Confundidos com os primeiros sinais de recuperação económica, a par de níveis recorde de desemprego nas principais economias ocidentais, os empresários e líderes políticos dos países do G20 reunidos em Davos, não foram capazes de encontrar uma receita para o crescimento sustentado ou para a criação de novos postos de trabalho. O Mundo está melhor do que há 12 meses, mas não houve consenso sobre a recuperação económica ou se a economia mundial podia ainda ser vítima de uma recaída.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento em 2010, mas avisa que não será suficiente para prevenir mais desemprego. O director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn sublinhou que se assiste a um regresso do crescimento económico "mais rápido do que esperava, mas mais frágil".
Larry Summers, director do Conselho Económico dos Estados Unidos e conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o Mundo estava a viver "uma recuperação económica nas estatísticas, mas há uma recessão humana". A criação de postos de trabalho e o comércio livre são essenciais para a recuperação económica. Patricia Woertz, presidente executiva do grupo industrial Archer Daniels Midland, sublinhou que "reter empregos é tão importante como criar novos postos de trabalho".
Sustentabilidade é palavra de ordem
Na conclusão dos trabalhos deste 40º Fórum Económico Mundial, os participantes concordaram em repensar, reconstruir e redesenhar a economia global assente em princípios de sustentabilidade. Para Azim H. Premji, presidente da multinacional indiana Wipro, a recessão demonstrou que é necessário ouvir as vozes que emanam dos países fora do G8. "A auto-confiança dos países emergentes é completamente diferente", sustentou.
Bill e Melinda Gates apelaram ao contributo de todos para reunir 10 mil milhões de dólares (cerca de sete mil milhões de euros) para vacinar oito milhões de crianças na próxima década. Desde o seu lançamento, há 10 anos, a Aliança Global para a Vacinação e Imunização (GAVI) já salvou quatro milhões de vidas e imunizou mais de 256 milhões de crianças nos países mais pobres do Mundo.
Fundo "verde" de €72,1 mil milhões
Paralelamente, o FMI está a trabalhar na criação de um fundo "verde" no valor de 100 mil milhões de dólares (72,1 mil milhões de euros) para ajudar os países a enfrentarem as alterações climáticas. "É necessário ser criativo", na medida em que os países em desenvolvimento não têm meios para tomar as medidas necessárias e a capacidade dos países desenvolvidos é igualmente limitada pelos problemas financeiros resultantes da crise económica, afirmou Dominique Strauss-Kahn.
Lamentavelmente, a cimeira deste ano ficou enfraquecida com ausência de grandes líderes políticos mundiais, como o Presidente do Brasil, Lula da Silva; o primeiro-ministro do Paquistão; o Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai; e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, que cancelaram a sua presença em Davos à última da hora.