O terceiro pedido de adiamento, por uma semana, da Lei das Finanças Regionais, foi rejeitado pela oposição e pelo deputado socialista eleito pela Madeira. A Assembleia da República não acolheu, desta forma, o apelo do Conselho de Estado quanto a um "espírito de compromisso e de diálogo paciente e frutuoso". Assim se foi a nova ronda de negociações entre o Governo e os deputados e assim ficaram os problemas estruturais da economia portuguesa, actualmente encabeçados pelas contas públicas.
São os mesmos problemas mas num contexto mais gravoso, com a bolsa a cair fortemente e os juros da dívida pública a crescerem assustadoramente. As yelds das OT a 10 anos voltaram a subir. Os CDS, que reflectem o risco de incumprimento do país, sobem para um recorde de 211 pontos base (os de Espanha estão nos 164; os da Grécia em 415,5). A bolsa de Lisboa afunda (lidera, aliás, as quedas a nível mundial). Ainda assim, há quem considere que um cenário de crise política ou uma eventual demissão do Primeiro Ministro, não seria má notícia para o país. Ainda assim há quem opte por se ocupar com o "diz que ouviu" no restaurante sobre os problemas de um enorme umbigo. Ainda assim há quem desmereça o seu posto de trabalho, porque o exerce com um desinteresse lesa-pátria ou esmagadora falta de visão.
Os manuais de economia que conheço não explicam o conteúdo da negociação do OE 2010 tal como "fez de conta" que aconteceu. Não ensinam sobre a solidariedade económica num só sentido. Também não ensinam sobre os impactos para a economia resultantes da "instrumentalização do Estado para fins partidários". Devem ser fracos manuais, limitados ao cálculo das taxas de desemprego em percentagem da população activa.
Pergunto: a ser aprovada a alteração da Lei das Finanças Regionais, o que significarão os "graves reflexos governativos" para que alertou o Ministro dos Assuntos Parlamentares? Como fica a economia? Como ficamos nós, Portugueses?
E é assim, neste Carnaval prazenteiro, que lá vamos continuando. São seguramente os Manuais. Devem ser fracos!
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Nota
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