tive nada a ver com ele, não fiz pagamentos, não sei como são os pagamentos. São coisas diferentes".

Porém, o objectivo do contrato de promessa de compra e venda de 30 de Novembro eram precisamente as acções do Excellence Assets Funds.

Num momento posterior, e dada a necessidade de desvinculação do negócio de compra da Biometrics e da Nova Tech (as duas tecnológicas-fantasma) por ser necessário injectar mais dinheiro do que o inicialmente previsto (já ascendia a 71 milhões de euros) -, Dias Loureiro foi mesmo o único a assinar o contrato, em representação da SLN Novas Tecnologias.

Confrontado pelo Expresso com o facto de ter afirmado desconhecer o fundo, nem se recordar de ter assinado contratos, Dias Loureiro, afirma que "não tenho memória de ouvir falar em nenhum Excellence Assets Fund". E mais uma vez afirma: "Toda a operação definitiva não fui eu que tratei. Estive envolvido na fase inicial. Quem terá depois tratado da compra foi Jorge Vieira Jordão, o mesmo que já havia dito à comissão".

No dia 31 de Novembro de 2001, Manuel Dias Loureiro assinou com Oliveira Costa o contrato de promessa de compra de 2262 acções do Excellence Assets Fund, onde o negócio de Porto Rico ficou parqueado. No dia 22 de Julho de 2002 Dias Loureiro assina sozinho com o Excellence o fim do negócio
No dia 31 de Novembro de 2001, Manuel Dias Loureiro assinou com Oliveira Costa o contrato de promessa de compra de 2262 acções do Excellence Assets Fund, onde o negócio de Porto Rico ficou parqueado. No dia 22 de Julho de 2002 Dias Loureiro assina sozinho com o Excellence o fim do negócio

Dias Loureiro sublinha ainda ao Expresso: "Não me lembro dos contratos, posso ter assinado, se vocês o dizem, mas não tenho memória. Foram dois actos isolados. Não tenho arquivo nenhum. Sei que assinei o memorando de entendimento no início do contrato e mais nada".

Questionado se face à documentação sente alguma necessidade de ir prestar novos esclarecimentos ao Parlamento diz que não. "Não lhes menti em nada. Falei da estrutura do negócio e expliquei tudo. Nunca menti na comissão, disse aquilo de que me lembro".

Quanto a manter-se como conselheiro de Estado, está de consciência tranquila. "Não cometi nenhuma ilegalidade. Esse é o meu sentimento profundo. Acreditava em quem me dizia que as coisas eram feitas daquela maneira". E refere: "Se me recordasse do tal fundo acha que ia perguntar a Oliveira Costa onde estava a participação das empresas de Porto Rico? Não tinha noção onde estavam".

Para os deputados tudo isto começa a parecer uma história mal contada. Nuno Melo, do CDS-PP, afirma que, "a ser verdade o que o Expresso publica, isso contradiz o que Dias Loureiro assegurou à comissão". Hugo Velosa, do PSD, admite voltar a chamar alguns responsáveis, mas não ainda "nesta fase". Há contradições fundamentais. O próprio Dias Loureiro terá dito coisas que os documentos a que entretanto tivemos acesso (já depois de ser ouvido) desdizem".

Já Ricardo Rodrigues, deputado do PS, afirma: "Tenho a convicção de que há pessoas que mentiram. Há contradições flagrantes em vários depoimentos, entre os quais o de Dias Loureiro". E deixa um aviso: "levo muito a sério o sentido das pessoas que faltam à verdade. Se o fizerem devem ser chamadas à responsabilidade". O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo anuncia que vai pedir uma nova audição de Dias Loureiro, porque "as contradições recaem no facto de Dias Loureiro não se limitar a ser um estratego do negócio. Interveio no financiamento das operações em Porto Rico, diz não saber do fundo".

Segundo Honório Novo, do PCP, "há muitas contradições entre os testemunhos das várias audições". Não quis, para já, valorizar o depoimento de ninguém, embora admita voltar a chamar alguns responsáveis.


O que disse Dias Loureiro

"Nunca ouvi falar nesse Fundo (Excellence Assets Fund)"

"Não fui fazer o negócio. Quem estava a trabalhar o negócio não era eu, eram advogados (...). Quanto ao negócio em si, não tive nada que ver com ele..."

"Houve algumas actas que assinei, aquelas que houve, como é evidente. Aliás, garanto-lhe que não devem haver meia dúzia de actas assinadas por mim, na minha ideia. Estamos a falar de um período de cinco anos"

Manuel Dias Loureiro, na Comissão Parlamentar de inquérito, 27 de Janeiro


Os factos

Dias Loureiro assinou o contrato promessa de compra de 2262 acções do Excellence Assets Fund à sociedade La Granjilla Corporation, sediada no Panamá. Dias Loureiro e José Oliveira Costa representaram a Sociedade Lusa de Negócios - 31 de Novenbro de 2001

Dias Loureiro não só assina o memorando de entendimento da compra das empresas em Porto Rico (Biometrics e Novatech), como disse ao Expresso na passada semana, mas igualmente o contrato de desvinculação desta compra, onde é referido o Excellence Assets Fund e uma offshore, a Newtech Strategic Holding - 22 de Julho de 2002


Administrador diz que BPN é caso de polícia

Comissão quer levantamento de sigilo para melhor apuramento da verdade. Ex-gestor do BPN admite ter dado informações incompletas ao Banco de Portugal

São cerca de 30 os documentos que a Comissão Parlamentar de Inquérito pediu e não recebeu porque o Banco de Portugal e o BPN alegaram sigilo profissional ou bancário.

Os deputados avançaram com o pedido de levantamento do segredo para o Tribunal da Relação, mas nada está garantido. Apesar de a maioria dos pedidos ser aceite (entre 80 e 90%). o facto de não ser solicitado por autoridades é um senão. Para a Comissão, o levantamento do sigilo iria esclarecer muitas questões contraditórias que têm surgido. A documentação de peças como a troca de correspondência entre o Banco de Portugal (BdP) e os auditores, o Banco Insular, os relatórios de auditoria e listagem de várias operações seriam decisivos para o apuramento da verdade.

Esta semana os trabalhos ficaram marcados pelas audições de Rui Pedras, ex-gestor de Miguel Cadilhe e actual administrador do BPN. Pedras admitiu que o plano de Cadilhe dificilmente teria vingado. Disse mesmo que o BPN "é um caso de polícia" e uma "megafraude". No mesmo dia, terça-feira, Emanuel Peixoto, subdirector de operações, afirmou que as operações do Banco Insular (BI) ainda estão disponíveis para consulta. Já José Vaz Mascarenhas, presidente do BI, revelou, para quem tinha dúvidas, que o Insular sempre foi da SLN e refutou o buraco de €585 milhões imputado ao banco. Acrescentou que o BI era "uma caixa de correio do BPN", já que o BPN decidia e montava as operações de crédito no BI. Periquito Costa, um homem contratado por Cadilhe para detectar as offshores escondidas na SLN, encontrou 94, e revelou que estas serviam para financiar prejuízos como créditos em mora ou incobráveis.

António Franco, ex-director de operações e ex-administrador, admitiu ter colaborado na prestação de informações não-verdadeiras às autoridades, porque não lhe faziam as perguntas certas, referindo que o BdP "podia ter intervindo muito mais cedo". Estas afirmações provocaram uma reacção por parte do supervisor, que em comunicado diz que a confissão de António Franco de "prestação de informações incompletas e não-verdadeiras às autoridades merece o máximo rigor da lei na apreciação dos seus actos".

Â.S.


Os homens-chave

José Oliveira Costa
Fundador e presidente do grupo BPN/SLN, queria formar um grupo de novas tecnologias para levar à Bolsa. Deu luz-verde ao negócio de Porto Rico, embora numa segunda fase se recusasse a injectar mais dinheiro

Manuel Dias Loureiro
Foi um dos entusiastas do negócio de Porto Rico. Era administrador da SLN e da SLN Novas Tecnologias. Intermediou e participou activamente no negócio das tecnológicas porto-riquenhas. Foi peça-chave na concretização e desfecho do negócio. Foi Dias Loureiro que apresentou Hector Hoyos e El-Assir a Oliveira Costa

Jorge Vieira Jordão
Entrou na SLN Novas tecnologias como técnico para avaliar do negócio de Porto Rico que já estava a ser estudado, em Agosto de 2001. Dá vários pareceres desfavoráveis às operações de compra da Biometrics e Novatech. Mesmo assim o negócio avança e sucede a Dias Loureiro na SNL Novas Tecnologias

Carlos Gonlçalves
Era administrador da SLN Novas Tecnologias, participou nas reuniões que conduziram à compra das empresas de Porto Rico. Foi, juntamente com Oliveira Costa e Dias Loureiro, na primeira viagem a San Juan, onde estava sediada a Biometrics. Saiu poucos meses depois por discordar do negócio

El-Assir
Empresário libanês radicado em Madrid com quem Dias Loureiro estabeleceu amizade, após ter ajuda do o político português a fazer os negócios em Marrocos (da Plêiade). Era o principal accionista (não assumido) das empresas de Porto Rico e participou nas reuniões decisivas no Estoril e San Juan de Porto Rico que conduziram à concretização do negócio

Hector Hoyos
Surge como sendo o presidente executivo da Biometrics e rubricou contratos com a SLN, mas era apenas o homem de mão de El-Assir

I.V./João Ramos


Quando a testemunha mente
Caso uma das testemunhas minta aos deputados, a presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, Maria de Belém, não tem dúvidas: "Se a mentira tiver relevância criminal será comunicada ao Ministério Público". É que, apesar de uma Comissão de Inquérito Parlamentar ter poderes equiparados aos de um tribunal de primeira instância, avalia apenas da responsabilidade política (nunca criminal) dos envolvidos. Ora, o regime jurídico das comissões parlamentares de inquérito é claro: "A forma dos depoimentos rege-se pelas normas aplicáveis do Código de Processo Penal sobre prova testemunhal". Isto quer à primeira vista dizer que, caso os depoentes numa Comissão Parlamentar de Inquérito não respondam com verdade às perguntas que lhes forem feitas pelos deputados, podem ser julgados (e condenados) por crime de falsidade de testemunho - punível, de acordo com o Código Penal, com prisão de seis meses até três anos ou multa nunca inferior a 60 dias. Mas esta é uma interpretação da lei. Outra é que, pelo facto de não prestarem juramento (ao contrário do que sucede em tribunal), os depoentes não podem ser acusados de falso testemunho. Até hoje nunca aconteceu. Há que esperar pela primeira vez para verificar qual das interpretações prevalece.
C.F.


Cronologia do negócio

Verão de 2001
El-Assir propõe negócio de Porto Rico a Dias Loureiro quando este estava a ultimar a venda da Redal, do universo da Plêiade, em Marrocos. Entretanto, El-Assir desloca-se ao Estoril no seu jacto particular e reúne-se com Oliveira Costa, Dias Loureiro, Carlos Gonçalves e Hector Hoyos. Pouco depois estes portugueses visitam as empresas em Porto Rico. Foi celebrado também um memorando de entendimento sobre a compra das tecnológicas.

Novembro 2001
Apesar de vários pareceres desfavoráveis, concretiza-se a compra das empresas Biometrics Imagineering e da NovaTech-NovaTechnologies Inc. Nesta altura é ainda efectuada a compra de 2626 acções do Excellence Assets Fund por parte da SLN à La Granjilla Corporation.

Julho 2002
A 22 é assinado um contrato de desvinculação da compra das duas empresas. Dias Loureiro representa a SLN e Hector Hoyos, a Biometrics. O negócio aborta com um prejuízo de 38 milhões de dólares, mas evita-se injectar mais dinheiro. O Excellence Assets Fund manteve uma participação accionista na Biometrics por mais dois anos.

I.V/J.R.


Clique nos links em baixo para ver os documentos em formato PDF

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Fevereiro de 2009


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O descaramento do Conselheiro de Estado
LuisR (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 10:55 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Já é grave que um tipo tenha feito fortuna "à base" do trafico de influências....enfim, o sistema assim os premeia.
O que não aceito é o descaramento deste senhor, tido como um gestor de excelência, com participações executivas, ou não, em várias administrações, tenha "convenientes lapsos de memória" que são aceites pelas tribos que gerem comissões de inquérito de idoneidade duvidosa (politizadas). Do quê é que este conselheiro de Estado mais o PR se podem "convenientemente esquecer"? Talvez de que os portugueses existem, que Portugal é uma nação soberana? Que o tráfico de influências para benefício próprio é ilícito?
Será que no meio destes "acontecimentos" todos à volta desta, e de outras figuras, ainda existe sensaboria política para os manter em poleiros onde se deveria exigir "alguma seriedade"?
 
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Esquecimento por conveniencia?
Jorgesier (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 14:18 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
O Senhor Conselheiro de Estado, criou um sério problema quer ao Senhor Presidente da República, quer ao país. Este tipo de esquecimentos não são permitidos e muito menos tolerados a quem tem responsabilidades públicas. Quanto ao problema que este senhor criou ao Presidente da República que anteriormente colocou as mãos no fogo por ele, e agora viu-se queimado, será fácil de resolver, convida-o a pedir a demissão do cargo, e se fosse na América obrigava-o a pedir desculpas em praça pública, e assunto resolvido. Quanto ao Conselho de Estado propriamente dito a questão coloca-se de forma diferente. O que este senhor fez com o seu esquecimento foi que qualquer Português pode agora colocar a questão - Com conselheiros assim, qual teria sido o último conselho dado ao Senhor Presidente da República? Esqueceram-se. Mas neste momento o que mais me preocupa é saber se ele também se esqueceu de receber o ordenado de Conselheiro de Estado, é que se assim for o caso é grave.
 
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Deploravelmente revelador!
ameijoafresca (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 10:45 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Há quem não fale a verdade,
embora não tenha pudor,
fantasiam com falsa seriedade
como um reles actor.

O mexilhão enganado
participa como espectador,
neste teatro encenado
deploravelmente revelador.

ameijoafresca.blogspot.com
 
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DL
felicidade (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 12:50 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
"Nunca ouvi falar nesse fundo".
SE A QUESTÃO É O FUNDO, JÁ LÁ CHEGÁMOS. AGORA, BASTA VIRAR O "RECIPIENTE" AO CONTRÁRIO. Se isso acontecer (queiram-no os deuses) vai ser uma avalanche de porcaria!
 
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...é um pouco assim.
corta bushos (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 14:24 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
O «Princípio de Peter»
O «Princípio de Peter» foi primeiramente proposto por Laurence Johnston Peter (1919–1990). L. J. Peter, antigo professor na University of Southern California e na University of British Columbia, viria a tornar-se famoso com a edição de uma obra com o mesmo título, editada originalmente em 1969, e hoje considerada um clássico no campo da gestão.
De acordo com o autor, em organizações burocráticas hierarquicamente estruturadas os funcionários tendem a ser promovidos acima do seu "nível de incompetência". Passo a explicar, o autor, a partir de um conjunto de observações, mostra como os funcionários costumam começar em posições hierárquicas inferiores. Porém, quando se mostram competentes na tarefa que desempenham, normalmente, são promovidos para posições hierárquicas superiores. Esse processo mantém-se até atingirem uma posição onde já não são competentes. Isto é, uma posição onde as competências que despoletaram a sua ascensão já não são as necessárias para essa mesma posição. E, por isso, visto que a despromoção não é um mecanismo habitual, as pessoas mantém-se nessas posições prejudicando a organização onde se encontram. É isso que Peter designa por "nível de incompetência" - o grau a partir do qual as pessoas já não possuem competências para a posição que ocupam. Existe, inclusivamente, um aforismo tradicionalmente atribuído a Peter e utilizado para explicar este princípio. Diz assim: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence".
Este princípio é, obviamente, questionável. Em primeiro lugar, por ser culturalmente específico e apenas fazer sentido em organizações meritocráticas (ou minimamente meritocráticas). Com efeito, em determinados contextos sócio-culturais as promoções baseadas no mérito não são assim tão frequentes. Depois, por carregar algum determinismo teleológico na evolução das organizações. E os problemas associados ao "princípio de peter" não se esgotam aí.
Porém, não posso deixar de pensar no autor sempre que me deparo com algumas situações que parecem enquadrar-se, perfeitamente, no "princípio de peter". E, ultimamente, deparei-me com algumas.
Publicado por socioblogue em novembro 27, 2003 11:20 PM
 
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Título Infeliz
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 0:37 | Domingo, 15 de fevereiro de 2009
Habituei-me a ler semanalmente o Expresso, e a considerá-lo, o melhor Jornal de Portugal!
No entanto, parece-me, infeliz , apelidar alguém de "MENTIROSO", sem ter a certeza de que pode estar cometer uma injustiça!
Ainda não há muito tempo, que a propósito de uma notícia
dada a respeito da P. da R, teve de "engolir em seco", porque a mesma era falsa!
Um pouco mais de comedimento, não ficaria nada mal ao
ao Expresso!
Porventura, ele é acusado de alguma crime, neste ou qualquer outro caso?
A Justiça, tirará as suas consequências, e se ele fòr culpado, pagará por isso!
O que o Expresso está a fazer é um "julgamento popular"
e a antecipar-se às investigações da PGR !
Porque é que estas notícias são absolutamente verdadeiras
e as ligadas ao "Freeport", não passam de uma "cabala"
contra José Sócrates?
Sabem explicar-me o tratamento diferente, entre ambos?
Vão-me responder que noticiaram de que a Polícia, no caso "Freeport", ter sòmente ouvido quatro testemunhas!
Essa resposta, não me convence!
Acontece, ainda, que muitos se indignam, quando o caso
"Freeport", traz novidades, caso de o "SOL" de hoje, mas sobre D. Loureiro, fazem-se acusações de toda a espécie, sem que, REPITO, até ao momento, ele não é acusado de
nada!
Até lá será sempre INOCENTE !
Por isso, faz muito bem em não se de demitir do C.E.
Ádmitindo que interveio nos negócios, que foram ruinosos,
para a sua firma, quantos Responsáveis Públicos, não
geriram mal as empresas que tutelaram ?

 
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    Re: Título Infeliz ou Titulo correcto?    Ver comentário
Santropez (seguir utilizador), 1 ponto , 17:55 | Domingo, 15 de fevereiro de 2009
    Re: Título Infeliz ou Titulo correcto?    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:24 | Domingo, 15 de fevereiro de 2009
    Re: Título Infeliz ou Titulo correcto?    Ver comentário
Santropez (seguir utilizador), 1 ponto , 0:54 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
    Re: Título Infeliz ou Titulo correcto?    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:01 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
    Re: Título Infeliz    Ver comentário
Brilhantina (seguir utilizador), 1 ponto , 22:01 | Segunda feira, 16 de fevereiro de 2009
O que eu acho giro!...
654321 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 2:37 | Domingo, 15 de fevereiro de 2009
Dias Loureiro, brilhante, pelo menos aquando Ministro da Administração Interna e outras funções de alto coturno, como sõe dizer-se....
De confiança, como muita gente disse e continua a dizer...
Sem mácula, como Conselheiro de Estado...
O que eu acho, ainda, mais giro:
Com todos estes predicados o Sr. não sabia o que andava a fazer no BPN (não percebia nada daquilo, pasme-se, dixit-na Comissão de Inquérito da AR)...cuja devia deixar estas coisas para a Justiça que é o sítio indicado para tais coisas.
  Francamente, a mentira cheira-se a milhas de distância.
Pura e simplesmente. Isto não incomoda o Sr. PR? ah, pois não deve incomodar, não!... a mim, incomodaria, sem dúvida.
Mas há gente que passa incólume, entre os pingos da chuva, ou pensa que passa...
Falhas, ainda graves, no Estado de Direito,que, contudo se vai aperfeiçoando- embora se metam muitos pózinhos na engrenagem, que a máquina parada aproveita a muita gente- contudo...MOVE-SE.
E, como diria o meu Pai, cá se fazem, cá se pagam.
Era trasmontano, ali acima das Beiras...o meu Pai.
 
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EU OUVI...
orim2 (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 15:00 | Domingo, 15 de fevereiro de 2009
O MEU LUGAR NO CONSELHO DE ESTADO ESTÁ À DISPOSIÇÃO DO SR.PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DISSE ELE.

PORQUE CONTINUA LÁ NÃO SEI?!
 
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Esquecer é facil
jamlopes (seguir utilizador), 1 ponto , 10:24 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
O simples cidadao nao pode esquecer os seus deveres, porque se nao é penalizado, estas altas esferas que tratam de assuntos e assinam doc. importantes dizem simplesmente que se esqueceram, infelizmente mais um SR que faz parte do grupo dos esquecidos. Voto para que a justiça tenha força e poder para os sancionar de acordo com a legislaçao.
 
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TUDO EM FAMILIA
ampered (seguir utilizador), 1 ponto , 10:48 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Mil anos de perdão,mentiu a um enorme.
conjunto de grandes mentirosos deste país,
quase sempre escolhidos a dedo conforme a
personalidade politica a ser interrogada.
 
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QUANDO A TESTEMUNHA MENTE
THUNDERST0RM (seguir utilizador), 1 ponto (Divertido), 10:56 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
"Outra interpretação da lei É que, pelo facto de não prestarem juramento (ao contrário do que sucede em tribunal), os depoentes não podem ser acusados de falso testemunho. Até hoje nunca aconteceu. Há que esperar pela primeira vez para verificar qual das interpretações prevalece. C.F"

QUEREM APOSTAR QUE NÃO LHE VAI ACONTECER NADA?
 
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    Re: QUANDO A TESTEMUNHA MENTE    Ver comentário
leitaojo (seguir utilizador), 1 ponto , 21:03 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Mais um comentário censurado
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 10:56 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Mais um comentário meu, censurado no Expresso Online. Um comentário legítimo, sem obscenidades nem insultos, mas que mesmo assim, foi censurado.

Deve ter sido o novo regulamento do Expresso Online...
 
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que escroque
Joao Cruz (seguir utilizador), 1 ponto , 11:12 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
este polícia zero mete nojo aos cães
 
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por isso é que se chamam fundos...
B l u e S k y (seguir utilizador), 1 ponto , 14:37 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
...no fundo , no fundo ele sabe
mas a estratégia é manter o assunto no "fundo"
Há também as "fundações"...
...o país bateu mesmo no fundo.
 
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O Conselheiro de Estado e a Imunidade
JOT (seguir utilizador), 1 ponto , 15:24 | Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Aqui está a razão porque este "Conselheiro de Estado" não quer abdicar deste estatuto. É que enquanto estiver (cobardemente) escondido atrás desta prerrogativa, não pode ser constituido arguido. Já agora, não se deve por de parte a "protecção...ao nível do Governo" dada pelo seu "irmão" e sócio Dr. Jorge Coelho (CEO-Chefe de Esquemas Oficiais).
 
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