Fechou o Quarteto na Sexta-feira, o que vale é que no Sábado foi inaugurada no Porto a maior árvore de Natal da Europa...
Foi com tristeza que vi anunciado o encerramento do Cinema Quarteto na Sexta feira pela Inspecção-Geral de Actividades Culturais (IGAC) por falta de um sistema de segurança eficaz.
Ninguém pode nem deve por em causa a necessidade de condições para o funcionamento em segurança de espaços públicos, mas a coincidência temporal da inauguração da maior Arvore de Natal da Europa com o encerramento do Quarteto devia convidar à reflexão.
Como é possível existir disponibilidade financeira para este projecto, legítimo, mas de efeito meramente visual, quando falta quase sempre vontade para projectos com maior densidade cultural.
Estou certo, que o retorno do investimento na árvore de Natal assegura uma visibilidade incontestável à marca a curto prazo mas alguém devia perguntar o que fica para além do "fanfarronice".
O que fica da Arvore de Natal?
O que fica de todos os efeitos de Natal que são instalados pontualmente a partir de Novembro por todas as cidades do pais? Depois de queimados os fogos de artifício sobraram mais do que as canas para recolher? Será que não sobreviveríamos com a décima maior Arvore de Natal da Europa?
É urgente reconhecermos o incontestável valor da cultura para o desenvolvimento a longo prazo de um pais. Para quando o exercer da responsabilidade social de forma consequente e meritória?
Bem sei que os media apreciam noticiar desgraças, tipo: fechou o Quarteto, o São Jorge, ou os maiores feitos por mais "apatetados" que sejam: o maior bolo de Natal, o maior pastel de Belém, o maior assador de Castanhas... e reconheço a dificuldade de informar sobre actividades "mais sérias", integradas em planos de mecenato cultural...
Contudo, é vergonhoso
que se gaste tanto dinheiro em acções meramente decorativas e que seja sempre tão difícil desenvolver um projecto mais amplo e útil.
Quando se apagarem as luzes, afinal, o que fica?
Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL
e Director de Inovação da Holos