A passagem da chama olímpica hoje pelo centro de Londres foi vaiada por centenas de pessoas que se juntaram para protestar contra a ocupação chinesa e o desrespeito dos direitos humanos no Tibete. Mais de três dezenas de pessoas foram detidas por tentar derrubar o símbolo olímpico.
A capital britânica é apenas uma das etapas da viagem da tocha com a chapa olímpica por vários países até chegar ao destino, Pequim, onde se realizam os Jogos Olímpicos este ano.
Apesar de o percurso estar fortemente policiado e a chama protegida por diversas frentes de polícias e seguranças, várias pessoas tentaram agarrar o facho olímpico e pelo menos 36 foram detidas, anunciaram as autoridades.
Uma das tentativas de perturbar o acontecimento aconteceu junto ao Museu Britânico por um tibetano de cerca de 40 anos, rapidamente placado e imobilizado no chão por polícias, até ser transportado para uma carrinha próxima.
Entre gritos de "Libertem o Tibete", o homem confirmou à agência Lusa ter tentado interromper o desfile e ter ficado ferido com um corte, mas um polícia impediu que se identificasse ou prestasse mais declarações.
Pelos "direitos humanos no Tibete"
A chama apenas passou no local minutos mais tarde, cerca das 12h25 horas, entre apupos e gritos de "Libertem o Tibete" e "Direitos Humanos no Tibete" por centenas de pessoas, entre tibetanos, ingleses e outras nacionalidades.
Todavia, devido ao número de polícias, manifestantes, público e turistas que frequentam a área era difícil avistar a tocha e quem a transportava na altura, o ex-jogador de rugby Clive Woodward.
Segurando uma reprodução da bandeira nacional do Tibete, Tania Rogers, inglesa e residente em Londres, justificou o seu apoio à manifestação por esta ser "uma óptima oportunidade para se falar do desrespeito pelos direitos humanos no Tibete".
Todo o mundo precisa de saber", acrescentou o companheiro, Trevor, à Lusa defendendo o boicote do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos e, "se for preciso", o boicote dos atletas às competições.
O Museu Britânico foi um dos três pontos de encontro para protestar definidos pela organização Free Tibet para mostrar apoio à causa tibetana, e onde se reuniram centenas de pessoas com bandeiras, cartazes artesanais e gritanto palavras de ordem.
Incidentes junto à residência de Gordon Brown
Mas no local também eram visíveis várias dezenas de chineses a favor dos Jogos Olímpicos com gongos e tambores.
"Apesar de pensar que a China precisa de melhorar os direitos humanos, quis vir apoiar os Jogos Olímpicos porque sou chinês e porque é uma oportunidade para o país", justificou Zhenjun Li, residente em Londres há sete anos, à Lusa.
Os incidentes continuaram pouco tempo mais tarde, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street, onde Gordon Brown saudou a chama perante centenas de manifestantes e críticas por participar na iniciativa.
Reino Unido afasta boicote às Olimpíadas
Todavia, Brown já afastou a hipótese de o Reino Unido boicotar os Jogos Olímpicos, sustentando que nem o líder espiritual do Tibete e principal porta-voz, Dalai Lama, pediu tal acto.
O cortejo teve início às 10:30 horas no estádio nacional de Wimbledon, no norte de Londres e, apesar do forte nevão que caiu durante a manhã, eram já visíveis alguns manifestantes e ocorreu a primeira tentativa de agarrar a chama olímpica.
A tocha foi transportada simbolicamente por diversos atletas e personalidades britânicas, entre os quais o ex-remador e campeão olímpico Steve Redgrave, o tenista Tim Henman e a apresentadora de televisão Konnie Huq.
Pelo contrário, a comediante Francesca Martinez decidiu cancelar a participação por desaprovar os recentes confrontos da polícia com manifestantes tibetanos em Lassa.
Pelo menos dois mil polícias foram alocados para proteger a chama olímpica e os intervenientes duraste os 48 kilómetros do percurso, numa operação com um custo estimado em um milhão de libras (1,27 milhões de euros).
A passagem da chama olímpica por Londres deverá terminar pelas 18h00 horas na O2 Arena, antes conhecida pela Millennium Dome, em Greenwich, na zona sudeste da cidade, antes de seguir para Paris na segunda-feira.