Lisboa, 06 Abr (Lusa) - Existem hospitais sem planos de emergência contra incêndios e os que estão em vigor não são testados, uma denúncia dos bombeiros corroborada pelos administradores hospitalares, a propósito do tema do Dia Mundial da Saúde: Hospitais seguros em caso de emergência.
A falta de uma resposta em caso de fogo num hospital arrasta-se há anos. A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) investigou esta matéria no ano passado e concluiu que, das 96 instituições hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS) inquiridas, só 53 dispunham de Plano de Prevenção e Combate a Incêndio, não tendo as restantes 43 planos elaborados.
Esta inspecção detectou ainda que apenas 14 hospitais tinham o seu plano aprovado pelo Serviço Nacional de Bombeiros.
A radiografia não surpreende o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Duarte Caldeira, para quem "a situação melhorou nos últimos anos", embora continuem a existir "várias lacunas".
"Há ainda um número muito significativo de hospitais que carecem de instrumentos de planificação de emergência e organização de evacuação e socorro de doentes" em caso de incêndio, afirma.
As críticas de Duarte Caldeira estendem-se ao treino dos profissionais de saúde para uma eventual emergência, já que os planos que existem "não são testados" em simulacros.
"Não basta existirem planos de emergência. É importante que estes sejam testados, pois de pouco servirão os planos se o pessoal não souber como agir em caso de incêndio para ajudar os doentes", disse.
O presidente da LBP garante que "é muito pouco frequente testarem-se os planos de emergência existentes", uma situação confirmada pelo presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).
Em declarações à Agência Lusa, Pedro Lopes afirmou que "às vezes existem planos hospitalares, mas que estes não são testados".
"Uma coisa é ter planos e exercitar esses planos, fazendo umas simulações de forma bastante consequente e com um número significativo de intervenções", mas essas são situações que nem sempre acontecem em alguns hospitais com planos de emergência.
Pedro Lopes defendeu uma "preparação das pessoas para que quando houver uma contingência estas estejam preparadas para se movimentarem e tomarem as atitudes correctas".
O presidente da LBP lembra que um hospital tem "características próprias", uma vez que, em caso de incêndio, as pessoas a evacuar estão "especialmente dependentes".
"A primeira intervenção deve ser estruturada e cabe ao pessoal médico, de enfermagem e auxiliar darem uma resposta em primeiro lugar", acrescentou.
Para Duarte Caldeira, a matéria de segurança contra incêndios em edifícios públicos, como os hospitais do SNS, é, em primeiro lugar, da responsabilidade de quem gere as instituições e, logo, dos seus conselhos de administração.
O presidente da LBP vai mais longe ao exigir uma "fiscalização mais pró-activa" da eficácia dos planos.
"De pouco servirá ao Ministério da Saúde emitir circulares de alerta aos profissionais para que providenciem a segurança das instituições se depois as directivas não forem executadas", disse.
Sobre os meios que envolvem estas medidas, Duarte Caldeira considera que "a vida das pessoas que ocupam uma instituição como um hospital não tem preço".
SMM.
Lusa/Fim