As ambulâncias demoraram mais de quatro horas a chegar junto dos "sinistrados" porque foram criadas situações que visaram "atrapalhar" o acesso dos meios ao local, procurando simular dificuldades com que se poderiam de facto confrontar em situação real.
Joaquim Chambel, comandante distrital de Santarém de operações de socorro, disse à Lusa que no primeiro exercício do PROCIV IV/2008, numa situação criada a partir de um simulacro de sismo de 6,9 na escala de Richter, com epicentro a quatro quilómetros de Benavente (à semelhança do que abalou a região em Maio de 1909), o quartel dos Bombeiros Voluntários de Samora Correia "ruiu" e as portas do quartel de Benavente "não abriam".
Neste cenário, os meios mais próximos ficaram impossibilitados de sair, tendo sido necessário fazer avançar equipas, nomeadamente da força especial Canarinhos e batedores da GNR, para verificarem quais os caminhos transitáveis para a chegada de auxílio.
No exercício, o próprio posto de comando, instalado no edifício da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), na zona industrial de Vale Tripeiro, junto à estrada que liga Benavente a Samora Correia, ficou sem comunicações para o exterior.
Os meios enviados para o local, mesmo os das localidades mais próximas, como Salvaterra de Magos, tiveram de circular pela A1 e pela A13, já que havia informação de que a estrada nacional 118 estava fechada, adiantou.
Questionado pelo facto de o comboio de veículos ter ficado em fila nas portagens para pagar a circulação na auto-estrada, Joaquim Chambel admitiu que essa situação não foi prevista, frisando que, em situação real, seria certamente considerada medida de excepção.
O exercício realizado ontem em Samora Correia simulou o desabamento de vários edifícios, uma explosão com incêndio num prédio, jovens mortos, feridos e em pânico na escola básica e mortos e feridos soterrados por blocos de cimento numa fábrica.
A GNR foi a primeira força a chegar ao local, seguida das forças especiais de bombeiros e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Foi montado um posto médico na extensão de saúde de Samora Correia e os militares montaram, junto a Vale Tripeiro, um acampamento para as forças envolvidas pernoitarem.
Equipas de apoio foram distribuindo rações de combate e cobertores para os "sinistrados" se aquecerem enquanto aguardavam para serem retirados.
Joaquim Chambel sublinhou que o exercício, que se vai prolongar até domingo, faz parte de um trabalho mais vasto, que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito de campanhas de prevenção.
"Nos últimos meses, passaram pelos nossos exercícios de auto-protecção 4.000 crianças e jovens dos concelhos de Benavente, Salvaterra, Coruche, Almeirim e Santarém", acrescentou.