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Dez anos de Putin

Miguel Monjardino
8:00 Terça feira, 18 de agosto de 2009

Os jornais nacionais e internacionais publicaram nas últimas duas semanas uma série de fotografias de Vladimir Putin em férias no sul da Sibéria. O tema comum de todas as fotografias é a notável capacidade física do primeiro-ministro russo. A exibição e divulgação do físico de Putin fazem parte da campanha política do Kremlin. Em termos domésticos, as fotografias confirmam a imagem do chefe do Governo como um homem de acção, um homem forte e duro. Este ponto é muito importante para a sociedade russa e explica em parte a grande popularidade de Putin. Será que as fotografias correspondem à realidade? Será que a Rússia está realmente melhor com Putin?

Vladimir Putin chegou ao poder há dez anos. No Verão de 1999, a Rússia vivia tempos difíceis. A crise económica de 1998 tinha semeado o caos no país. Dois números de 1999 ilustram bem a situação de Moscovo - apenas 12 biliões de dólares de reservas e um produto nacional bruto (PNB) na casa dos 200 biliões de dólares (A título de comparação, Portugal tinha na altura um PNB de 120 biliões de dólares). Em termos externos, a Primavera de 1999 foi uma catástrofe para o Kremlin. A maneira como a operação militar da NATO contra a Sérvia decorrera confirmara que a Rússia era irrelevante na política internacional.

A missão de Vladimir Putin foi reconstruir a Rússia do ponto de vista político e económico e recuperar o seu poder e influência internacional. Ao nível político, a opção de Putin foi ao encontro da tradição política russa, uma tradição que sempre viu com bons olhos o poder e a força. Dmitri Trenin, director do Carnegie Center em Moscovo, caracteriza esta opção como "autoritarismo com o consentimento dos governados". Na base deste consentimento está a promessa de bem-estar económico. Se olharmos para os números, vemos que entre 1999 e 2008 a economia russa cresceu a uma média de 7 por cento ao ano. No final do ano passado, Moscovo tinha 600 biliões de dólares em reservas e um PNB de 1757 triliões de dólares. Os preços do petróleo e do gás natural nos mercados internacionais e a gestão prudente destas receitas explicam a reviravolta da economia russa.

A reviravolta esconde, todavia, três grandes fragilidades. A primeira é a grande inflexibilidade do sistema político-económico. Este sistema é vertical e não é estável. O resultado é que toda a gente depende de Moscovo para qualquer decisão. O custo económico desta situação é enorme.

A segunda fragilidade é a estrutura da economia russa. O número de pequenas e médias empresas representa menos de 20% por cento da economia - nas economias mais ricas e desenvolvidas do mundo este número ronda os 50% -, o número de cidades que dependem da existência de apenas uma indústria é muito elevado e a energia e minerais continuam a dominar completamente as exportações. A Rússia continua a ser um petro-estado altamente centralizado. Uma economia com uma estrutura inflexível e tão vulnerável aos apetites da burocracia e aos choques externos é uma enorme dor de cabeça política para qualquer governante.

Finalmente, a demografia não ajuda nada. A Rússia é o único país do mundo onde há mais abortos do que nascimentos, um indicador devastador. A esperança de vida dos homens russos - abaixo dos 60 anos - é menor do que há 50 anos. Nos próximos dez anos, a força de trabalho russa passará de 90 milhões de pessoas para 75 milhões. Uma queda desta dimensão tornará mais difícil conseguir de uma forma regular as taxas de crescimento económico de que o regime político russo precisa para manter o apoio da maioria da população. Em termos externos, as consequências económicas da evolução demográfica russa poderão levar os BRIC a passar a BIC.

Esta é a realidade que as fotografias de Putin escondem. A Rússia está muito melhor do que em 1999 mas não é tão forte como quer fazer crer.

Eleições no Afeganistão

Na próxima quinta-feira haverá eleições presidenciais no Afeganistão. Para os países europeus, EUA, Canadá e para o actual Governo em Cabul, as eleições são uma maneira de mostrar aos seus eleitorados que há progressos no país. Para os talibãs e os seus aliados, as eleições são uma oportunidade para mostrar a sua influência numa parte do país. As eleições não nos devem fazer esquecer uma coisa essencial - estabilizar e reconstruir aquilo que só no mapa é um país levará décadas e custará imenso dinheiro.

Soluções

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Há cada vez mais dados disponíveis para os governos e empresas. As perspectivas de emprego para quem sabe matemática e estatística nunca foram tão boas como agora

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Os ataques do grupo islamista "Boko Haram" (A educação é proibida) no norte da Nigéria causaram centenas de mortos.

Miguel Monjardino

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